sábado, fevereiro 16, 2008

"O cérebro, o eu e a liberdade"

Apesar de se não afastar por princípio a possibilidade de se poder vir a dar essa compreensão, o filósofo Colin McGinn pensa que talvez nunca venhamos a entender como é que a consciência surge num mundo corporal, a partir de processos físicos. Também o neurocientista W. Prinz disse recentemente numa entrevista: "Os biólogos podem explicar como funcionam a química e a física do cérebro. Mas até agora ninguém sabe como se chega à experiência do eu nem como é que o cérebro é capaz de gerar significados."
Eis um excerto da reflexão de Anselmo Borges no DN de hoje, que pode ler aqui.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Vazadouro de entulho junto à Panchorra

Em plena serra de Montemuro, à entrada da Panchorra, este local foi escolhido como vazadouro de entulhos da construção, presumindo-se que seja aproveitado para este fim pelas aldeias vizinhas, como a Gralheira. Os participantes no recente passeio e curso de enchidos, promovido pelo Clube Náutico de Caldas de Aregos e pela Associação "Aldeia", ficaram escandalizados com a situação.
Enquanto a Câmara Municipal não remover os lixos e tomar medidas preventivas para o futuro, nada a fazer.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

Passeio pela serra de Montemuro

No passado sábado e domingo, numa iniciativa da Associação Aldeia (link) e do Clube Náutico de Caldas de Aregos, realizou-se um passeio por vários locais da serra de Montemuro, onde os participantes tiveram oportunidade de contactar e apreciar ao vivo a manufactura de produtos artesanais, cuja tradição felizmente ainda perdura, e que constituem a base de sustentação económica de várias famílias, sendo potenciadores de desenvolvimento e de revitalização das respectivas aldeias.
A jornada começou, pelas 10h de sábado, com a visita à cooperativa de artesanato das capuchinhas em Campo Benfeito. Ali pudemos observar como se fazem as várias peças de tecido, burel e lã (blusas, vestidos, saias, casacos, capuchas, chapéus, gorros, cachecóis, cortinados...). Vimos novelos de lã colorida com corantes naturais de líquen dos carvalhos, fetos, urzes e amoras. Desde 1987, na escola da aldeia, cedida pela Câmara Municipal de Castro Daire, Ester, Isabel, Henriqueta e Engrácia, às quais se juntaram mais tarde Ofélia, Paula e Helena, dão vida a este projecto comunitário. A quem quiser saber o que é "fazer a trama", "construir a teia" e outras artes, aconselha-se uma deslocação a Campo Benfeito.
Esperava-nos um lauto almoço no restaurante Recanto dos Carvalhos , na Gralheira, onde pudemos saborear o tradicional cozido à portuguesa, anho no forno, as inconfundíveis pizzas e outras iguarias. A tarde foi passada numa animada "aula" teórico-prática de como fazer enchidos à moda tradiciona
l e com os ingredientes da nossa região. As nossas simpática "monitoras" relembraram-nos que as moiras podem ser enchidas no próprio dia, as chouriças após três dias de os ingredientes estarem em vinha d'alho e os salpicões após sete dias. Sentimos quão difícil é enfiar o bocado de carne compacta na tripa para fazer o salpicão. Por €15,00, fizemos o curso e tivemos direito a um salpicão e duas chouriças. Uma verdadeira pechincha.
Além do Paulo Sequeira, Pedro Ferreira e Fernando Almeida (do Clube Náutico das Caldas de Aregos), compareceram muitas outras pessoas, incluindo jovens, com interesse pela preservação da cultura e das tradições do mundo rural. Curiosamente, fez questão de integrar o grupo um casal de Viseu, que trabalhou muitos anos no nosso concelho (ele, enfermeiro no Centro de Saúde, e ela, professora/coordenadora do ensino recorrente). Esta jornada revestiu-se de natureza internacional, já que integrou um simpático japonês, cuja paciência esteve patente no enchimento de um salpicão. Uma questão "metafísica" ficou sem resposta: a diferença entre a chouriça e o chouriço, cuja solução será desvendada no próximo encontro.
O domingo, em que não pude estar presente, foi preenchido com uma visita a um artesão de Gosende, que faz croças, e por um caminhada entre a Panchorrinha e a Granja.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Joaquim Pinto ("Pinto's Cabeleireiros") em destaque no Jornal de Notícias


