segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Desfile de Carnaval dos utentes da Santa Casa da Misericórdia

Ao fim da tarde de hoje, decorreu o desfile de Carnaval dos utentes(crianças, jovens e idosos) da Santa Casa da Misericórdia. O cortejo, muito colorido e com figurantes muito apelativos, saiu do edifício dos Bombeiros e percorreu as ruas principais da vila, despertando muito interesse entre a numerosa assistência disposta ao longo do percurso. A marcar o ritmo estiveram os grupos de bombos de S. Romão e de S. Martinho de Mouros ("Os Bom Mouros").
Apesar da chuva miudinha, o entusiasmo nunca esmoreceu.
Clicar nas fotos para ampliar

domingo, fevereiro 18, 2007

Domingo Gordo

O Anselmo já tinha vindo no sábado de manhã. O Zé Tomás veio de combóio, chegando à Ermida às 12.57, ainda a tempo de degustar a já tradicional feijoada à moda da nossa terra e com matéria prima caseira, confeccionada pela Maria dos Anjos. Um primor. Um manjar. Uma delícia.

Entrudo

O Entrudo de Lazarim, aqui ao lado, é o mais tradicional, genuíno e rural do interior do país. Hoje, decorreu uma grande animação de rua com a actuação de vários grupos musicais e folclóricos, entre os quais o rancho de Barrô. A festa culminará na 3.ª feira gorda com o desfile, a folia e as provocações entre comadres e compadres, envergando as célebres máscaras (caretos), feitas em madeira de amieiro. Depois da leitura pública dos testamentos, haverá uma feijoada e caldo de farinha.
Este é um período de transgressões, excessos e luxúria. Para rever estes e outros conceitos, nada mais oportuno que ler o artigo de Anselmo Borges no DN de hoje (link).

sábado, fevereiro 17, 2007

Grupo Desportivo de Resende (3.ª parte)

Perguntas e Respostas

Como se fazer sócio ou adquirir rifas para ajuda do clube?
A melhor maneira é ir assistir a um jogo de futebol ao campo de Fornelos e aproveitar para simultaneamente se inscrever como sócio e adquirir rifas, ajudando, assim, triplamente o G.D.R. Poderá também fazê-lo, em qualquer altura, junto dos membros da direcção e dos restantes corpos gerentes, que são pessoas conhecidas na vila. O presidente, Herculano Teixeira, está contactável na Câmara Municipal, onde é funcionário.

O G.D.R. irá continuar a treinar e a jogar no “velho” estádio de Fornelos por muito mais tempo?
O presidente da Câmara comprometeu-se a construir um novo campo de futebol no mesmo sítio do actual. O processo de candidatura a financiamento às entidades competentes é moroso, mas espera-se que o início da construção tenha lugar ainda no actual mandato camarário.

Onde é que se reúne a direcção?
As reuniões da direcção, com a periodicidade quinzenal, efectuam-se, de acordo com as disponibilidades, na sede de uma das seguintes instituições: Casa do Povo, Junta de Freguesia ou Bombeiros.

Está prometida alguma sede para o clube?
O presidente da Câmara está sensibilizado para a situação. Como a prática actual tem sido dotar o concelho e as instituições das infra-estruturas e equipamentos julgados necessários, e não tanto conceder subsídios, ninguém ficará espantado se forem anunciadas brevemente boas notícias sobre esta matéria.

Ser filial do Futebol Clube do Porto traz alguma vantagem?
É mais uma questão de prestígio. Não há qualquer vantagem em termos desportivos ou financeiros. O FCP não exerce quaisquer direitos de “paternidade” sobre o clube. O G.D.R. é dos sócios.

Contacto:
Grupo Desportivo de Resende
Rua do Covelo
4660-212 Resende
Telef. 917 563 779

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Grupo Desportivo de Resende (2.ª parte)

Escalões de formação e equipa sénior actual
Nos últimos anos, tem sido feita uma aposta forte na formação, que se desenvolve actualmente por 4 escalões: i) escolinhas (6-8 anos); ii) infantis (8-10 anos); iii) iniciados (10-12 anos) e iv) juvenis (12-16 anos). Talvez para o próximo ano se constitua o escalão dos 16-18 anos. Na presente época, estão envolvidos cerca de 85 crianças/jovens. Esta actividade formativa tem tido o apoio da Câmara Municipal, que tem contribuído com um subsídio anual, que em 2005 foi de 12.250 euros, tendo também doado recentemente uma carrinha de 9 lugares para transporte dos jovens atletas.
O plantel da equipa sénior é formado por 20 jogadores, dos quais 70% trabalham e 30% estudam. Com o objectivo da subida de divisão, houve uma remodelação total em relação à equipa da época passada, tendo transitado apenas 4 jogadores. Quanto à origem dos mesmos, cinco são de Lamego, seis de Cinfães e nove de Resende. Destes, três vieram dos juniores, sendo titulares pela primeira vez, constituindo uma aposta na escola de formação.
Graças aos bons resultados do início de época, a afluência aos jogos tem aumentado. A média, em casa, tem sido de 70/80 pessoas, enquanto, na época passada, era de 30/40, tendo chegado a vender-se num dos encontros apenas um bilhete. Nos jogos disputados fora, tem acompanhado a equipa uma média de 10 pessoas, enquanto, na época passada, não ia ninguém.

Prémios aliciantes e venda de rifas para recolha de fundos
O Grupo Desportivo de Resende tem cerca de 600 sócios, mas só cerca de metade paga a quota anual, que é de 25 euros. Torna-se, por isso, necessário arranjar outras fontes de receita, já que a venda de bilhetes representa muito pouco. O comércio e as empresas do concelho têm correspondido com um montante anual que tem rondado os 5.000 euros. Dez das quinze Juntas de Freguesia também se têm mostrado sensíveis, contribuindo com um subsídio. Anualmente, tem decorrido ainda um peditório no âmbito dos cantares dos Reis. A Câmara Municipal, além da doação dos equipamentos, da manutenção e do pagamento da água e da luz do estádio, tem contribuído com um subsídio, que em 2005 foi de 7.500 euros.
Numa iniciativa inédita, decorre, até à festa dos Reis, uma venda de rifas ao preço de 5 euros, sendo sorteados prémios aliciantes: i) um automóvel; ii) um computador e iii) um fim-de-semana para 2 pessoas em empreendimento turístico.
A gestão do clube tem de ser muito criteriosa, já que as despesas são muitas: prémios dos jogadores, lavandaria e roupeiro, transportes, taxas, pagamentos à GNR, inscrição de jogadores (cerca de 150 euros por cada um), lanches após os jogos, etc.

Sede (ambulatória) do G.D.R.
Ao pedir um encontro com o presidente do G.D.R., achei estranho que o mesmo não fosse marcado para a sede do clube. Motivo: não tem sede.
Em tempos passados, já ocupou um espaço cedido por Daniel Pereira Pimenta num armazém, próximo do ex-Grémio da Lavoura. Seguidamente, mudou-se para um compartimento de um pavilhão pré-fabricado, que esteve “estacionado” junto do actual museu municipal, que entretanto teve de ser retirado.
As muitas taças, medalhas, insígnias e outro espólio do clube repousam “contrariados” num espaço do campo de Fornelos.
É estranho que o Futebol Clube do Porto e o Benfica tenham “casas” em Resende, que funcionam como centros de convívio e de animação (clubista), enquanto o G.D.R. não tem sede, desperdiçando uma oportunidade potenciadora de angariação de sócios e receitas.

Adesão ao futebol e competições desportivas
Numa análise sucinta à participação nos vários fóruns do site da Câmara Municipal de Resende, verifica-se que o desporto é o que obtém maior adesão e o que desperta mais entusiasmo e até alguma paixão. O fórum é um barómetro no que respeita à prestação do futsal (S. Martinho de Mouros) e do futebol do Grupo Desportivo de Resende. Relativamente à época passada (início do fórum), a primeira modalidade suscita observações de apoio e entusiasmo, em contraste com a segunda, que são de decepção e alguma crítica verrinosa . Nesta época, os ânimos andam mais serenos. Os resultados modestos da equipa de futsal silenciaram os comentários. Quanto ao G.D.R., os poucos registos são de felicitações pelo plantel e de votos pela subida de divisão.
A ligação às lutas e duelos parece ser intrínseca ao homem. O desporto ritualiza a agressividade e a competição, inscritas na nossa matriz filogenética, dando oportunidade aos adeptos para se identificarem com os jogadores e equipas preferidas e projectarem os seus impulsos nos vários lances e nos respectivos resultados. É natural, pois, que o desporto origine entusiasmo e paixão. E Resende não foge à regra.
Parece que o G.D.R. está a criar um clube que possa ser um digno representante do concelho no plano desportivo, no qual os resendenses se possam rever, esperando-se que, no contexto realista da sua dimensão local, seja mais uma via para dar visibilidade à nossa terra.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Grupo Desportivo de Resende (1.ª parte)

Reproduz-se um artigo de minha autoria, publicado, em Dezembro, no Jornal de Resende:

É o único clube de futebol federado do concelho, honra-se de ser a filial n.º 2 do Futebol Clube do Porto e já disputou a Taça de Portugal. Tem como objectivo, na presente época, a subida à 1.ª divisão distrital.

