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quinta-feira, dezembro 03, 2015

Anselmo Borges no festival literário "Tinto no Branco", no próximo sábado, em Viseu

Cafés, praças, escolas e espaço comerciais são alguns dos locais que estão a acolher esta semana momentos imprevistos de leitura e encenação de textos de Aquilino Ribeiro, desafiando miúdos e graúdos para o primeiro festival literário de Viseu.
Organizado pela Câmara de Viseu, o festival literário “Tinto no branco” decorre de sextafeira a domingo e é o destaque do evento “Vinhos de Inverno”, que se estreou em 2014 e que este ano junta os prazeres dos vinhos do Dão e da mesa regional à literatura universal.
Ver aqui o desenvolvimento da notícia  deste original festival, realizado bem próximo da nossa terra.

segunda-feira, fevereiro 16, 2015

No Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras, com Anselmo Borges e Ricardo Costa


Em Fevereiro dá-se continuidade ao projeto Livros Proibidos, mantendo a regularidade mensal. O horizonte
temático desta segunda edição é Livros Proibidos na Religião. Estados Laicos, Estados Fundamentalistas.

Na abordagem que se pretende efetuar o conceito de religião deverá ser perspetivado no sentido amplo enquanto
sistema totalitário e fundamentalista. A política dos mercados e a estratégia economicista da Europa, por exemplo,
é a nova religião dos Estados totalitários Europeus. Mas não só, os vários fundamentalismos, terrorismos
religiosos que habitam e sempre habitaram o mundo, bem como o recente reaparecimento do Estado Islâmico
ou Novo Califado.

A escolha do tema é, por isso, perfeitamente atual e está na ordem do dia. A divisão entre Estados Laicos e Estados Fundamentalistas, uma das grandes questões políticas do nosso tempo e de todos os tempos, permite diversificar e ampliar o leque e recuperar textos de períodos históricos e literários diferentes.

A primeira sessão tem como convidado Anselmo Borges e a moderação é de Ricardo Costa, estando marcada para o dia 25 de fevereiro, às 21H30, no Auditório da Biblioteca Municipal de Oeiras. A entrada é livre.

Começa-se, justamente, com Os Versículos Satânicos de Salman Rushdie, um título controverso que apresenta uma crítica satírica contra Maomé e contra os tabus do islamismo.
A reação foi tão violenta por parte dos países muçulmanos que determinaram pena de morte ao autor que se viu obrigado ao exílio por blasfémia contra o Islão e apostasia.

O livro é apresentado por Anselmo Borges, professor universitário, cronista, teólogo, pensador do mundo. Com moderação de Ricardo Costa.

A não perder!

INFORMAÇÕES
BM Oeiras, tel. 214 406 330, ana.jardim@cm-oeiras.pt


Consultar aqui (site da CM de Oeiras)

sexta-feira, janeiro 30, 2015

Histórias de Resende no novo filme de Miguel Gomes "As Mil e Uma Noites", com estreia em Outubro

"(...)Tínhamos um filme para fazer e, logo na primeira semana começámos de imediato a filmar. O Comité Central decidiu ir para uma pequena cidade no Douro, Resende, porque estavam por lá a acontecer coisas que pretendíamos investigar. Isso dá origem a uma das primeiras histórias que Xerazade conta, tendo sido a primeira que filmámos. Nessa altura não havia ainda um guião e, portanto, tratámos de conhecer as pessoas que estavam a viver o caso que era relatado nos jornais.
Eram, na verdade, duas histórias. Uma delas tinha a ver com uma situação insólita: um galo com um processo em tribunal por cantar à noite e acordar os vizinhos. Queriam o galo morto, degolado como Xerazade. Isto estava a acontecer, era real, mas ao mesmo tempo era de ordem surreal, imaginário em estado puro.
No dia seguinte, apareceu outra notícia sobre a mesma cidade. Contava-se que alguém tinha sido detido porque, estando apaixonado, punha fogo para se vingar do facto da namorada o ter trocado por um bombeiro. Para dar trabalho ao bombeiro, arrancando-o, assim, dos braços da sua amada, começou a incendiar metade do concelho. A junção entre o galo que cantava à noite e o homem que punha fogo por ciúme deu o primeiro movimento do filme. Era um desafio perceber como poderíamos juntar estas duas histórias, sendo que a localização era a única coisa que tinham em comum. Isto coincidiu com o momento em que decorriam as eleições autárquicas, que quisemos integrar. Cada notícia colocava-nos questões diferentes que tentávamos reformular e incorporar nas Mil e Uma Noites, fazendo com o que o real parecesse imaginário e o imaginário, real".
Extracto da entrevista de Miguel Gomes ao Ípsilon/Público de hoje

sábado, janeiro 03, 2015

Rota do Românico na "Fugas"/"Público", em que se escreve sobre Resende e Cárquere