Este nosso conterrâneo é mais uma vez objecto de uma crónica no Jornal de Notícias (edição de domingo passado).
"Joaquim Pinto, o cabeleireiro mais disputado pela classe política, por engenheiros, militares, médicos e jornalistas, quer criar um museu do barbeiro/cabeleireiro e já iniciou contactos com várias câmaras no sentido de colher apoios, entre as quais Lisboa, Cascais, Loures, Odivelas e Resende, a sua terra natal. Espólio não falta. Só Joaquim Pinto tem mais de mil peças, entre bacias e cadeiras de barbeiro-dentista, ferros de torcer bigodes, embalagens de brilhantina, tesouras e navalhas". Para a leitura integral da crónica, clique e aqui.
Na foto, Joaquim Pinto corta o cabelo ao conterrâneo Dr. Vítor Borges (link), conceituado advogado na capital.

domingo, fevereiro 10, 2008

Festa do Seminário de Resende (1)

O programa começou com uma reunião/acolhimento aos pais dos seminaristas. As pessoas que iam chegando eram atendidos, junto à entrada do campo de futebol, por um grupo de jovens seminaristas, todos de fato e gravata, os quais prestavam todas as informações e apoio no arrumo e estacionamento das viaturas.
A conferência a cargo de D. Manuel Felício, natural do concelho de Castro Daire e Bispo da Guarda, cuja apresentação coube ao P. Marcos Alvim, começou cerca das 11h. Sob o tema Per Maria Ad Iesum , foi uma conferência densa, embora o orador procurasse que a mensagem fosse compreensível. Houve duas afirmações que retive. "Maria foi quem melhor perscrutou os desígnios insondáveis do mistério de Deus. Por isso, é um modelo próximo que encaminha para o único mediador, que é Cristo". A outra ideia foi uma chamada de atenção para o direito inalienável da manifestação pública da fé e da religião, que "não podem ser reduzidas a uma questão privada e do foro íntimo". Afrontar este direito é afrontar a identidade da pessoa, pois as convicções não são susceptíveis de separação em manifestações internas e externas, afirmou.
A mesa integrava o nosso Bispo, D. Jacinto Tomás, o Vice-Reitor, P. Paulo Jorge e o Presidente da Câmara, Eng. António Borges. Entre a assistência, encontravam-se muitos pais, sacerdotes, o Vice-Presidente da Câmara, António Silvano, a Vereadora da Cultura, Prof. Dulce Pereira, o Presidente da ASEL (Assc. Antigos Alunos dos Seminários de Lamego), Cândido Teixeira, e o Bispo Emérito de Bragança e Miranda, D. António Rafael, natural da Diocese de Lamego.

Festa do Seminário de Resende (2)

A solene Eucaristia foi presidida por D. Jacinto Botelho, tendo sido concelebrada pelos dois bispos presentes (D. António Rafael e D.Manuel Felício) e cerca de uma dezena de sacerdotes. Na homilia, o nosso Bispo historiou a ligação do Seminário a N. Sra. de Lourdes, reafirmou a importância do Seminário como sendo o coração da Diocese e formulou o desejo para que o mesmo se transformasse numa extensão da família, apelando nesse sentido à colaboração dos pais.
O coro do Seminário, dirigido pelo "maestro" P. Marcos Alvim, deu um brilho especial às cerimónias.

Festa do Seminário de Resende (3)

Após a conferência, houve a entrega de lembranças a D. Jacinto Botelho, numa antecipação da celebração das bodas de oiro da ordenação sacerdotal, que ocorrerá a 15 de Agosto próximo, ao Presidente da Câmara, Eng. António Borges, pelo apoio e estímulo que tem dispensado ao Seminário, e ao Presidente da ASEL, Cândido Teixeira, pelas bodas de prata da associação e pela ligação e apoio constante ao Seminário.
A D. Manuel Felício foram prometidas caixas de cavacas.