À excepção do Grupo Desportivo de Resende (G.D.R.), todos os outros clubes que militam na 2.ª divisão distrital da Associação de Futebol de Viseu representam e são provenientes de povoações que não são sede de concelho. Farinhão, Roriz, Fiais da Telha contam-se entre os onze opositores actuais do nosso clube concelhio. É legítima a ambição da subida de divisão para poder ombrear com algumas das suas congéneres “capitais” de concelho que militam na 1.ª divisão norte, entre as quais, S. João da Pesqueira, Armamar, Penedono e Sernancelhe. E a médio prazo (quem sabe?), o objectivo poderá ser a divisão de honra, que integra clubes de concelhos vizinhos da dimensão de Resende, como Cinfães, Tarouca e Moimenta da Beira.

Pequeno historial
O Grupo Desportivo de Resende foi criado no ano de 1928 por José Soares, Manuel Correia, Vinício Loureiro e Alfredo Teixeira, entre outros. O primeiro campo (improvisado) situava-se no local onde é actualmente o jardim municipal. Em 1937, foi encontrado um terreno maninho em Penuzém, junto de Vinhós, onde, por iniciativa de José Soares, do Paço, se fez um campo de futebol. Esta situação durou dois anos. A partir de 1939, os treinos e jogos com grupos da vizinhança decorreram no Largo da Feira. Finalmente, em 1943, foi doado por Pereira Dias à Câmara Municipal um terreno, para ali ser construído um campo de futebol num prazo de dois anos, o que viria a acontecer, dando origem ao Estádio de Fornelos (Cf. Duarte, Joaquim Correia, Resende e a sua história, vol. 1 C.M.R., 1994). Convém referir que, apesar de todos estes percalços, o Grupo Desportivo de Resende manteve sempre “a chama” e identidade própria.
Em 1949, o então presidente da Casa do Povo de Resende, P. Adelino Teixeira integrou, no âmbito desta instituição, o G.D.R. na FNAT (Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho), organização corporativa do chamado Estado Novo, onde disputou os respectivos campeonatos. Em 1951, o mesmo P. Adelino Teixeira filiou o G.D.R. na Associação de Futebol de Viseu, onde começou a disputar a 2.ª divisão distrital. Nesta mesma data, dotou o clube de estatutos, ficando como seu presidente da direcção. Passadas três épocas, eram campeões, subindo à 1.ª divisão distrital, onde permaneceu longos anos.

Gestão danosa
Há cerca de 8 anos, de acordo com a informação do actual presidente, Herculano Teixeira, começaram a surgir graves problemas com a gestão danosa do então presidente Sr. Figueiredo. Instalou-se a confusão entre negócios privados e a administração do clube, tendo utilizado dinheiros e passado cheques do G.D.R. para pagamento de dívidas pessoais, em prejuízo dos jogadores, cujos compromissos eram pagos com cheques sem cobertura. Já foi condenado em tribunal a pagar 4.000 contos ao clube, ainda não devolvidos, decorrendo ainda outros processos movidos por jogadores que se julgam lesados. Devido a esta situação, o Grupo Desportivo de Resende encontra-se inibido pelo Banco de Portugal de passar cheques.
Este passado recente contribuiu para diminuir o moral e o entusiasmo nos jogadores e adeptos, com efeitos nos resultados. E instalou a desconfiança na população, tornando mais difícil as contribuições financeiras e o aumento do número de sócios. Para inverter a imagem negativa que ainda perdura, a actual direcção está a levar a cabo um trabalho persistente na organização e no estabelecimento de objectivos para o clube.

Glória do passado
António Pereira é reformado da Câmara Municipal. Foi pedreiro, condutor de viaturas da Câmara e até auxiliar de electricista. Um homem dos sete instrumentos, que distribui juventude no café Sangens e arredores. No início do encontro, começou por me informar que chegou a trabalhar com o meu pai, Alfredo Borges, na Soenga, e a colaborar na instalação eléctrica da casa da minha irmã, Maria dos Anjos, em Quintãs de Paus.
Ingressou no Grupo Desportivo de Resende aos 16 anos, despedindo-se aos 42, tendo jogado na posição de interior-direito, na designação de então. Os seus olhos brilham quando refere que o plantel de então chegou a resultados de 20 golos sem resposta. Ri-se quando descreve o modo surrealista como uma bola entrou na baliza adversária, devido à alteração de trajectória por ter embatido num cabo telefónico, que ainda não tinha sido retirado das imediações do campo de Fornelos.
Desfia recordações do passado sempre com entusiasmo. Conta como eram angariados fundos antes de serem federados. De chapéu na mão, antes do início dos jogos, os “atletas” passavam pela assistência à espera de arrecadar umas moeditas. E refere a grande expectativa que estava reservada para as tardes de sábado, quando a lista de convocados era afixada na barbearia do Sr. Sílvio. A alegria de ter defrontado o Boavista, o Leixões e o Benfica, no campo de Fornelos, com alguns dos titulares de então, constitui um bálsamo para ultrapassar o efeito das muitas caneladas que levou, cujas maleitas ainda perduram.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Morreu a Sra. Cristina (das Quintãs/Paus)

Com 101 anos, foi ontem a enterrar a Sra. Cristina das Quintãs (nos últimos anos, estava entregue aos cuidados de familiares, nos Carvalhos).
Todos os naturais e residentes em Paus ficam mais pobres. É a memória viva de uma época que fenece. Graças a ela, foi possível fazer o registo de letras populares, músicas ancestrais e tradições.
É sobretudo uma postura de vida que se esvai: trabalhadora incansável, determinada em superar as contrariedades, optimista, alegre, sempre disponível. Criava uma empatia imediata com crianças e jovens. Os meus filhos e sobrinhos são disso testemunha.
Vai ser uma boa companhia na outra vida.

domingo, fevereiro 11, 2007

Resultados do referendo no concelho

Sim: 994 (24,29%. Não: 3099 (75,71%). Abstenção: 63, 38%. Clique aqui para acesso aos resultados por distritos, concelhos e freguesias.

Pelo Montemuro, em reflexão serena

Deixar o ruído cá de baixo e subir à serra, neste fim de semana, para uma decisão de voto, onde se cruzam razões de ética, compreensão por dramas humanos, aceitação do imprevisto e de situações indesejáveis, educação para a responsabilidade, criação efectiva de respostas alternativas, entre outras questões e critérios.
E porque hoje é domingo, leia aqui o artigo de Anselmo Borges no DN.

sábado, fevereiro 10, 2007

Atira, Silveira, atira!

Atira, Silveira, atira,
Atira! Se hás-de atirar,
Atira àquela pombinha
Qu'anda no meio do mar.

Quando s'o Silveira viu
Quatro horas a dar fogo,
Virou-se p'ra os seus soldados:
-"Ai, Jesus, qu'eu aqui morro!"

Quando s'o Silveira viu
Encostado ao mirante...
Seu coração saltitou:
Tu, donzela, tens amante!

(Canção originária de Felgueiras-recolha de Vergílio Pereira, Cancioneiro de Resende)

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Seminário de Resende em festa

No próximo domingo, o Seminário de Resende celebrará a festa da sua padroeira, Nossa Senhora de Lurdes.
Às 10h, realizar-se-á um encontro da equipa formadora com os pais dos seminaristas. Às 11h, o bispo de Aveiro, natural da nossa diocese, proferirá uma palestra sobre "Deus é Amor". Depois, às 12.15, D. Jacinto Botelho presidirá à Eucaristia. No fim de almoço, pelas 14.30, actuará a banda de S. Cipriano "A Velha".
Espera-se que a população do concelho, particularmente a da freguesia de Resende, compareça à festa, num gesto de identificação e de apoio a esta grande instituição, que é o Seminário. E já agora, faça aqui uma visita.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Laços de família e de amizade

No dia de aniversário, trocavam-se cartas, votos e manifestações de alegria entre a família mais chegada. Era um dia a mais nas rotações dos anos, para ser vivido na intimidade, sem um significado particular. Cada um dava-lhe a dimensão mais apropriada, do género "mais um já cá canta". Só os acontecimentos/efemérides, herdeiros de rituais de passagem, eram festas alargadas e compartilhadas pela vizinhança e amigos.
É uma herança que cultivo neste dia. Sentir a família por perto é a maior benção.
Contudo, neste ano, ao contrário do previsto, os meus colegas de trabalho, num gesto magnânimo e de extrema simpatia, puseram à prova o meu estilo aniversariante, agraciando-me com um lanche, flores, livros e outros mimos.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

G.D.Resende empata em casa

Com bastante assistência e num jogo muito disputado, o G.D.Resende empatou ontem com o Besteiros FC a uma bola.

sábado, fevereiro 03, 2007

Eu venho dali, dali ("Dobaixo" da laranjeira)

Eu venho dali, dali,
Eu venho dali, d'além;
Dobaixo da laranjeira,
Tanta laranja lá tem..,

Tanta laranja lá tem
Tanta folhinha amarela,
Dobaixo da laranjeira
Enganei uma donzela.