Houve tempos em que se falava do nosso concelho e Resende parecia estar na moda. Actualmente, continuando sem  acessos e sem factos "comunicacionais", excepto os deprimentes, está remetida ao esquecimento.
Hoje estamos no "Público" pela cultura. Felizmente, integramos a Rota do Românico e a "Fugas" de hoje convida os leitores a fazer um percurso pela região "...pouca dada à auto-estima e, se calhar por isso, ao turismo. Mas os vales do Sousa e do Tâmega são também região de onde houve Portugal e o legado desses tempos está inscrito nas pedras. A Rota do Românico veio resgatar da dispersão igrejas, mosteiros, pontes, mitos, lendas.Embarcamos nela para descobrir o território onde a Idade Média é projecto de futuro".
Logo, no início do artigo, a autora,  Andreia Marques Pereira,  escreve: "...é a arte românica que se impõe como fio condutor nesta região que, a espaços, pode ser vista como um museu a céu aberto da história dos alvores da nacionalidade. Afinal, foi daqui, de Entre-Douro-e-Minho, que houve Portugal, ainda o século XII não ia a meio — e a arte românica atingia o seu período áureo por essa Europa fora. Por isso não surpreende que a história desses tempos, em que o Condado Portucalense se emancipava e o novo país ganhava forma, se leia nas pedras românicas que o povoaram de mosteiros, igrejas, castelos e fortalezas — e de mitos e lendas. E que mito mais duradouro terá Portugal do que o do bravo Afonso Henriques que contra tudo e todos (bem sabemos a história da mãe, D. Teresa) fundou um país? Contudo, antes de se tornar no conquistador de países, Afonso Henriques terá sido um miúdo raquítico, curado por intervenção divina e “mediação” do seu fiel aio, Egas Moniz. Essa é uma das lendas inscritas neste território e o Mosteiro de Santa Maria de Cárquere (Resende) é a sua testemunha muda. Não visitamos Cárquere mas não perdemos a oportunidade de visitar a última morada de Egas Moniz, um dos mais significativos exemplares da tumulária românica em Portugal, “ilustrado” com episódios da sua vida, que deambulam nessa fronteira entre lenda e realidade tão apropriados ao contexto medieval, e que são episódios da novela então incipiente chamada Portugal".

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Guilherme d'Oliveira Martins analisa o livro "DEUS AINDA TEM FUTURO?" *

Anselmo Borges coordenou a obra «Deus ainda tem Futuro?» (Gradiva, 2014) que constitui uma panóplia de reflexões, representando uma pluralidade de perspetivas, de extraordinária atualidade e pertinência.

UMA COMPREENSÃO PLURAL DOS LIMITES
Estamos perante as intervenções realizadas no Colóquio Internacional realizado no Seminário da Boa Nova, Valadares, Gaia, em Outubro de 2013, subordinado ao tema que precisamente intitula a presente obra. Javier Monserrat e José Ignacio Gómez Faus também colaboram, ainda que não tenham participado no simpósio. Como disse o pensador Paul Clavier, «a existência de Deus é um assunto demasiado sério para ser confiado exclusivamente aos crentes». Daí que tenhamos neste diálogo intenso a presença de crentes e não crentes, e sobretudo uma sã atitude crítica, sempre. Os assuntos são múltiplos e todos apaixonantes – desde a situação religiosa no mundo atual às questões relacionadas com a genética, as neurociências, passando pela criação e pela natureza, pela relação entre a modernidade e o fenómeno religioso, a autonomia da ética em face da religião, Deus no Oriente e no Ocidente, o rosto feminino de Deus, a fé, a ciência e a razão, o silêncio de Deus e a experiência mística… No mote lançado para o desenvolvimento do tema, o Professor Anselmo Borges lembra uma pergunta de Karl Rahner - «O que aconteceria, se a simples palavra Deus deixasse de existir?». A resposta é significativa: «A morte absoluta da palavra Deus, uma morte que eliminasse até o seu passado, seria um sinal, já não ouvido por ninguém, de que o homem morrera». No fundo, a interrogação do título obriga a acrescentar que o futuro a que se faz referência diz respeito à humanidade toda. Não por acaso, o coordenador da obra lembra Vaclav Havel, pouco antes de morrer, a afirmar que uma civilização que perdeu a ligação com o infinito e a eternidade, pode estar a caminhar para a catástrofe. E não se confunda esta posição com qualquer simplificação intelectual, uma vez que o que está em causa é o perigo do vazio de ideias e valores e o risco da incompreensão dos limites do conhecimento. E se se fala de catástrofe, a mesma tem a ver com a eventual emergência da irracionalidade e do sectarismo.