Festa do Seminário de Resende (4)

A tarde, das 14h30 às 16h30, foi preenchida com música filarmónica pela banda de S. Cipriano "A Nova", numa iniciativa que ocorre pela segunda vez. No ano passado, actuou a sua congénere "A Velha".
Está de parabéns o Seminário e a equipa responsável (pelo acolhimento e organização).

sábado, fevereiro 09, 2008

O Cardeal Tettamanzi e os católicos divorciados

Sem culpa, com culpa de um ou do outro ou dos dois, por vezes, "a separação é lícita e inevitável".
Quando já não há amor, já não são aquele e aquela que se conheceram e amaram. O tempo mudou-os.
Se, depois, em dignidade e na responsabilidade, refizeram a vida num novo casamento, deverá a Igreja, lembrando-se de Jesus, o da inclusão, manter para todos, definitivamente, a exclusão da comunhão?
Termina assim a reflexão de Anselmo Borges no DN de hoje, que pode ler aqui.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Seminário de Resende em festa

Antecipada de um dia, o Seminário de Resende leva a efeito, no próximo domingo, dia 10, a festa da sua padroeira, Nossa Senhora de Lourdes. Do programa (linK) consta: i) às 11h00, uma conferência pelo Sr. Bispo da Guarda; ii) às12h15, celebração da Eucaristia, presidida pelo Sr. Bispo de Lamego e iii) com início às 14h30, actuação da banda de S. Cipriano "A Nova".
Todos estão convidados a participar nesta festividade.
Refira-se que, no próximo dia 11, se comemoram 150 anos da primeira aparição em Lourdes.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Uma questão de pobreza

Um homem de 39 anos foi detido, anteontem, pela GNR de Resende, por furto numa sucata.Os militares tiveram conhecimento que, no interior de uma sucata, estariam indivíduos a furtar objectos e, quando se deslocaram ao local, detiveram um deles. Os outros indivíduos fugiram, tendo abandonado a viatura e o material que nela se encontrava. O suspeito foi ontem presente a tribunal. (Notícia de "Diário As Beiras")

Resende ainda tem muito que pedalar

Em Resende, concelho neste estudo com o mais baixo poder de compra, cada habitante ganhava apenas, em 2003, pouco mais de 500 euros, enquanto que a média nacional é superior a 800 euros. Amarante e Penafiel, onde prevalecem os serviços, eram os concelhos, ao nível dos trabalhadores por conta e outrem, com ganho médio mensal mais elevado, mas inferior à média da região Norte. Já o rendimento per capita por habitante é mais elevado nos concelhos industrializados, com Felgueiras à frente, seguidos de Paredes e Paços de Ferreira.
E
speremos que a situação actual já não corresponda aos dados avançados por este estudo (linK) sobre a região do Vale de Sousa e do Baixo Tâmega.

Muita alegria

Antecipando o dia 7, e porque em Paus tem mais encanto e mais sabor.

Falecimento de Filipe de Azevedo

Foi a enterrar no passado domingo Filipe de Azevedo, do Formigal, que recebeu "carta de chamada" de sua esposa, D. Deolinda, falecida há cerca de dois meses.
Recordo o Sr. Filipe por ser um homem honrado e, particularmente, por ter sido proprietário da Vinha Velha, onde eu e os meus irmãos nascemos e passamos a nossa primeira infância, e que tratou como um jardim.
A Vinha Velha voltou às raízes, pois foi adquirida pelo nosso irmão Vítor Borges.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

Barrô: Aqui começa o Douro vinhateiro*

O Douro vinhateiro é resultado do esforço inimaginável do homem, que dos declives acentuados e das formações xistosas fez brotar uma paisagem única de vinhedos.
Esta gesta heróica envolveu e moldou as gentes do nosso concelho, estando na origem de parte do nosso folclore e das nossas tradições. A saga de transformação das encostas e vales continua. Quem demanda estas paragens depara-se com um Douro mágico, cujos vinhedos se espraiam de forma crescentemente esplendorosa a partir de Barrô.

Região Demarcada do Douro
A cultura do vinho na região é muito antiga. Há vários vestígios de lagares e vasilhame, com cerca de dois mil anos, que provam o empenho vitivinícola de outras eras.
Durante muitos séculos, a produção destinou-se ao consumo interno. Só na segunda metade do século XVII, ocorre uma forte expansão da viticultura duriense e um crescimento rápido da exportação de vinhos, surgindo nesta altura a designação de vinho do Porto. A forte procura, sobretudo inglesa, tem como efeito a subida galopante dos preços e o enriquecimento fácil através do aparecimento de fraudes e abusos. Esta situação levou à estagnação das exportações, a partir de meados do séc. XVIII, embora a produção não tivesse deixado de crescer.
Esta crise comercial teve como efeito o surgimento da primeira região vitivinícola demarcada do mundo, com poderes de regulação. Ou seja, por pressão dos grandes vinhateiros durienses é instituída, em 10 de Setembro de 1756, a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, que tem como objectivos assegurar a qualidade do produto, evitando adulterações, equilibrar a produção e o comércio e estabilizar os preços.