Enganei uma donzela,
Enganei o meu amor,
Dobaixo da laranjeira,
Faz sombra, não faz calor.

Faz sombra, não faz calor,
Não le cai a orvalhada;
Dobaixo da laranjeira,
Enganei a minha amada.

(Canção originária de Feirão, retirada do Cancioneiro de Resende, recolhido e compilado por Vergílio Pereira, 1957, Junta de Província do Douro Litoral, Porto)

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Pela serra de Montemuro abaixo

A serra de Montemuro transporta-me para a envolvência das coisas primordiais, em que os olhos vêem para além dos limites físicos e das barreiras naturais e os ouvidos ouvem para além do dizível. É a participação num outro logos que ao caos imprime ordem, silêncio e perenidade.
Na serra, as palavras estão a mais. Só importa escutar as vozes do silêncio, descobrindo de onde vêm e o que dizem.
À serra de Montemuro volto sempre. Para purificar os meus organizadores mentais e para sentir a grandeza a partir dos cumes.
Desta vez, escolhi descer pela estrada em direcção a Ovadas/S. Cipriano. Das encostas galgam agora levadas de água, tendo como sentinelas a altivez dos penedos.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Resultados em futebol e futsal

No passado fim de semana, o G.D. Resende ganhou por 5 a 1 no campo do Vilacovense.
Em futsal, na divisão de honra (13.º jornada), S. Martinho de Mouros perdeu por 8 a 2 contra o Balsa Nova. Tem 18 pontos e encontra-se na 7.ª posição, com 12 equipas em disputa. Já em juniores, ganhou por 4 a 2 à Académica de Viseu, encontrando-se em 3.º lugar, com 6 equipas em disputa.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Artigo de Anselmo Borges no Diário de Notícias

Anselmo Borges reflecte aqui (e no DN de ontem) sobre questões que nos irão ajudar a tomar uma decisão mais esclarecida no referendo de 11 de Fevereiro.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Blogue do P. João António Pinheiro Teixeira

O Sr. P. João António, natural de S. João de Fontoura, sacerdote muito conceituado na diocese, ex-director da "Voz de Lamego", reitor do Seminário de Lamego e docente do Instituto Superior de Teologia (Beiras e Douro), partilha connosco, através do blogue THEOSFERA(http://padrejoaoantonio.blogs.sapo.pt), comentários, reflexões e o testemunho do entusiasmo daquilo em que acredita e da sua visão da vida. Tem colaborado também, para agrado dos seus leitores, nos últimos números do Jornal de Resende, esperando-se que o continue a fazer.Num mundo de incertezas, opacidades, ruídos distractivos e néons enganadores, é bem-vinda esta escrita serena, que nos ajuda a reencontrar o caminho no desacerto dos dias e a prosseguir viagem.
Quem quiser aceder ao blogue deste ilustre conterrâneo, orgulhoso das suas origens e amigo de Resende (clicar), poderá fazê-lo através do link aqui ao lado.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Solar dos Condes de Resende

Localiza-se em Canelas, no lugar de Negrelos (V. N. de Gaia). A construção primitiva é da época medieval. A arquitectura actual é de estilo barroco regional. Possui um belíssimo jardim, conhecido po jardim das camélias.
O solar, outrora propriedade dos condes de Resende, foi adquirido pela Câmara Municipal de V. N. de Gaia em 1984. Após sofrer adaptações para o efeito, funciona, desde 1987, como Casa Municipal de Cultura. Além de eventos (poesia, colóquios, exposições, concertos...), estão aqui sediados os serviços autárquicos de história, arqueologia, antropologia, património e arquivo municipal. Possui também uma biblioteca.
Por ter casado com D. Emília de Castro Pamplona, filha dos condes de Resende, este solar está também muito ligado a Eça de Queirós.
Como homenagem, os condes de Resende constituem o patrono da Escola Secundária com 3.º Ciclo de Canelas, denominando-se "Escola Secundária com 3.º Ciclo do Ensino Básico Condes de Resende". Como curiosidade, refira-se ainda que existe uma associação "Amigos do Solar Condes de Resende".
Sobretudo para os conterrâneos que vivem e trabalham na região do grande Porto, aqui fica o endereço do Solar/Casa Municipal de Cultura :
Tv. Condes de Resende, 110
Canelas
4405-239 Vila Nova de Gaia
Telef. 227625622/e-mail:solarcondesresende@gaianima.pt
Quem estiver interessado em saber mais sobre este solar clique aqui para aceder a um site da autoria de uma turma da Escola Profissional de Gaia, muito completo, bem elaborado e que honra quem o fez.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

"Referendo sobre o aborto"

Anselmo Borges reflecte no DN (e aqui) de ontem sobre a questão do aborto e o referendo de 11 de Fevereiro.

sábado, janeiro 20, 2007

Cantares dos Reis (2)

Na minha infância, pessoas que sabiam tocar ou cantar iam a casa de amigos por altura de Reis, num são convívio, sendo ocasião para petiscar, beber e contar umas anedotas.
No passado fim de semana, num gesto de amizade, António José A. Fonseca (mais conhecido por Vintém) e um grupo de amigos integrantes do Tom Vintém deslocaram-se a casa da minha irmã, nas Quintãs de Paus, para cantar os Reis. Pude constatar que os mais novos querem manter vivas as tradições desta época.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Cantares dos Reis (1)

Num esforço para manter costumes e tradições da época pós-natalícia, muito arreigados no nosso concelho, vários grupos e colectividades têm percorrido e animado ruas e aldeias, nos fins de semana de Janeiro, com as músicas e cantares de Reis, aproveitando para juntar o útil ao agradável, ou seja, o convívio e a angariação de fundos. É o que tem feito, por exemplo, o grupo musical Tom Vintém, de S. Martinho de Mouros, cujos donativos revertem para a Irmandade de S. Francisco Xavier.
Clique na foto para ampliar

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Pagadores bons, maus e assim-assim

De acordo com o inquérito de Outono da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas, só 14% dos municípios saldam as suas dívidas relativas a obras públicas dentro de um prazo inferior a 3 meses, enquanto 23% o fazem após os 12 meses. Resende integra um grupo de 31 municípios que saldam dívidas desta natureza entre os 9 e os 12 meses.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Água ao domicílio no concelho garantida com construção de barragem

Resende e mais cinco municípios do Douro Sul irão ter o problema do abastecimento de água aos domicílios resolvido com a construção de uma barragem no rio Balsemão, em Pretarouca. Esta obra, uma estação de tratamento, 7 reservatórios e 140 quilómetros de condutas estarão prontos até 2008, permitindo levar água de qualidade a cerca de 91 mil habitantes. Para saber mais carregue aqui e aqui.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Mais uma vitória do G.D. de Resende

O Grupo Desportivo de Resende venceu, neste fim de semana, o V. Madeiros por 3-2, continuando a liderar a 2.ª divisão distrital.
Refira-se, a propósito, que, numa das últimas reuniões de Câmara, foi aprovada, a título de empréstimo ( regime de comodato), a cedência de instalações do piso superior da antiga delegação escolar ao Grupo Desportivo para alojamento da respectiva sede.

domingo, janeiro 14, 2007

Através de Montemuro

Enquanto atravessava o Montemuro há duas horas e meia atrás, tinha por companheiro um sol ténue que se escondia por entre as nuvens. Mais à frente, uma brisa ligeira empurrava o nevoeiro gélido, tornando-o mais cortante. Por isso, em Gosende, estas duas "guardadoras" de gado protegiam-se com as suas tradicionais capuchas.
Foi mais um fim de semana cheio de novidades, encontros, moiras e outros petiscos. A "intendência" espiritual esteve a cargo do P. Anselmo Borges, que celebrou a missa na igreja de Paus, constituindo um espaço privilegiado de reencontro. A propósito, o seu artigo no DN de hoje pode ser lido aqui.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Bandas de música de S. Cipriano-3.ª parte

Perguntas e respostas

Todos os músicos são de S. Cipriano?
Quase todos. Só cerca de 10% são provenientes das freguesias vizinhas. S. Cipriano é, aliás, uma das freguesias com mais crianças e jovens. Alguns músicos trabalham e estudam fora do concelho, mas regressam aos fins de semana para ensaiar e actuar. Refira-se também que nenhuma das bandas sofreu qualquer interrupção no seu historial.

E os maestros?
Até hoje, todos têm sido naturais de S. Cipriano.
O maestro d’ “A Velha”, Jorge Manuel Pinto Cardoso, pertenceu a esta banda até ser chamado para a tropa. Após o cumprimento desta, ingressou na PSP, integrando a respectiva banda. Presentemente, exerce funções na PSP, em Lisboa, deslocando-se todos os fins de semana a S. Cipriano.
O maestro d’ “A Nova”, Paulo Teixeira, professor da escola do 2.º ciclo do ensino básico de Resende, também foi músico anteriormente.