O INTANGÍVEL E O INEXPLICÁVEL
Carlos Fiolhais recorda a resposta de Einstein à pergunta se se considerava uma pessoa religiosa. O cientista respondeu, surpreendendo os interlocutores: «Sim, sou, pode dizer isso. Tente penetrar, com os seus recursos limitados nos segredos da Natureza, e descobrirá que, por detrás de todas as concatenações discerníveis, resta algo de subtil, intangível e inexplicável. A veneração dessa força, que está além de tudo o que podemos compreender, é a minha religião. Nessa medida, sou realmente religioso». Esta afirmação sintetiza a importância do tema que reúne as diferentes respostas contidas nesta obra. Afinal, o fenómeno religioso ultrapassa em muito as diferentes confissões bem como as opções individuais nessa matéria. A liberdade de consciência e a inteligência humana dão um sentido especial ao diálogo entre razão e fé, e a compreensão dos limites do conhecimento constitui um desafio muito fecundo para usar o sentido crítico e para ir mais além do que parece estar ao nosso alcance. Num texto muito rico, Eduardo Lourenço dá, no pórtico da obra, uma visão panorâmica da atitude da cultura contemporânea perante a pergunta e o tema que o livro postula. Diz-nos: «Do silêncio de Deus que nós criámos não virá nenhum socorro. É diante dele como Ausência suposta e Presença agostinianamente mais interior a nós mesmos do que nós que somos convocados para fazer prova de vida. E de vida eterna. A única que nos ajuda a suportar todas as ausências dos que nesta vida nos foram, à maneira de Dante, reflexos de uma Luz mais clara que a do sol e das estrelas». Após a não-comunicação do determinismo industrial, chegamos à hipercomunicação global, com um resultado semelhante de autodesertificação, que torna a Ausência um défice de esperança e de dignidade.

SER HUMANO E SER RAZOÁVEL
A leitura dos textos que constituem a obra permite-nos ir ao encontro da espiritualidade essencial que alimenta o mundo contemporâneo, para responder ao vazio de valores, que é o pano de fundo da grave crise financeira que se abate sobre nós, pondo em xeque a justiça e o respeito mútuo. Afinal, se um ser finito como a pessoa humana pergunta pelo infinito, isso significa que tem algo de infinito nela própria, assumindo a necessidade de perguntar até ao infinito e pelo infinito – como disse Anselmo Borges na apresentação do livro no Centro Nacional de Cultura. Jean-Paul Williaime refere as condições socioculturais da religião na ultramodernidade contemporânea, concluindo que Deus ainda não disse a última palavra – num tempo em que o ideal humanista e solidário se vê ameaçado pela idolatria do mercado e pela cegueira da técnica. Carlos Fiolhais salienta a necessidade de nos interrogarmos incessantemente, através da ciência. Miguel Castelo-Branco fala-nos de neurociência e espiritualidade, pondo a tónica na exigência da compreensão da vida cerebral, explorando a ciência a fenomenologia da espiritualidade no campo epistemológico. Leandro Sequeira questiona a alternativa Natureza ou Criação, perante os sinais do novo Ateísmo, de Dawkings a Hawking, culminando na proposta de uma ponte entre o naturalismo ateu e o criacionismo fixista, em que Deus é evolucionador e evolutivo (como em Teilhard de Chardin), concluindo que, afinal, os cristãos também não creem no Deus que muitos ateus negam… Javier Monserrat, que fez uma exposição fascinante no CNC, equacionou a experiência moderna do silêncio de Deus, rumo a um Novo Concílio. O teocentrismo e o teocratismo geraram resistências, do ateísmo ao laicismo, o que obriga à passagem de uma cultura dogmática para uma cultura de incerteza E como distinguir a verdadeira natureza da religião natural (o universal religioso) e o cristianismo como religião universal (o universal cristão)? Já Paul Valadier refere a exceção humana na relação com Deus. Como usar a razão em vez da violência? Como seremos diferentes respeitando a dignidade? Juan Masiá, bem conhecido nosso, do tempo em que preparámos a viagem ao Japão, diz-nos que no diálogo fecundo o Oriente «o nome futuro da religião e da espiritualidade será a profundidade humana», escutando o Dharma e respirando o Espírito. Isabel Gómez-Acebo aponta-nos o «rosto feminino de Deus», enquanto Anselmo Borges lança a pergunta: «E se tivéssemos sido ensinados a dizer “Mãe-Nossa que estais nos Céus?”». O Salmo 27 inspira o que Heinrich Böll designava com «teologia da ternura» - «Ainda que meu Pai e minha mãe me abandonem, o Senhor há de acolher-me». Como escreveu Rilke: «O trabalho dos olhos ficou feito, ide e fazei o trabalho do coração». Há um caminho a fazer para que a mulher encontre o seu lugar na Igreja e na vida. José Arregi refere o Amor universal de Deus para além e para lá de todo o dualismo e monismo. Diego Gracia põe-nos perante a secularização da ética. Andrés Torres Queiruga põe a tónica no Deus que cria por amor, com todas as consequências. E José Ignacio Gonzalez Faus coloca-nos diante da pluralidade de místicas, de um modo pedagógico, mas para nos enriquecermos sem a ilusão das caricaturas… Para Anselmo Borges, «a fé não é racional, no sentido de ser uma conclusão científica, à maneira da matemática ou das ciências experimentais. Mas, para ser humana, tem de ser razoável, apresentar razões, ser credível, não agredir a razão. (…) Há hoje forte busca de espiritualidade. O que está principalmente em crise é a religião institucional» (DN. 2.12.14). Temas de sério pensamento.