Delimitação da zona vinhateira/Marco encontrado em Barrô
A região produtora foi bordada, de 1758 e 1761, por 335 marcos de granito com a designação de Feitoria, o que significava que só da mesma se podia produzir o vinho de qualidade única, susceptível de exportação para Inglaterra, vulgarmente conhecido por vinho fino. Pela primeira vez, é definido o conceito de cadastro das vinhas.
Inicialmente, a região demarcada estendia-se de Barrô e Barqueiros até ao Cachão da Valeira, abarcando as sub-regiões de Baixo Corgo e Cima Corgo. As destruições provocadas pelo oídio e pela filoxera nas décadas de cinquenta e sessenta do século dezanove, reduzindo a mortórios grande parte dos vinhedos, desencadearam de facto a expansão da Região Demarcada ao Douro Superior até à fronteira, vindo esta realidade a ser sancionada e permitida em 1865.
De acordo com os dados mais recentes, a vinha ocupa na Região Demarcada do Douro 41.000 hectares, sendo apenas 37% destinados à produção de vinho do Porto. A sub-região do Cima Corgo ocupa a maior superfície (46%), seguindo-se o Baixo Corgo com 32% e o Douro Superior com 22%, havendo cerca de 39.500 explorações.
A freguesia de Barrô incluiu, desde o início a Região Demarcada do Douro. Por isso, embora desde 1908 a demarcação seja por freguesias, as pessoas ainda hoje afirmam que começa na ribeira de Vilarinho, como era tradição referir.
O primeiro marco delimitador da região inicial foi colocado em 9 de Outubro de 1758, em Vila Jusã/Mesão Frio. Por sua vez, foi na Penajóia, em 4 de Novembro desse mesmo ano, que foi colocado o primeiro marco (dim: 104x31x36cm) da margem esquerda. Mais tarde foi reutilizado como pedra de construção da Casa da Quinta de S. Gonçalo da Ribeira, datada de 1863, situada em Barrô. Este marco tornou-se visível com o desaparecimento do reboco interno, encontrando-se presentemente no Museu do Douro a título de empréstimo. Refira-se que os marcos estão classificados como imóveis de interesse público.

Destilarias da Casa do Douro
Houve períodos em que as aguardentes para beneficiação do vinho do Porto eram provenientes exclusivamente dos vinhos durienses. A abertura desta possibilidade a outras regiões do país sempre foi mal recebida pelos agricultores do Douro. Embora Salazar permitisse o fornecimento de aguardentes vínicas de outras regiões do país, concedeu à Casa do Douro a quase exclusividade nesta área, já que uma das atribuições desta instituição representativa dos vitivinicultores durienses, criada em 1932, era promover “o escoamento normal para o consumo ou queima dos vinhos não beneficiados”, podendo, pois, ter as suas próprias destilarias. A legislação relativa à aguardente para “aplicação no tratamento dos vinhos generosos do Douro” estipulava mesmo que a Casa do Douro “poderá obrigar os comerciantes e os viticultores a receber, em rateio, a aguardente” que a mesma tenha em depósito.
Tendo em conta as suas atribuições na defesa dos viticultores, a Casa do Douro construiu, a partir dos anos quarenta do século passado, várias destilarias para a queima (produção vínica) dos vinhos excedentários não beneficiados que os lavradores não conseguiam vender. Até finais dos anos oitenta, estiveram em laboração oito destilarias, assim distribuídas: Barrô, Lamego, Granjão de Mesão Frio, Santa Marta de Penaguião, Régua, Favaios, Carrazeda de Ansiães e Fontelo de Domingos de Armamar. Por imperativo da legislação comunitária, a Casa do Douro teve de abandonar a produção de aguardentes.
Entrava assim em decadência este conjunto de destilarias, dotadas de grandes e elegantes alambiques em cobre, cujos edifícios se distinguiam pela cor ocre amarela e pelo símbolo da Casa do Douro (um cacho de uvas com um barco rabelo a meio) no exterior. Postas à venda, três foram adquiridas e recuperadas para o enoturismo. A de Barrô, várias vezes vandalizada e objecto de fogo posto, continua à venda, à espera de um destino que lhe devolva a dignidade e respeite o seu passado.