Quem são os responsáveis pelas bandas?
Até há pouco tempo eram os maestros. Tudo girava à sua volta, pois as bandas nem sequer eram enquadradas por associações. Longe vão os tempos em que eram constituídas por cerca de 20/30 elementos, faziam as deslocações a pé e anunciavam a sua aproximação com o rebentamento de foguetes.
Presentemente, os maestros ensaiam as bandas, uma vez ou duas por semana, de Setembro a Maio, preparando o repertório anual, e dirigem as respectivas actuações musicais nas deslocações/saídas para festas. Todas as outras funções e responsabilidades, designadamente as financeiras, cabem aos órgãos das respectivas associações, em particular ao presidente da direcção. A título de curiosidade, refira-se que o d’ “A Velha”, Henrique Francisco, é membro da banda desde há 9 anos, tocando saxofone, tendo a ligação à música nascido de uma declaração proferida perante amigos, feita na festa do 4.º Domingo, em Cárquere, de que já não pôde voltar atrás: “brevemente, estarei aqui a tocar convosco”. O d’ “A Nova”, António José Pereira Cardoso, não é músico, sendo a sua ligação à banda explicada pelo ambiente de rivalidade vivido em casa, tendo a influência da mãe levado a melhor sobre a do pai, um apoiante d’ “A Velha”.
Como são feitas as deslocações?
Antigamente, as deslocações eram feitas a pé, pelos montes e vales da região. Algumas viagens chegaram a ser efectuadas em camionetas destinadas ao transporte de gado e mercadorias. Para as festas do aAlto Douro, os músicos iam a pé até à estação da CP e depois seguiam de comboio. Actualmente, as deslocações são feitas em dois autocarros, propriedade de cada uma das bandas.

Ainda se notam animosidades entre as duas bandas?
Há pessoas que ainda se lembram de “batalhas campais” entre músicos e adeptos das duas bandas, com instrumentos a “voar” de um lado para o outro. Presentemente, os responsáveis por ambas as bandas procuram manter um bom relacionamento, mas é patente a existência de rivalidades entre as duas colectividades, que não deixam ninguém indiferente em S. Cipriano. Se houvesse um referendo para saber qual era a melhor música, a percentagem de abstenções e de votos em branco seria nula.
Quem apoia quem?
Por tradição, "A Velha" tinha o apoio da maioria das famílias e casas abastadas de S. Cipriano. Entretanto, com as profundas alterações ocorridas nas últimas décadas no mundo rural, é difícil, actualmente, estabelecer fronteiras entre as respectivas bases "sociais" de apoio.
O objectivo de ambas as bandas é, presentemente, angariar sócios junto de outros públicos, nomeadamente de naturais de S. Cipriano (a residir e a trabalhar fora do concelho) e de pessoas de outras freguesias.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Bandas de música de S. Cipriano-2.ª parte

Música no feminino
Desde há cerca de 30 anos que “A Velha” integra elementos femininos. Pelo seu pioneirismo na região, chegou a causar algum espanto nas festas e romarias onde actuava. A chegada do género feminino à “Nova” aconteceu uns anos mais tarde. Actualmente, “A Velha” tem dez raparigas e “A Nova” nove. Senhoras casadas não se encontram. Se o namoro leva à desistência de algumas raparigas, o estado de casada parece incompatível com a continuação nas bandas, à excepção de uma senhora que, por enquanto, continua n' "A Velha".

Protocolo para evitar “fugas” entre bandas
Quezílias entre colegas e incompatibilidades com os maestros foram responsáveis, no historial das bandas, por mudanças de “camisola”. Esta questão foi sempre um factor de perturbação no relacionamento entre as duas colectividades. Para tentar ultrapassar este problema, graças aos bons ofícios do Sr. P. Abel Costa, pároco da freguesia, foi assinado, em 2003, um protocolo que dificulta o ingresso numa banda em caso de desistência da oura. Desde aquela data, isto só poderá acontecer quando decorridos dois anos consecutivos após a saída.

Instalações e sede
Após o 25 de Abril de 1974, a comissão administrativa da Casa do Povo, cujas instalações são originárias da Sociedade de Beneficência de S. Cipriano, propôs a ambas as bandas a cedência de um espaço para os ensaios, tendo “A Velha” aceitado. Pelo contrário, “A Nova” apenas lá teria efectuado dois ou três ensaios, vindo a desistir por motivos desconhecidos. De acordo com outra versão, esta banda nem sequer teria sido convidado para o efeito.
“A Velha”, que anteriormente ensaiava num palheiro, está adstrita desde 1977 à Casa do Povo, enquadrada formal e juridicamente pela Associação da Banda de Música da Casa do Povo de S. Cipriano “A VelhA”. Refira-se que o espaço cedido, tal como todo o restante edifício, estão a necessitar de obras de fundo.
“A Nova”, presentemente a ensaiar no pavilhão da antiga tele-escola, aguarda para daqui a um ano a conclusão de um edifício, financiado em 70% pela Administração Central e em 30% pela Câmara Municipal, cujo orçamento ronda os 150 mil euros. É um sonho antigo, cuja concretização deve muito ao empenhamento do actual elenco camarário.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Bandas de música de S. Cipriano-1.ª parte

Reproduz-se, a seguir, um artigo sobre as bandas de música de S. Cipriano de minha autoria, escrito para o Jornal de Resende (edição de Novembro passado), tendo como título: "A Nova" e "A Velha" de S. Cipriano: não morrem de amores, mas não podem viver uma sem a outra.

Na época de Natal, ambas realizam uma festa/convívio para sócios e familiares na Casa do Povo. Embora “A Nova” ultrapasse “A Velha” em número de sócios, conseguindo juntar mais pessoas, ninguém assume qual a que reúne mais adeptos na freguesia. Em S. Cipriano, embora todos sejam “ferrenhos” de uma ou de outra, sobressai o orgulho por ambas.

Pequeno historial
A primitiva banda de S. Cipriano foi criada no longínquo ano de 1840 por iniciativa, ao que tudo indica, do P. António Pinto Monteiro, pároco da freguesia. Reinava então a rainha D. Maria II. Depois de uma época conturbada, vivia-se agora alguma tranquilidade. Seis anos antes, em 1834, tinha sido assinada a Convenção de Évora Monte, que pusera termo às guerras liberais entre os partidários de D. Miguel e D. Pedro IV.
Passados alguns anos, o regente da banda emigrou para o Brasil, tendo-a deixado entregue a um amigo. Quando regressou uns anos mais tarde, quis retomar a regência, mas o amigo não esteve pelos ajustes. Perante a desfeita, resolveu criar uma nova banda, gerando com isso divisões, levando à saída de alguns elementos da banda originária. Decorria então o ano de 1881 (Cf. 1970, Joaquim Costa-Monografia de Resende, CM de Resende).
Ainda hoje, há quem considere que as duas bandas tiveram início nesta última data, visto ambas serem originárias da banda formada em 1840. A maioria assume, contudo, que “A Velha” foi criada em 1840 e “A Nova” em 1881, pois a primitiva banda nunca acabou. As respectivas designações (“A Nova” e “A Velha”) é que tiveram lugar no ano do “cisma”, ou seja, em 1881.

Viagem ao presente
Após a descida do Montemuro, em velocidade moderada, devido ao denso nevoeiro que se colava às ervas e arbustos, cheguei, como combinado, às 21h, à Casa do Povo. Deparei-me com jovens, carregando instrumentos musicais, que se dirigiam com o maestro d’ ”A Velha” para uma sala um tanto austera e desconfortável, onde iria decorrer um ensaio naquela sexta-feira. Pouco depois, chegou o presidente da direcção, Henrique Francisco, que é o coordenador da distribuição postal de Resende. Revelou-se um conversador nato. O diálogo decorreu sobre chuva intensa, numa sala da cave, onde têm lugar os ensaios da escola de música. Estava também presente o Sr. José Pinto, tesoureiro da banda e presidente da direcção da Casa do Povo. Com 78 anos, é a história viva da banda, pois é músico desde os doze anos e pertence aos órgãos directivos há trinta.
No dia seguinte, sábado, às 21h45, ao aproximar-me do pavilhão pré-fabricado, onde funcionou a tele-escola, já eram bem audíveis os sons dos vários instrumentos. Decorria então o ensaio da orquestra d’ “ A Nova”, numa sala sem condições para o efeito. A conversa com o presidente da comissão administrativa, António José Pereira Cardoso, teve lugar no pequeno átrio de entrada, sendo “obrigado” a escrevinhar em cima do assento de uma cadeira. Tinha preparado um pequeno dossiê, que me entregou após nos cumprimentarmos. Construtor civil, está nos antípodas da imagem que habitualmente temos desta classe empresarial. Pareceu-me um homem discreto e muito preocupado quanto à veracidade dos factos e exactidão dos dados e números.