Guilherme d'Oliveira Martins
 *Retirado daqui

sexta-feira, dezembro 05, 2014

Debate em Coimbra a propósito da apresentação do livro "DEUS AINDA TEM FUTURO?", de Anselmo Borges (coord.)



Decorreu ontem, na "sapientíssima" sala de São Pedro da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, o debate DEUS NA ERA DA CIÊNCIA, por ocasião do lançamento do  livro  DEUS AINDA TEM FUTURO? Além de Anselmo Borges, coord. do livro, participaram no debate Carlos Fiolhais (Físico, Univ. de Coimbra) e Javier Monserrat (Neurólogo, Filósofo, Teólogo, Universidade de Madrid e Universidade de Comillas, Madrid).  Foi um debate seguido  com muito interesse pela numerosa assistência, em que se incluíam muitos  estudantes universitários.
Refira-se que o livro em questão tem a sua origem no Colóquio Internacional, realizado no Seminário da Boa Nova, Valadares, Gaia, nos dias 12 e 13 de Outubro de 2013.
Anselmo Borges procurou justificar o título do livro e fez o enquadramento dos temas e das questões nele abordados. Este é um livro de perguntas na senda das inquietações do homem. "Um ser que pergunta pelo Infinito é um ser que tem algo de Infinito, logo imbuído de dignidade", Citou Karl Rahner, que perguntava: "O que aconteceria, se a simples palavra 'Deus' deixasse de existir?". E respondia: "A morte absoluta da palavra 'Deus', uma morte que eliminasse até o seu passado, seria o sinal, já não ouvido por ninguém, de que o Homem morrera". Concluiu com uma palavra de esperança, pois,  na sua perspectiva, Deus faz sentido e tem futuro na e para a Humanidade.
Carlos Fiolhais começou por afirmar que o livro "Deus ainda tem futuro" é o livro da interrogação. Aliás, "Anselmo Borges é o apóstolo da interrogação", referiu. Disse que as ciências também partem da interrogação e procuram um sentido, o sentido da inteligibilidade do mundo. A religião e a ciência não são incompatíveis. Cada uma tem a sua dimensão e esfera próprias, como bem viu,  já naquela altura,  Galileu.  Por isso, é normal que haja cientistas crentes e cientistas não crentes. De qualquer modo, "Deus tem uma carga muito forte, porque o homem é um animal religioso", afirmou. E a este propósito trouxe  à colação o verso de Fernando Pessoa: "Deus é o existirmos e isto não ser tudo". Referiu ainda que, além da ciência e da religião poderem coexistir normalmente, podem até colaborar, dando como exemplo os possíveis contributos no campo da ética. Por fim, deu a conhecer facetas e citações de diversos cientistas relativamente às respectivas  posições e percepções referentes à religião e a Deus.
Javier Monserrat apresentou uma síntese notável no que respeita à hermenêutica/interpretação/leitura do núcleo da mensagem cristã (kerigma cristão) face aos vários paradigmas no contexto da cultura e da ciência. A Igreja dos primeiros séculos começou por fazer uma hermenêutica no contexto do paradigma grego-romano (fundado na variedade de conteúdos filosóficos e sócio-políticos que formavam em conjunto o mundo greco-romano). Durante séculos, foi, pois, este paradigma, com a sua filosofia teocêntrica e a sua ordem sociopolítica teocrática, que influenciou decisivamente  e foi dando corpo à herança recebida. Enquanto a ciência esteve imbuída de uma visão dogmática,  perspectivando o universo como mecanicista,  determinista, estático e não evolutivo,  o diálogo com a Igreja tornou-se impossível, pois estavam dois dogmatismos em confronto. Com as transformações que originaram uma nova visão do universo, da vida e do homem, chegamos àquilo  a que se pode denominar de modernidade crítica, caracterizada pela incerteza e pelo reconhecimento do enigma. Este paradigma impõe a consciência clara de que o Deus possível, a existir, está distante e em silêncio. Por outro lado, parece coerente aceitar que o mundo real criado por Deus é o descrito pela ciência. Como o Deus da Criação e o Deus da Revelação são o mesmo Deus, há que empreender uma mudança hermenêutica  a partir da autenticidade do kerigma cristão (mensagem recebida de Jesus de Nazaré dada na fé da Igreja), que responda à nova visão científico-filosófica do universo, da vida e do homem. Para operar este processo de mudança na Igreja, Javier Monserrat aponta como desejável a convocação de um novo Concílio Ecuménico. 
É impossível  resumir  e dar conta do essencial do conteúdo da intervenção de Javier Monserrat. O melhor é ler e reler o capítulo "A experiência moderna do silêncio de Deus: uma mudança hermenêutica necessária para o cristianismo", que integra o livro DEUS AINDA TEM FUTURO?