Situação da vinha e do vinho em Barrô
Alexandre da Silva Morais, de 89 anos, presentemente a residir no Lar da Santa Casa da Misericórdia de Resende, que foi pequeno produtor e caseiro, ainda se recorda dos tempos em que as grandes companhias de comercialização de vinhos do Porto adquiriam as uvas através de “comissários”. O vinho era aqui processado e beneficiado com aguardente, cedida pelas empresa compradoras, permanecendo em pipas nas casas dos lavradores. Passados alguns meses, as mesmas eram transportadas em carros de bois até ao rio onde seguiam em barcos rabelos para Vila Nova de Gaia ou em comboios.
Com a criação da Casa do Douro e respectivas atribuições de fiscalização da produção vitícola e vinícola e de “fixação da quantidade de vinho que deve ser beneficiado em cada ano, autorizando a beneficiação de harmonia com qualidade dos mostos”, e legislação sobre cadastros, novas exigências foram colocadas aos agricultores. Alguns não conseguiram ultrapassá-las e outros desistiram. As uvas não abrangidas pelo benefício (a maioria) tinham três destinos: 1) escoamento para vinho do Porto a coberto de mecanismos “enviesados” utilizados por titulares do célebre cartão de benefício; 2) venda para vinho de mesa e 3) queima do vinho para produção de aguardente vínica.
Nestas três últimas décadas, tendo em conta a diferença abissal entre o preço da pipa do vinho do Porto, actualmente à volta de 900/1.000 euros a pipa, e o preço da pipa do vinho de mesa, à volta de 100/120 euros, muitos agricultores têm reformulado as suas vinhas e obtido o benefício. Calcula-se que presentemente 50 a 60% dos viticultores de Barrô sejam titulares de cartão de benefício, cujas uvas são vendidas na sua maioria à Adega Cooperativa de Penajóia.

Quinta da Comenda
A freguesia de Barrô foi, em 1208, constituída como Comenda a favor da Ordem de S. João do Hospital de Jerusalém (ou de Malta). A Casa (e a Quinta) da Comenda era a sede e o paço onde residiam os comendadores, encarregados de receber os dízimos da freguesia e os rendimentos da comenda, para entrega àquela ordem religiosa militar.Com a extinção desta em 1834, a quinta foi nacionalizada e vendida em hasta pública. Tudo leva a crer que o romance As Meninas da Comenda do P. Dr. Joaquim Correia Duarte se baseia em factos históricos aqui ocorridos, já que a comenda a que alude também foi instituída por D. Sancha Vermudes (nora de D. Egas Moniz).
Esta quinta foi adquirida há cerca de 30 anos por Miguel Gomes Dinis Saavedra. Com 12 hectares, foi totalmente remodelada, produzindo cerca de 35 pipas de vinho do Porto. É aqui referida pelos seus pergaminhos e por ser a maior de Barrô.

Nota: Agradeço aos Srs. Francisco Tuna (presidente da Junta) e Miguel Saavedra (proprietário da Quinta da Comenda) a disponibilidade e informações dispensadas.

Perguntas e Respostas

Que se entende por cadastro de vinhas e por benefício?
Em 1935, foram fixados, pela primeira vez, normas gerais para uma delimitação mais selectiva das uvas destinadas à produção de vinho do Porto, baseadas na altitude e no solo. A selecção de mostos pressupunha a realização de um cadastro de propriedade a que a Casa do Douro deu início em 1937, cujos dados iriam permitir uma correcta e justa distribuição do benefício. Este sistema foi aperfeiçoado com a introdução de novos elementos aos quais, de acordo com a importância respectiva, passou a ser atribuída uma pontuação, cujo somatório permite agrupar as propriedades em classes, de A a F. Este procedimento, em vigor, cuja gestão é actualmente da responsabilidade do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, exclui as uvas de Barrô das letras A e B, porque os terrenos não são xistosos ou são-no apenas parcialmente num terço da freguesia.

Poderá haver alteração ao quantitativo de benefício para o vinho do Porto?
Sim. Todos ao anos o Conselho Interprofissional (representantes da produção e do comércio) do Instituto dos Vinho do Porto e do Douro fixa a quantidade de pipas de vinho a beneficiar. Assim, para este ano, podem ser beneficiadas 125.000 pipas, mais 1.500 que em 2006.