Elementos comuns
Ambas as bandas apostam na formação de crianças e jovens. Mantêm, por isso, escolas de música, sendo ambas subsidiadas pela Câmara Municipal por igual montante mensal (€100,00). O ensino é gratuito, assumindo as bandas todas as despesas com a aquisição de instrumentos e fardas. Como curiosidade, refira-se que os monitores integram as respectivas bandas e frequentam cursos de música em estabelecimentos da especialidade, fora do concelho.
Vocacionadas para determinadas públicos e eventos específicos, autonomizaram orquestras ligeiras, sendo cada uma constituída por cerca de 20/25 elementos.
Muitos dos alunos das escolas de música e todos os componentes das orquestras integram as respectivas bandas, que nos habituámos a apreciar nas festas e romarias das nossas aldeias. O número de executantes anda à volta de cinquenta, variando as idades entre os 9 e os 70 anos. Cerca de metade é constituída por estudantes.
O número de contratos/saídas é equivalente: cerca de 30 por ano. Fazendo-se valer dos seus pergaminhos e qualidade, nenhuma festa é ajustada por menos de €2.000,00. Em Agosto, este valor pode chegar aos €2.500,00 e mesmo aos €3.000,00.
Relativamente às ajudas de custo, pagas aos músicos nestas deslocações, o intervalo dos respectivos montantes é semelhante: varia entre os €15,00 e os €50,00.
Ambas as bandas têm dificuldade em manter as contas equilibradas. Torna-se, por vezes, necessário o recurso a empréstimos de sócios ou gente amiga. As despesas são muitas: aquisição de fardamento, instrumentos musicais e partituras, seguros, subsídios a maestros, transportes, arranjos de material, manutenção das escolas de música, gastos com o autocarro, entre outras. Para lhes fazer face, cada banda só pode contar com as receitas dos contratos/saídas para festas, quotas dos associados e pequenos donativos. À excepção da Câmara Municipal que tem concedido a cada uma um subsídio à volta de €5.500,00/€6.500,00, não tem havido qualquer outra entidade oficial que tenha puxado os cordões à bolsa para este efeito.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Cultura etimológica

A leitura do artigo de Anselmo Borges no DN de ontem, em torno dos sentidos da experiência, é também uma lição de étimos e de semasiologia (link).

domingo, janeiro 07, 2007

E por último, o presépio da igreja de Paus

Clique para ampliar
Quem diremos nós que viva!

Quem diremos nós que viva,
No grãozinho do arroz?!
Vivam senhor's e senhoras,
Por muitos anos e bôs!

Viva o filhinho mais novo...
Quando põe no seu chapéu,
Põe-no no meio da sala,
Parece um anjo do Céu.

Quem diremos nós que viva,
Na folhinha do codesso?!
Viva a menina mais velha,
Qu'eu por nome não conheço.

(Cantiga de Reis, originária de Fazamões/Paus, "Cancioneiro de Resende")

Nota: Estão de parabéns os/as "obreiros/as" do presépio da minha terra, pois, ao contemplá-lo, conseguiu despertar em mim a mesma magia de antigamente.

sábado, janeiro 06, 2007

Presépio da capela de Sta. Catarina/S. Martinho de Mouros

Adorai o Deus Menino

Adorai o Deus Menino,
Adorai-o com profundo;
Antes que o bídeis pobre,
É Senhor de todo o mundo.

Vamos dar as bôs festas,
A estes nobres senhores,
É nascido o Deus Menino,
Em belém, entre os pastores.

Esta noite é bem feita,
Defronte tem uma guia:
A Virgem Nossa Senhora
Que a traz na companhia.

Noite ditosa,
Cheia de amor,
Já é nascido
O Redentor!

(Canção de Reis originária de Cavalhão/S. Martinho de Mouros, "Cancioneiro de Resende")

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Presépio da igreja de Felgueiras

Ó da Casa Nobre Gente!

Ó da casa, nobre gente,
'Scuitareis e ouvireis:
As portas do Oriente
São chegados os três Reis.

Os três Reis são três c'roados,
Vinde ver quem nos c'roou
E mais quem nos ordenou
No vosso santo caminho.

Mandarem por uma estrela,
Que l'ensinasse o caminho,
A estrela foi pousar
Ao alto duma cabana...

A cabana era pequena,
Não cabiam todos três,
Adoraram o Deus Menino,
Cada um por sua vez.

No incenso, é Deus imenso,
No oiro, é Rei chamado,
Na mirra, se representa
Qu'há-de ser cruceficado.

Já escurecem nos baixos,
Amanhecem nos oiteiros;
Vivam os homens honrados,
Fidalgos e cavalheiros.

(Cantiga de Reis originária de Felgueiras, Cancioneiro de Resende")

Incêndio em casa de S. João de Fontoura

Cerca das 14h30 de ontem, deflagrou um incêndio numa casa antiga de Nadais de Baixo/S. João de Fontoura, deixando desalojados quatro homens de origem romena (link).

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Presépio de S. Martinho de Mouros

É o único presépio do concelho, que se encontra na rua, em espaço aberto ( nas escadas da igreja do Senhor do Calvário). São as nossas tradições e a linguagem original do Natal à vista de todos.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Presépio da igreja de Miomães

Ó Meu Menino Pequeno!
(Cantiga de "engalhar" meninos)

Ó meu menino pequeno!
Todos te chamam pequeno,
Só para mim és tão grande
Pelo amor que te tenho!

O meu menino é d'oiro,
É d'oiro e doiradinho;
Hei-de entregá-lo ao Senhor,
Não quero mais ter menino!

(Canção originária de Miomães, "Cancioneiro de Resende")

terça-feira, janeiro 02, 2007

Troca de pontos de vista entre Anselmo Borges e Joana Amaral Dias

O nosso conterrâneo Anselmo Borges e Joana Amaral Dias trocam, no Diário de Notícias de hoje (não acessível por via electrónica), pontos de vista em torno de diversas questões.

Presépio da igreja de Ovadas


Nana, Nana, Meu Menino
(Cantiga de "ingalhar" as crianças)

Nana, nana, meu menino,
Qu'a mãezinha logo vem,
Foi lavar os teus paninhos
À fontinha de Belém.

Nana, nana, meu menino,
Nana, qu'eu nano também;
Quem seu menino imbela,
Já quer qu'ele druma bem.

(Canção originária de Ovadas de Cima, "Cancioneiro de Resende")

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Presépios da Santa Casa da Misericórdia



Felizmente, ao contrário de outra grande instituição de Resende (os bombeiros em cujas instalações não foi feito nenhum presépio), a Santa Casa da Misericórdia tem vários (capelas, recepção do hospital, corredor do lar de idosos...), embora aqui se apresentem apenas três. São múltiplas facetas e expressões do Natal e do seu imaginário.

domingo, dezembro 31, 2006

Presépios do Seminário de Resende


E porque hoje é domingo, Anselmo Borges escreve no DN sobre o Ano Velho, Ano Novo (link).

sábado, dezembro 30, 2006

Presépio da capela da Granja/Ovadas

Vamos à Santa Missa

Vamos à Santa Missa,
Vamos assestir a ela;
Com sacrefiço d'amor,
Desce Deus do Céu à Terra.

Menistro de Santuairo,
Já lá vem da sancrestia;
Está minh'alma contrebada,
Vinde-le dar alegria.

Sançardote do Denhor,
Já lá vai para o altar;
Sagradas são vossas mãos,
Donde Jesus vai pusar.

Quem me fora pomba branca,
Tivera asas e voara...
Voaram inté à glória,
Que lá no Céu Vos louvara.

(Canção originária de Ovadas de Cima, retirada do "Cancioneiro de Resende)

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Presépio da igreja da Panchorra

Vamos "Vê-la" Barca Nova

Vamos vê-la barca nova,
Que fizeram nos pastores;
Nossa Senhora vai nela,
Os anjos são guiadores.

Nossa Senhora faz meia,
O fio é feito de luz,
O novelo é lua cheia,
As meias são p'ra Jesus.

Vamos dá-la espedida,
Dela dada, vou-m'embora,
Que se 'stá fazendo tarde
Pera quem tão longe mora.

As espedidas seja dada,
Dada seja a espedida;
Estes Reis que nos deram,
No Céu seja agardecida.

(Canção originária da Panchorra, retirada do "Cancioneiro de Resende")

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Presépio de Feirão
















Lá na Noite de Natal...


Lá na noite do Natal,
É uma noite d'alegria;
Caminhava S. José
E mai-la Virgem Maria.

Caminhavam p'ra Belém,
Para lá chegar com dia;
Quando a Belém chegaram,
Já meia-noite seria.

Era tamanha a desgraça,
Que nem um panal havia!
Desceu um anjo do Céu à Terra,
Lindos panais trazia.

Tornou a subir ao Céu,
Cantando a Aleluia,
Lá no Céu le perguntaram
Como ficou lá Maria.

A Maria ficou boa,
Numa sala recolhida,
As paredes eram d'oiro,
As portas de prata fina.

Qual seria o "lavrador"
[Que] tanta prata lavraria?
Foi nosso Redentor,
Filho da Virgem Maria.

Quem diremos nós que viva?
Nós não queremos ficar mal...
Vivam pequenos e grandes,
Vivam todos em geral.