terça-feira, dezembro 02, 2014

Debate em Coimbra por ocasião do livro "DEUS AINDA TEM FUTURO?", de Anselmo Borges (coord.)

Hoje decorrerá um debate no Porto, amanhã, dia 3 de Dezembro, terá lugar em Coimbra, e,  no dia 4 de Dezembro, em Lisboa,  conforme poderá ver aqui.

sexta-feira, novembro 28, 2014

"DEUS AINDA TEM FUTURO?", novo livro de Anselmo Borges (coord.)

Nesta obra, são tratados por especialistas de renome internacional, crentes e não crentes — ‘a existência de Deus é um assunto demasiado sério para ser confiado exclusivamente aos crentes’, escreveu o filósofo Paul Clavier —, problemas decisivos para a existência e o seu sentido: a situação religiosa do mundo atual, questões relacionadas com a genética, o animalismo, as neurociências, o trans-humanismo, a natureza e a criação, Deus no abalo da modernidade, a ética e a sua autonomia frente à religião, Deus no Ocidente e Deus no Oriente, o rosto feminino de Deus, a fé, a ciência e a razão, o silêncio de Deus, o Deus de Jesus para lá das suas imagens de Deus, a experiência mística do Mistério Último como matriz das religiões e da sua crítica.
Anselmo Borges, in Introdução

Do silêncio de Deus que nós criámos não virá nenhum socorro. É diante dele como Ausência suposta e Presença, agostinianamente mais interior a nós mesmos do que nós, que somos convocados para fazer prova de vida. E de vida eterna. A única que nos ajuda a suportar todas as ausências do que nesta vida nos foram, à maneira de Dante, reflexos de uma Luz mais clara que a do sol e das estrelas.
Eduardo Lourenço, in Prefácio
AUTORES
Eduardo Lourenço
Prefácio - Suicidário Ocidente
Anselmo Borges 
Introdução - Deus ainda tem futuro?
Jean-Paul Willaime
As condições socioculturais da religião na ultramodernidade contemporânea
Carlos Fiolhais
A ciência e o divino
Miguel Castelo-Branco
Neurociência e espiritualidade
Leandro Sequeiros
Natureza ou Criação? O novo ateísmo
Javier Monserrat
A experiência moderna do silêncio de Deus: uma mudança hermenêutica necessária para o cristianismo
Paul Valadier
A exceção humana e Deus
Juan Masiá
O Deus do Oriente e o Deus do Ocidente: a transformação inter-religiosa da fé
Isabel Gómez-Acebo
O rosto feminino de Deus
José Arregi
O Deus de Jesus, mais além, para lá da sua imagem de Deus
Diego Gracia
Religião e ética: secularização da ética?
Andrés Torres Queiruga
A teologia, a partir de «o Deus que cria por amor»
José Ignacio González Faus
Unicidade de Deus, pluralidade de místicas

quarta-feira, novembro 26, 2014

Debate no Porto por ocasião do livro "DEUS AINDA TEM FUTURO?", de Anselmo Borges (coord.)

