
Quando o senhor Pe. Martins me convidou para trabalhar com ele na paróquia, pediu-me especial-mente para tentar envolver mais os jovens e apontou-me o movimento escutista como uma possibilidade que ele já tinha tentado fundar, mas, por razões diversas, não tinha vingado. Entrei ao serviço da comuni-dade no dia 1 de Janeiro de 1995 e, dois meses depois, o movimento escutista começava a ter os primeiros contornos. Faz precisamente 16 anos… começámos por agregar um grupo de jovens/adultos que pudesse assumir a liderança como futuros chefes do agrupamento… seguiu-se um longo período de formação inter-na com reuniões para o grupo dos dirigentes… abriram-se inscrições para crianças e jovens que estivessem dispostos a abraçar este projecto e foram muitos os que se inscreveram… começou então o longo período de formação para todos com a colaboração sempre pronta da Junta Regional de Lamego (cabe aqui uma evocação da memória do Chefe Santos, que já partiu ao encontro do Chefe Supremo, que foi incansável no apoio e dedicação)… até que chegou o grande dia das primeiras Promessas do Agrupamento (1096 do CNE), cerca de ano e meio depois, no radioso dia 7 de Julho de 1996. Fomos 36 os que fizemos as primei-ras Promessas entre Dirigentes, Caminheiros, Pioneiros e Exploradores. Não fizemos promessas de Lobitos nesse ano por falta de experiência para trabalhar com os mais pequenos… viríamos a incluí-los no Agru-pamento um ano depois e a reconhecer a mais valia que eles são em qualquer Agrupamento.
Já lá vão quase 15 anos e muitos foram os rostos que foram crescendo nesta família… muitos foram partindo, por razões diversas, outros vão chegando cada ano… todos vão bebendo o espírito e a mística do Escutismo - o desenvolvimento integral do ser humano. O contacto com a natureza e a educação para o respeito pela obra da criação; o relacionamento com os outros e o reconhecimento da fraternidade como um valor fundamental; a formação para a responsabilidade nas tarefas mais simples, na entreajuda nos serviços, no cumprimento dos deveres, na responsabilização pelos seus actos, na formação da conduta individual; a importância dada ao desenvolvimento da fé, dos princípios e valores cristãos e dos hábitos de prática religiosa… fazem do movimento escutista uma verdadeira escola de crescimento integral do ser humano.
Ao longo destes anos temos primado por desenvolver uma cultura de participação e serviço na comunidade e fora dela. “Sempre alerta para servir” foi o lema que o nosso fundador nos deixou e que não esquecemos… nem sempre é fácil cultivar este espírito quando nos inserimos numa sociedade cada vez mais egoísta e centrada nos interesses pessoais, mas tentamos remar contra a maré e a comunidade de Resende tem evidências da nossa disponibilidade e deste espírito que vai deixando marcas de serviço...

No passado dia 27 celebrámos mais umas Promessas… mais uma lufada de ar fresco para conti-nuarmos os nossos empreendimentos com a convicção de há 16 anos, com o espírito dos Princípios e Leis que nos movem, com a garra de quem olha o futuro com esperança e de quem sente que cada oportunida-de é uma bênção para aproveitarmos e não para desperdiçarmos… a alegria que sentimos sempre que renovamos a Promessa é o sinal mais evidente de que aquilo que fazemos tem um sentido e vale a pena. A serenidade com que decorrem as nossas cerimónias de Velada e Promessa são sinal de interiorização duma vida que repassa nos gestos, nos símbolos, nas palavras, na simples expressão do olhar de quem vê muito para lá do que os olhos alcançam. Parabéns aos que celebraram a sua Promessa e a todo o Agru-pamento que a renovou.
Queremos mais e melhor… queremos ir mais além e fazer melhor… por isso convidamos os pais da comunidade a confiarem-nos os seus filhos, convidamos as crianças, adolescentes e jovens a virem experimentar uma “escola” diferente e a sentirem que vale a pena deixar o cantinho do sofá para expe-rimentar a vida feita aventura na descoberta de Deus, dos outros, de si próprio e da natureza… sempre num ambiente de crescimento responsável, comprometido e dinâmico, experimentando a alegria de servir.
*Pe. José Augusto Marques (Chefe de Agrupamento)