(Canção originária de Feirão, retirada do "Cancioneiro de Resende)

Presépios de igrejas e capelas de Resende

Cada vez mais, o Natal é uma festa secularizada em que os símbolos são o pai natal e a árvore de natal. Por exemplo, só cerca de 14% de franceses acham que esta festa é sobretudo religiosa. Por isso, os presépios são cada vez mais afastados das casas particulares e dos espaços públicos, sendo remetidos para os espaços de culto. Mas é bom que convivam com todos, incluindo não praticantes, agnósticos e ateus, para que o Natal não desemboque numa efeméride totalmente profanizada. Infelizmente, ao percorrer algumas igrejas e capelas do concelho numa visita a presépios, cujas fotos aparecerão a partir de hoje neste blogue, tomei conhecimento que a concepção e arranjo de alguns não envolveram a participação de crianças e jovens da comunidade.
Sobre este percurso, gostaria de acrecentar duas notas: i) as pessoas mostraram-se muito ciosas do seu património, pois, por precaução, acompanharam-me sempre, exceptuando o caso de alheamento de um jovem que se manteve imperturbável ao ver-me abrir a porta da igreja (as chaves encontravam-se na mesma); ii) foi um pretexto, em pleno inverno, para ver casas de colmo, vários canastros, muitas levadas de água pela serra abaixo, alguns pastores e bastante gado e, sobretudo, para revisitar a ponte velha sobre o rio Cabrum (ligando Covelinhas a Ovadas) e a torre da Lagariça, destacadas aqui em fotos. Algo que só um passeio permite.
A partir de hoje, neste blogue, será reproduzida uma foto de vários presépios de igrejas e capelas do concelho, acompanhada de uma cantiga de Reis originária da respectiva localidade e retirada do "Cancioneiro de Resende".

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Outro Natal

Para reviver outras paisagens, cheiros e sabores, estou de regresso de uma viagem relâmpago à nossa terra. Ontem, às 11h, estava a chegar à zona de S. Cristóvão, onde, à volta, ainda havia muito codo e "candeias" de gelo em forma fálica.
Na descida para o vale, pela visibilidade dos fumos a sair da chaminés, não havia dúvidas que as lareiras crepitavam.
À tardinha, o P. Tomás juntou na capela de S. Gonçalo a pequena comunidade das Quintãs, onde, em celebração, todos reviveram o legado essencial daqueles que nos precederam, ficando mais revigorados os elos de amizade e de vizinhança.
À noite, esperavam-me, como aperitivo, umas moiras que valeram bem uma longa viagem, e que as "glândula gustativas" reconheceram como únicas. Todas as outras são moiras abastardadas.
Hoje de manhã, fiz a vontade à minha costela rústica, entregando-me à poda. Depois, foi almoçar, ida ao café e o ritual da despedida, ficando a preocupação pelo estado de saúde da D. Adelaide (ataques permanentes de asma).
E enfim, a viagem de regresso, com passagem no Montemuro, pelas 17h, onde assisti a um deslumbrante pôr de sol de inverno.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Aventuras em torno do pinheiro de Natal

Cá em casa, os mais novos exigem um pinheiro "descomunal", que chegue pelo menos ao tecto. Este ano, atrasei-me na encomenda. Perante a minha desolação frente a uma espécime de pigmeus, o fornecedor lá me foi dizendo que passasse dali a três dias. "Talvez ainda se arranje qualquer coisa". O que é certo é que, durante toda a semana, não pude por lá passar. Cheguei assim às vésperas de Natal sem o dito pinheiro. Mas ele não podia faltar. Muni-me de um pequeno serrote e pensei: amanhã de manhã, vou à procura do dito. Impus-me duas condições: ser um abate "fitossanitário" e discreto.
Passei junto ao primeiro pinhal, mas fui em frente, devido ao muito movimento de carros. Mais à frente, virei para uma estrada camarária, praticamente deserta, mas desisti, pois vi dois carros estacionados, cujos donos deviam ser caçadores. Deixei a zona, andei cerca de 5Km e encontrei novo pinhal. Virei para um "carreiro asfaltado" e pensei que era o local ideal para cometer o delito. Mas, passados uns 500 m, fui desembocar numa pequena aldeia. Nada feito.
Voltei para outra zona, cheia de pinheiros. E pensei: agora é que vai ser. Enfiei para uma estrada secundária e parei para observar o terreno. Quando já estava escolhido o pinheiro, aproximou-se um senhor de motorizada com cara de poucos amigos. Cheguei a recear o pior. Desisti e meti por outra estrada. Outro azar. Deparei com um grupo de homens a pedalar em passeio matinal. Esperei. Agora, era uma patrulha de escuteiros em manobras. Achei que já era demais e resolvi voltar para casa. Desanimado.
Pelo caminho, pensei: estás a ser um cobardolas. Tinha de aparecer em casa com o pinheiro. Lembrei-me então que tinha passado por um sítio com entulhos, onde estava escrito: "vende-se terreno". E cogitei: é o local ideal. Pus-me a caminho. Chegado ao cenário, paro, saio da estrada, estaciono junto ao entulho e observo à volta. Vejo um carro parado que, perante a minha presença, se pôs em andamento. Hesitei: estará a espiar-me? Mas estava decidido. Fui escolher um pinheiro tosco. Serrei-o, pu-lo na carrinha e liguei a ignição. Contudo, a surpresa final estava para vir. Estaciona um carro ao meu lado e pensei: agora é que estou mesmo f... Abri o vidro e perguntei "o meu amigo precisa de alguma coisa? Ao que ele me responde: "não; estacionei por causa de atender um telefonema".

domingo, dezembro 24, 2006

Porque é Natal

Aqui (link) se deixa o convite para uma visita ao site da diocese de Lamego, ficando, assim, a conhecer a mensagem de D. Jacinto Botelho a propósito desta quadra.
Em registo de reflexão, Anselmo Borges escreve no DN de hoje sobre o Natal de Jesus, Natal do Homem (link).

sábado, dezembro 23, 2006

O imaginário do presépio e das canções de "imbelar"

O presépio, cá em casa, sempre teve um papel importante, havendo a preocupação para que fosse obra de todos, sobretudo dos mais novos. A começar pela apanha do musgo até ao retoque final, mesmo que não resultasse em obra-prima.
O modo como se constrói o imaginário pode influenciar o rumo de uma vida. A luz pode sempre acender-se, indicando caminhos.
O presépio é a representação de uma história fantástica, a realização do maravilhoso na pessoa de um Menino, a tentativa mais conseguida da humanização de Deus, que nos era recontada nas cantigas de imbelar, como esta (a seguir reproduzida), originária de Córdova/Paus, que ainda ecoa no nosso imaginário.
-
O Menino vai no berço
.
O menino vai no berço,
Embrulhado no cobertor,
Os anjinhos vão cantando:
Louvado seja o Senhor!
.
Os meninos estão no berço,
Embalando S. José,
Os anjinhos vão cantando:
"Glória Pátria Dominé"!
.
O meu menino Jesus,
Capitão da Santidade,
Divino Embaixador
Da Santíssima Trindade!
.
Ó meu menino Jesus,
Que tendes na mão, que cheira?
A camisa do menino,
Que veio da lavadeira.
.
(Do Cancioneiro de Resende, compilado por Vergílio Pereira, 1957)

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Moleira, Linda Moleira!

Moleira, linda moleira,
Ai! feiticeira, linda felor!
Ai! quem me dera
Pressui-lo seu amor!

Vós chamais-me paneleiro,
Ai, panelas ando vendendo;
Não há vida sem contrato,
É mundo, vamos vivendo...

Se chegar a ter amores,
Ai! há-de ser c'um paneleiro;
Ao sábado, coze a louça
E ao domingo tem dinheiro.

(Canção originária de Fazamões-recolha de Vergílio Pereira, Cancioneiro de Resende)

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Em conversa com "O Diabo", Anselmo Borges põe tudo em pratos limpos

Numa notável entrevista, concedida ao semanário "O Diabo", que a seguir se reproduz, Anselmo Borges pronuncia-se sobre o Natal e alguns temas candentes envolvendo a Igreja e o Mundo.
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O Natal transformou-se numa festa pagã sem qualquer significado religioso?

Não seria tão radical. Ainda há algumas referências de tipo religioso. Julgo que a maioria das pessoas ainda sabe que o Natal está relacionado com o nascimento de Cristo e há mais solidariedade nesta época.

Mas o consumismo desenfreado e a indiferença ética não têm desvirtuado o sentido da celebração do Natal?

Aí é que reside o problema. De facto, há uma concentração quase total nos presentes com espavento e no consumo. Desgraçadamente, não é só no Natal, pois trata-se de uma espécie de estado de espírito: o importante é ter e consumir. As novas “catedrais” são os hipermercados e as “capelas” são as lojas de luxo. Ora, Jesus foi tremendamente exigente em relação à riqueza não solidária: “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro”.

Então, as pessoas não reflectem sobre o verdadeiro significado desta data...

Pelo menos, reflectem pouco. O Natal diz que Deus se manifestou em corpo e que, portanto, o ser humano deve ser respeitado em corpo. Ora, o corpo continua muito menosprezado: há um culto do corpo que revela algum mal-estar em relação a ele. Depois, o Natal mostra que mais importante do que o ter é o ser. Ora, como já disse, há uma concentração no ter e no consumismo. O Natal significa humildade e discrição – Deus manifestou-se de modo discreto numa manjedoura. Ora, nós hoje vivemos obcecados pelo aparecer e pela competição.