A propósito, estão previstos também debates em Coimbra (dia 3 de Dezembro) e em Lisboa (dia 4 de Dezembro), conforme poderá ver aqui

terça-feira, outubro 28, 2014

terça-feira, setembro 23, 2014

Papas no pote

terça-feira, setembro 16, 2014

Palcos e espectáculos do Românico*

*Retirado daqui.
Para contrabalançar com a pimbalhada de Quim Barreiros, que infelizmente este ano integra o programa da Festa da Labareda.

quarta-feira, setembro 10, 2014

Contos d'Avó (teatro da Disdascália) na igreja de S. Martinho de Mouros

No dia 11 de Setembro,  às 19h
Queremos, com este festival, preservar e fomentar um hábito que se tem perdido ao longo dos anos: contar histórias. Todos nos lembramos, uns mais do que outros, das histórias contadas à lareira nos dias chuvosos e frios de inverno. Outros lembram-se, certamente, de terem adormecido ao som dessas histórias.
O festival tem como ambição recriar todo este processo de sabedoria popular e de ambiente fraternal. O ato de contar uma história não se esgota apenas na transmissão do ensinamento, da moral. Mais importante, ainda, é o ritual da partilha de quem conta e de quem se senta na disposição de ouvir, de toda esta reunião familiar, onde se fortalecem os laços de afeto e respeito mútuos.
Com esta extensão do festival aos monumentos que fazem parte da Rota do Românico, pretendemos auscultar a população e a sabedoria popular das gentes que rodeiam os monumentos, tornando-os espaços vivos, capazes de atrair um novo olhar por parte da população circundante, promovendo assim novas dinâmicas culturais no património arquitetónico e impulsionando a valorização do património oral da região.
Reavivar esta memória coletiva, preservar o património oral, dinamizando e valorizando, simultaneamente, o património arquitetónico da Rota do Românico, despertar e cultivar este hábito de contar histórias são os principais objetivos deste festival.

sexta-feira, março 28, 2014

Apresentação do livro "Caldas de Aregos: As Águas Milagrosas do Douro"

 Faz amanhã, sábado, uma semana, que decorreu no Auditório Municipal de Resende, a apresentação do livro em banda desenhada "Caldas de Aregos: As Águas Milagrosas do Douro", que será recordado como o grande evento cultural do concelho de Resende do ano de 2014. 
Os autores, Paulo Sequeira e Pedro Ferreira (textos) e José Vicente (ilustrações) deram conta do que foi o longo e laborioso  percurso da materialização em livro de um projecto constantemente a fervilhar de ideias e propostas. 
A apresentação esteve a cargo do Dr.Álvaro Bonito, Director da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego, que enalteceu a qualidade e a  oportunidade do livro e o mérito e as marcas do empreendedorismo dos autores."Não é um compêndio de história, mas um livro (despretensioso e simultaneamente rigoroso) sustentado em investigação e factos históricos. É uma viagem visualizada e lúdica de Caldas de Aregos até aos  dias de hoje, constituindo um estímulo para que as Termas ganhem o estatuto que já tiveram no passado", referiu.
O Eng.António Borges disse que o meritório trabalho de Paulo Sequeira e Pedro Ferreira em prol de Caldas de Aregos pode ser apelidado como um verdadeiro apostolado. "A mensagem deste livro é de inquietude, em que a outra parte temos de ser nós a ocuparmo-nos dela", sustentou a dado passo.
Outro dos oradores foi o Dr. Telmo Pinto, presidente da cooperativa Dólmen, uma das entidades co-financiadoras do projecto, que se mostrou encantado com o resultado da obra, tendo dirigido um convite aos autores para que utilizassem a mesma metodologia num trabalho de outra envergadura, que abarcasse a região.
Por último, falou o actual presidente da Câmara Municipal de Resende, Dr. Garcez Trindade, que confessou ser este livro um dos poucos momentos de conforto nos  meses que leva de mandato,  "nesta altura atribulada de ataque do poder central ao poder local, em que nos querem levar tudo". 
Sem ninguém contar, a numerosa assistência foi surpreendida pela apresentação em audio-livro desta obra, que encantou toda a gente,  da responsabilidade de José António Pereira, jovem e brilhante estudante de Ciências de Comunicação da Universidade do Porto,natural de S. Martinho de Mouros.
Este é um livro que conta a história de Caldas de Aregos de forma criativa e excepcionalmente atractiva. Muito útil aos resendenses e a todos os que nos visitam. Parabéns e bem-haja ao Paulo Sequeira, ao Pedro Ferreira e ao José Vicente por nos terem presenteado com esta obra tão bem conseguida.