Uma pipa de vinho equivale a quantos litros?
A pipa é a medida padrão em que se envelhece e exporta o vinho do Porto.
A sua capacidade é de 534 litros.

Como se faz o vinho do Porto?
Por adição de aguardente vínica ao mosto em fermentação numa razão de uma parte para cinco de mosto. Esta operação tem como objectivo interromper a fermentação, permitindo controlar a doçura final e a graduação alcoólica e melhorar a estabilidade química
do vinho.

A área da freguesia de Barrô faz parte do Douro/Património Mundial?
Não. Dos 22 municípios que integram a Região Demarcada do Douro apenas 13 fazem parte da área classificada como paisagem cultural, considerada património mundial.

*Escrito para o Jornal de Resende (Outubro de 2007)

terça-feira, fevereiro 05, 2008

"Carne vale"

Hoje, cá em casa, em Quintãs de Paus, comeu-se a tradicional feijoada, que incluiu meia cabeçola caseira (de um porco alimentado em Moumiz) e muitas feijocas (da D. Adelaide). Frente ao apetite voraz , pouco sobrou. Fez-se jus ao nome carne vale (adeus, carne), pois amanhã, quarta-feira de cinzas, entraremos na quaresma.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Carnaval em Resende

Na sexta-feira, decorreu o desfile dos jardins de infância e escolas públicas. Há pouco, com início às 15h, teve lugar o desfile das várias valências da Santa Casa da Misericórdia, muito sugestivo, à volta do tema "A Segurança". Ainda para hoje à noite, com início às 21h30, está previsto um baile com o grupo 100 limite, organizado pela Casa do FCP. Amanhã, numa iniciativa da Associação Cultural Amigos de Loureiro e Ermida, decorrerá o habitual desfile pela vila, que tem o seu início previsto para as 15h.

domingo, fevereiro 03, 2008

Crónica de mais um domingo...único

Chove lá fora. Ouve-se a chuva a bater suavemente no Douro...Já chegámos...ouvimos o característico som do comboio de onde sairá aquela figura há tanto esperada. E ei-lo, o P. Tomás caminha para nós com aquele sorriso característico de alguém que diz ser um Borges. De braços abertos, recebe-nos a todos, entra no carro e...até amanhã!
Que seja, até amanhã! Já em casa, lembramos a chuva, ouvimos o vento, agarramos o frio. Um pedaço de fogo é o nosso refúgio: trocamos palavras, ecoamos silêncios e escutamos olhares, à volta dele.
De volta à Terra, aprendemos que é cada um de nós que aquece o outro e que só nós podemos dizer até amanhã, sabendo que esse dia nunca vai desaparecer. (Crónica de Filipa Borges)

sábado, fevereiro 02, 2008

"Bento XVI em La Sapienza"

La Sapienza - Universidade de Roma é talvez a maior universidade da Europa, com 150 mil estudantes e dois mil professores. Uma minoria de professores (67, vindos da Física) e de estudantes (umas centenas) opôs-se à presença de Bento XVI para uma lição na abertura do ano académico. Perante o protesto, o Papa declinou o convite.
Assim começa o artigo de Anselmo Borges no DN de hoje, que pode ler aqui.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Desvio de dinheiro em bomba de gasolina em Resende

O responsável pelos depósitos de dinheiro de uma bomba de gasolina, em Resende, é suspeito do desvio de cerca de 20 mil euros para as suas contas pessoais, disse hoje à Lusa fonte policial.
Segundo o comandante do Destacamento de Lamego da GNR, Adriano Resende, "havia indícios de que um homem de 45 anos, funcionário de umas bombas de gasolina em Resende, "se tinha apoderado indevidamente de cerca de 20 mil euros".
"No âmbito deste inquérito, foram feitas, quarta-feira, buscas à residência e à viatura do indivíduo, tendo sido apreendidas seis cadernetas das suas contas bancárias e vários documentos de depósito de dinheiro", acrescentou.
Adriano Resende esclareceu que as cadernetas bancárias e os documentos referentes a depósitos bancários foram confiscados "com o objectivo de confirmar que o indivíduo, responsável pelos depósitos das bombas de gasolina de Resende, se vinha apoderando indevidamente do dinheiro, que ia depositando em contas pessoais".
(Notícia da Lusa)