Quais são os seus maiores lamentos e preocupações nesta época?

Não sou muito de lamentações. Não começo, pois, por lamentos, porque, seja como for, quando a gente compara o nosso tempo com aqueles tempos em que se pensa que o cristianismo estava mais presente, temos de constatar que hoje há mais justiça social, já não há escravatura legal, as mulheres vão acedendo à igualdade de direitos.
Mas realmente esta é uma época em que grassa o egoísmo. A mim o que mais me preocupa é a banalidade rasante e a obturação das grandes perguntas pelo Humano e pelo sentido da existência.

O alheamento das pessoas em relação à Igreja acaba por representar um desafio para a instituição?

Devia representar. Mas com esta salvaguarda: o decisivo não é a instituição, mas as pessoas. A Igreja não existe para si, mas para servir os serres humanos. Deus não se revelou para que lhe prestemos culto, mas para que nos amemos e nos interessemos uns pelos outros e nos ajudemos a realizar a humanidade de todos, a começar pelos mais abandonados.

Nesta área, as igrejas e os seus chefes religiosos estão a fazer tudo o que podem para combater esta indiferença? Ou podem reconhecer alguma culpa neste afastamento?

Julgo que podem e devem. Fundamentalmente, porque, em vez de se anunciar o Evangelho, notícia boa e felicitante, prega-se muitas vezes um “Disangelho”, como dizia Nietzsche, isto é, um Deus que é uma má notícia. Há falta de abertura às questões – por exemplo, o preservativo, para evitar um contágio ou uma gravidez não desejada, há muito que não deveria constituir problema.

Quais são os maiores desafios que enfrenta o cristianismo nos dias de hoje para poder alterar os valores próprios desta sociedade consumista?

Os maiores desafios do cristianismo são os desafios lançados à humanidade em geral. Para enfrentá-los, os cristãos precisam, em primeiro lugar, de dar testemunho de uma humanidade boa, justa e feliz. Isto significa que as comunidades cristãs devem assentar em três pilares: fé reflectida, caridade-justiça, celebrações litúrgicas belas e iluminantes.

E a Igreja católica?

Será necessário, contra um centralismo teocrático, abrir-se à participação de todos; face a um clero envelhecido e muitas vezes desiludido, inventar outro tipo de líderes das comunidades; as mulheres devem ocupar o seu lugar em igualdade com os homens. Mas, claro, sem fé esclarecida, sem amor e sem mística, sem experiência do Deus vivo, não há cristianismo.

No seu texto para o Dia da paz, Bento XVI vai alertar para os dramas da Humanidade que ameaçam a paz e que colocam em risco o futuro das novas gerações. Na sua opinião, quais são esses dramas?

A guerra, o terrorismo, a multiplicação de países com armamento nuclear, o não respeito pelos direitos humanos, a incapacidade de diálogo entre culturas e religiões, o capitalismo neoliberal, o comércio de armas, a droga, a prostituição, a poluição, o perigo do mau uso das biotecnologias e da Internet, o fosso crescente entre os muito ricos e os muito pobres.

O que pensa da recomendação da Comissão Nacional de Eleições (CNE) para que “todas s manifestações gráficas e escritas que possam influenciar a forma como se vota”, nomeadamente símbolos religiosos, sejam retirados das assembleias de voto no dia 11 de Fevereiro?

Compreendo e aceito.

A Igreja deve participar activamente na campanha pelo “não” à despenalização do aborto ou deve abster-se?

Se por Igreja entender a chamada Igreja hierárquica, acho que ela deve anunciar claramente a sua doutrina sobre o assunto. Mas não estou a ver os bispos e os padres em manifestações de rua. A Igreja dirige-se fundamentalmente às consciências. Se por Igreja entender os fiéis católicos, digo-lhe: deverão agir de acordo com as suas convicções.

A maioria das mulheres portuguesas pretende votar a favor da despenalização do aborto no referendo de 11 de Fevereiro, de acordo com um estudo realizado pela Associação para o planeamento da Família (APF). Se o sim vencer, acha que vão acabar os abortos clandestinos?

Ninguém sabe se a maioria das mulheres vai votar a favor. Mas, se o sim vencer, não creio que os abortos clandestinos acabem, e as razões são várias: sentimento de culpa, algum estigma social...

Os católicos não serão recriminados se votarem ou se estiverem contra a doutrina da Igreja?

O voto é secreto e é doutrina comum da Igreja que a suprema instância moral é a consciência informada e bem formada.

Um mundo mais justo e uma sociedade sem pobreza e miséria é provavelmente um desejo unânime. Que balanço faz das políticas implementadas por este Governo concretamente ao nível da saúde, da educação, da solidariedade social?

Espero que não espere de mim um Programa de Governo. Eu não tenho a solução para tantos e gigantescos problemas, concretamente no quadro da globalização. Começo por dizer-lhe que julgo que a política é uma actividade nobre e tenho consideração pelos políticos que se dedicam à causa pública e ao bem comum. Como é evidente, não estou, com isto, a canonizar todos os políticos.
Indo à sua pergunta, penso que este Governo tem de modo geral tentado tomar algumas medidas urgentes e necessárias. Mas penso também que algumas poderiam ser mais bem negociadas: refiro-me nomeadamente ao nível da educação, onde é necessário um clima menos tenso.

Acha que este Governo tem contribuído para a justiça social? Tem havido preocupação com os mais desfavorecidos?

Aí é que está a questão. Penso que era Bismarck que dizia que com as Bem-aventuranças do Evangelho não conseguia governar a Prússia. Eu percebo isso, porque a política é a arte do possível. A política tem de harmonizar a eficácia e a justiça, e essa harmonização é muito complexa. Mas é evidente que é no sentido dessa harmonização que é preciso caminhar. As estatísticas dizem que Portugal é o país da União Europeia onde as assimetrias sociais mais se têm acentuado. É uma vergonha para nós todos enquanto cidadãos que haja dois milhões de pobres e duzentas mil pessoas com fome. Embora veja que há algumas pequenas tentativas de preocupação com os mais desfavorecidos, acho que temos de exigir eficácia no plano
económico-financeiro, mas sem abandonar os pobres e os velhos à miséria, concretamente no domínio da saúde e da segurança social.

terça-feira, dezembro 19, 2006

O último a sair que desligue a luz

Na semana passada, fui a algumas escolas do 1.º ciclo, muito próximas de Viseu. Escolas com muitas crianças, felizmente. E com uma característica comum: aumento de alunos com hiperactividade.
In illo tempore, havia três inibidores da hiperactividade: i) o longo percurso a pé de casa à escola, com o consequente desgaste de energias; ii) a autoridade inquestionável dos professores e iii) as refregas nos recreios. Os problemas disciplinares eram inexistentes. As aulas e as aprendizagens eram moduladas pela presença da palmatória.
Tempos passados em escolas já fechadas. Cujas memórias foram vandalizadas (algumas), como a das Lajes, retratada aqui. Espera-se que a documentação das recentemente encerradas, no concelho, seja devidamente tratada e arquivada. E que desliguem a luz, pois , segundo parece, ainda não foram dadas ordens à EDP para o fazer.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

G. D. Resende na frente

No passado fim de semana, o G. D. Resende derrotou o Farminhão por 5-1, continuando a liderar o grupo da 2.ª divisão distrital, com 26 pontos.

domingo, dezembro 17, 2006

"Qual é o Deus do Mediterrâneo?"

No passado dia 1, enquanto Bento XVI voava de Istambul para Roma, depois da sua visita à Turquia, estava a realizar-se, em Santa Maria da Feira, o V Simpósio "Sete Sóis Sete Luas", que teve como tema: "Qual é o Deus do Mediterrâneo?" Foram conferencistas Salman Rushdie, Cláudio Torres e eu próprio.
Anselmo Borges, aqui ao lado de Salman Rushdie ( sobre quem impende uma fatwa lançada pelo ayatollah Kohmeini), inicia assim o artigo no DN deste domingo, desenvolvendo o tema debatido no Simpósio acima referido. Link para a leitura do artigo.

sábado, dezembro 16, 2006

Verrina e troça nas vessadas

O rancho das Lajes
Dança o tiroliro
Traz no cimo do andor
Os c... ões do Palmiro

quinta-feira, dezembro 14, 2006

5.º aniversário do Douro como Património Mundial

Faz hoje 5 anos que a UNESCO declarou a região do Douro vinhateiro como Património Mundial. Foi o reconhecimento da identidade de uma paisagem, cultura e vinho, numa homenagem às sucessivas gerações que erigiram esta região como monumento único.
É obrigação preservarmos esta herança.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Matança do porco

Há dias, fui convidado para as exéquias da matança de dois porcos.Chegado ao local do crime, os bichos já repousavam em paz. Tudo feito segundo os cânones tradicionais, excepto a chamusca, que foi de maçarico.
O almoço foi lauto. Fartíssimo. Confeccionado ao lume, em potes de ferro e, no forno, em caçoilas de barro. Não faltou o imprescindível salpicão do paio.
Os convivas eram 24. Em Moumiz, cultivam-se afincadamente os laços familiares. Uma gratidão especial ao Sr. Aníbal, patriarca da família, e à Sra. Cecília Costa, um hino à simpatia. Meritíssimos donos dos bichos e responsáveis pelo repasto e convívio.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Mais escolarização e aquisição de habilitações para jovens/adultos