sexta-feira, março 21, 2014

A não perder amanhã, sábado: Apresentação do livro «Caldas de Aregos - As Águas Milagrosas do Douro»

 Local
Auditório Municipal de Resende
Data
22/03/2014
Hora
16:00 horas
Trata-se de um livro de Banda Desenhada da autoria de Paulo Sequeira e Pedro Ferreira, com ilustração de José Vicente, que merecem a nossa estima e admiração pelo trabalho persistente na divulgação do que melhor tem o nosso concelho. A obra evoca o passado das Caldas de Aregos, terra que se notabilizou pelas suas águas “milagrosas”, como assim eram chamadas.
O lançamento desta obra insere-se no projeto denominado “Douro Memories”, da autoria dos dois investigadores (acima referidos) das raízes históricas das Caldas de Aregos, com o objetivo de recuperar, preservar, valorizar, promover e divulgar a herança que o Douro transporta: o seu vasto património material e imaterial.
Este projeto, que conta com o apoio do Dólmen – Associação de Desenvolvimento Local, recebeu em maio de 2013 uma menção honrosa no “Prémio Rural Criativo 2013”, pela “qualidade, inovação e apresentação”, entre 42 a concurso.
Será uma surpresa a forma criativa como será apresentada esta obra.

terça-feira, janeiro 14, 2014

Anselmo Borges falou de Kierkegaard na Biblioteca Joanina (Univ. Coimbra)

No âmbito  da cerimónia inaugural da Exposição intitulada “Soren Kierkegaard : Um Dinamarquês Universal”, que teve hoje lugar, pelas 17h30,  na Biblioteca Joanina (Piso Nobre), e que contou  com a presença do Senhor Embaixador da Dinamarca,  Anselmo Borges fez uma intervenção alusiva ao pensamento do grande filósofo dinamarquês, cujo bicentenário de nascimento  se comemora.

terça-feira, dezembro 10, 2013

Vídeo do "Prós e Contras" sobre o Papa Francisco

 O video,  em que participou Anselmo Borges, está disponível aqui.

sexta-feira, novembro 22, 2013

Ciência e Filosofia em debate no Casino da Figueira da Foz

 A ciência e a filosofia marcaram presença ontem, à noite, no Casino da Figueira da Foz, num debate,  protagonizado por António Onofre (Professor de Física da Universidade do Minho e colaborador no CERN) e Anselmo Borges, e moderado por Fátima Campos Ferreira.  Esta iniciativa, muito participada,  teve como objectivo comemorar o Dia Mundial de Filosofia.
Anselmo Borges começou por referir que a Bíblia não nos ensina como funciona o Universo. A Bíblia é um livro religioso sem pretensões científicas.
Neste debate, falou-se do bosão de Higgs, de partículas, do método experimental, de leis cientificas, da razão,  das razões para acreditar, do sentido de todos os sentidos, do Infinito, do Mistério, da questão de Deus.
António Onofre manteve sempre o seu discurso auto-centrado no mundo da ciência, no qual gravitam os seus interesses, a sua exclusiva curiosidade, a sua “microvisão”. À pergunta se não o intrigava o mistério da morte, respondeu: “Não sou insensível  perante a morte, mas não faz parte da ciência”. E à pergunta se  não o intrigava  um corpo morto, respondeu:  “Intriga-me mais um corpo vivo”.
Anselmo Borges, numa referência a Aristóteles, salientou que o cientista não tem o exclusivo da curiosidade, pois todos os seres humanos são curiosos,  gostam de conhecer. O homem é provocado por múltiplos interesses e é um ser que  questiona. Se não o fizer, regride para o homo faber “A questão de sentido coloca-se a todos”, referiu. O homem ao perguntar-se pelo Mistério, pelo Infinito, transporta em si algo de Infinito, que o transcende e é fundamento da sua dignidade. Nesta sequência, falou ainda dos contributos do cristianismo para a génese da nossa concepção de igualdade (“todos os homens são filhos de Deus”) e do homem enquanto sujeito de direitos.
Como remate, convém esclarecer que não há qualquer conflito entre a concepção cristã do mundo e a ciência, como bem destacou Anselmo Borges. “No princípio era o Logos/Razão (o Verbo)…”, o que significa que o mundo tem uma dimensão racional, logo investigável.

quarta-feira, outubro 16, 2013

DEUS AINDA TEM FUTURO? (3)

Neurociências e Espiritualidade
Conferência de Miguel Castelo Branco (Instituto Biomédico de Investigação de Luz e Imagem-IBILI, Universidade de Coimbra)
Fez referência a alguns estudos que parecem evidenciar que a dimensão espiritual   pode influenciar a cura ou a reversão da doença e aumentar a longevidade de vida. A crença  religiosa  pode ser um factor de protecção, sendo simultaneamente portadora de sentido.
Desmistificou a pretensa  imunidade da ciência face à religião e à dimensão espiritual, ao afirmar que toda a visão holística do mundo é uma forma de fé na sua forma mais básica. Desta forma, os cientistas ateus podem ter um pensamento profundamente espiritual. Por outro lado, a  procura científica pode ser um acto de fé. E a descoberta de novos níveis de complexidade e propriedades emergentes podem levar a experiências profundamente espirituais.
Criticou incongruências no campo da ciência, pois a mesma pretende construir tijolo a tijolo, mas depois aventura-se a estudar a metacognição em ratos, o que é impossível, pois a mesma apela à introspecção, o que neste caso é impossível.
Pôs em causa a conclusão de muitos estudos baseados em correlações estatísticas. “O que explicam afinal?” Perguntou. Criticou ainda o reducionismo na ciência.
Apresentou alguns resultados em imagens a partir da neuroimagiologia cerebral para exemplificar as alterações e áreas cerebrais implicadas nas respectivas tarefas ou actividades. Nesta sequência, afirmou que o cérebro tem muita plasticidade. A prática sucessiva leva a alterações. Uma pessoa que reza diariamente, por exemplo, apresentará diferenças.
Refutou a atribuição de alterações espirituais/conversões de místicos e santos, como a de S. Paulo, a psicopatologias, pois é difícil comprová-las. No caso vertente, fica sempre por explicar como é que uma visão/estado alterado da mente altera radicalmente e para sempre o percurso de um homem.
Deus também é Mãe
Conferência de Isabel Gómez-Acebo ( Universidade de Comillas, Madrid)
Apresentou muitas passagens da Bíblia que procuram transmitir uma imagem de Deus também como Mãe,  veiculadas no seu papel de ternura, misericórdia, carinho…Muitos santos e místicos o fizeram através dos seus escritos.
O Papa Francisco parece querer resgatar esta perspectiva da visão de Deus e dar uma maior importância ao papel das mulheres na Igreja.
Referiu que deveria haver mais teólogas e que há uma maneira de comunicar Deus sob o ponto de vista feminino.
Defendeu que o predomínio do masculino é historicamente uma questão de poder;  também na Igreja. E como a mesma está a perder poder (e prestígio), isso afecta também necessariamente o número de padres.
O Deus da Razão e o Deus da Fé
Conferência de Andrés Torres Queiruga ( Universidade de Santiago de Compostela)
A fé mediatiza-se dentro da cultura para poder expressar-se. Mas muitos nunca se interrogaram por que acreditam. “Acreditam porque sim. Não posso acreditar por que Deus revelou algo a alguém, mas a mim não diz nada ou até é contraditório com aquilo que penso”, referiu. Têm de ser dadas e encontradas razões para acreditar.
Não há conhecimento de Deus que  seja revelação transmitida directamente ao homem. Não há nada escrito na Bíblia que não seja escrito pelo homem. Por isso, há muitos significados e distintas interpretações do mesmo Deus. A história humana é uma história da descoberta de Deus.
Mas as religiões não são todas equivalentes.
Há razões para acreditar que  o Deus de Jesus Cristo constitui o culminar da revelação. Nunca ninguém ousou, por exemplo,  chamar a Deus “Abba”  (pai querido, paizinho). É um Deus que perdoa incondicionalmente e manda amar até os próprios inimigos.
A abolição da escravatura, que ninguém de bom senso põe em dúvida, é  uma conquista irreversível e definitiva,  Noutro plano, pode-se afirmar que Deus disse em Cristo a última, a palavra definitiva.
Nota: Colóquio organizado por Anselmo Borges