Já se encontra constituído, no âmbito dos Cursos EFA-EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS, o CRVCC (Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências), em funcionamento no Agrupamento Vertical de Escolas de Resende.
Assim, quem tem:
-mais de 18 anos e sabe ler e escrever...
-ao seu ritmo de aprendizagem...
-pode obter as habilitações pretendidas em horário pós-laboral (a combinar)...
- e tirar o 4.º ano (1.º ciclo) ou o 6.º ano (2.º ciclo).
Ninguém pode perder esta oportunidade.
Para mais informações, dirija-se à Sede do Agrupamento ou ligue para: 254 877 783/965 483 107/914 577 381.
Pode ainda falar pessoalmente com o Prof. Rui Rebelo, coordenador destes Cursos. Profissional muito empenhado, está facilmente contactável, pois dá aulas de natação às crianças do 1.º ciclo.
Pede-se a todos os responsáveis locais (dirigentes associativos, presidentes de junta e párocos...) que difundam esta iniciativa.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

G.D. de Resende no comando da 2.ª divisão

Com a vitória por 1-0 em Abraveses, o G.D. de Resende alcandorou-se ao primeiro lugar da 2.º divisão distrital.

domingo, dezembro 10, 2006

Anselmo Borges em Paus e no DN

Anselmo Borges passou este fim de semana em Paus (já cá tinha estado na semana anterior), tendo celebrado a missa do dia 8 na igreja paroquial. Além de desfrutar da amizade da família e dos conterrâneos, teve ainda ocasião de saborear, à lareira, as primícias provenientes da desmancha de um porco "recém-abatido". Por isso, há lugares a que se volta sempre.

1.º nevão na serra de Montemuro

A serra de Montemuro acordou ontem com um manto branco de neve. A estrada Bigorne/S. Cristóvão/Resende chegou a estar encerrada ao trânsito.
Hoje, de acordo com informação prestada às 14h15 pela GNR de Castro Daire e Resende, devido ao sol, que derreteu grande parte da neve, já é possível circular de automóvel.
Como caiu gelo durante a noite, é necessário aumentar a cautela nos sítios não expostos ao sol.

sábado, dezembro 09, 2006

Memórias de chuva e do outono

Vivi os dias de chuva como potenciadores de mais água. De mais vida. Apesar do incómodo, as pessoas viam na chuva a possibilidade de assistir às nascentes das águas e ao aumento dos caudais. Nunca ouvi dizer "já é chuva a mais". Mas antes "vem no tempo dela" ou "a chuva é oiro". Desde que descesse mansinha, era vista como uma benção.
Há dois acontecimentos que marcaram a minha memória dos grandes invernos. O nascimento do rio Celós (acima de Sta. Eulália/S. Martinho de Mouros) e a alegria pelo nascimento da água da Mó.
Como dantes, sinal da fecundidade da terra, estes dois nascimentos já ocorreram este ano.
Os soutos, cobertos de folhas, são uma imagem de marca dos meus outonos.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Novo Bispo de S. Tomé frequentou o Seminário de Resende

D. Manuel António Mendes dos Santos, natural do concelho de Castro Daire e recentemente nomeado Bispo de S. Tomé e Príncipe, frequentou o Seminário de Resende de 1971 a 1976. Já, no Seminário Maior de Lamego, veio a ingressar na Congregação dos Missionários Claretianos (link).

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Exposição de Cerâmica

No Posto de Turismo de Resende, encontra-se patente ao público, até ao próximo dia 23, uma exposição de Lurdes Gomes, designer gráfica e ceramista. Nascida na Penajóia, veio aos 11 anos viver para Barrô, prosseguindo os seus estudos em Resende. Mais tarde, foi estudar para o Porto, onde concluiu o curso de estilismo. Posterirmente, ingressou na Escola Artística de Artes Decorativas Soares dos Reis, onde enriqueceu os seus conhecimentos na área da cerâmica.
Nesta exposição, há oportunidade, entre outros aspectos, de admirar peças em porcelana pintadas à mão, bem como peças em argila (toscas), moldadas através de várias técnicas.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

O maior investimento de sempre no concelho

Com um investimento de 45 milhões de euros, terá início ainda este ano a construção do parque eólico, que ficará instalado na zona de Feirão e Panchorra, constituindo o maior investimento de sempre no concelho de Resende (ver mais aqui e aqui).

segunda-feira, dezembro 04, 2006

"Como sabem os crentes que Deus falou?"

Devido ao interesse do tema, reproduz-se, na íntegra, o artigo de Anselmo Borges no DN de ontem, domingo, a que, excepcionalmente, não é possível aceder através da edição digital desse dia:

"É-me por vezes penoso ter de participar em certos debates sobre a fé e a ciência. Porque os cientistas têm frequentemente a ideia de que a fé tem a ver com umas crenças indiscutíveis, porque cegas, em coisas e “verdades” abstrusas, de tal modo que quanto mais abstrusas mais religiosas e a fé seria tanto maior quanto mais cega.
A culpa nem sempre é deles, mas dos crentes que passam essa ideia. Pensa-se, de facto, de modo geral, que as religiões caem do céu, havendo até quem julgue que Deus revelou directamente verdades nas quais é preciso acreditar sem razões.
Ora, não é assim nem pode ser. Tudo o que é autenticamente religioso é resposta humana a questões e perguntas profunda e radicalmente humanas. Resposta verdadeiramente humana. A sua especificidade reside no facto de estar relacionada com Deus. Assim, um texto religioso tem sempre na sua base uma interpretação humana da realidade, da única realidade que há, comum a crentes e a não crentes. O que se passa é que o crente tem a convicção de que a realidade se não esgota na sua imediatidade empírica, e essa convicção não surge porque é crente, mas porque a própria realidade, para a sua compreensão adequada, lhe aparece incluindo uma Presença que não se vê em si mesma, mas implicada no que se vê. Mediante certas características -- a contingência radical, a morte e o protesto contra ela, a exigência de sentido --, a própria realidade se mostra implicando essa Presença divina como seu fundamento e sentido últimos.
Assim, como escreve Andrés Torres Queiruga, na estrutura íntima do processo religioso, “não se interpreta o mundo de uma determinada maneira porque se é crente ou ateu, mas é-se crente ou ateu porque a fé ou a não crença aparecem ao crente e ao ateu, respectivamente, como a melhor maneira de interpretar o mundo comum”.
A fé, no seu nível próprio, tem razões, de tal modo que está sujeita à verificação. Há Teologia, precisamente porque a fé exige o debate público. Aí, o agnóstico dirá que não vê razões para poder decidir-se. O ateu julga que as razões contrárias são mais fortes e, por isso, não crê. Para o crente, a “hipótese religiosa” é a que melhor esclarece as experiências e questões radicais postas pela realidade e pela existência: a contingência, as perguntas últimas pela vida e pela morte, a esperança, a exigência ética, o sentido da História.
A partir de uma experiência religiosa de fundo por parte do profeta ou do fundador religioso, desencadeia-se um processo vivo de aprofundamento, depuração e tentativas de maior compreensão da relação com o Divino, que dá origem a tradições religiosas ou religiões que acabam por sedimentar ou cristalizar em livros sagrados, considerados “revelados”.
Esse carácter “revelado” dos textos aparece de facto mais tarde, quando, mediante a reflexão, as gerações seguintes concluem que afinal aquela descoberta da presença de Deus na realidade foi possível porque o próprio Deus estava desde sempre a manifestar-se nela e a tentar dar-se a conhecer. O profeta ou o fundador descobriram o que Deus quer revelar a todos.
Assim, os novos crentes não aceitam a verdade da fé por via autoritária. Eles próprios a comprovam. Paradoxalmente, é o que acontece no domínio científico: todos tinham visto as maçãs a cair, mas só Newton “caiu na conta” da lei da gravidade; porém, uma vez descoberta, todos a aceitam, não por causa de Newton, mas porque todos podem comprová-la.
Andrés Torres Queiruga, o teólogo que de modo mais penetrante tentou esclarecer esta questão, chamou a esta compreensão “maiêutica histórica”. Sócrates chamou maiêutica ao seu método de descoberta da verdade: como a sua mãe, que era parteira, ajudava a dar à luz os bebés, assim ele ajudava os seres humanos a dar à luz a verdade de que estavam grávidos. Na verdade religiosa, há os profetas e os fundadores das religiões, que foram os primeiros a tomar consciência da verdade. Mas, após essa descoberta, ouvindo-os e acompanhando-os, outros se podem dar conta por si mesmos da mesma verdade.
Portanto, Deus manifesta-se, mas nunca directamente, sempre e só indirectamente. Jamais alguém viu ou falou directamente com Deus. Por isso, os livros sagrados não são um ditado divino – são Palavra de Deus em palavras humanas. Quer os seus autores quer os seus leitores escreveram e lêem com uma pré-compreensão, isto é, no quadro de pressupostos históricos e culturais, interesses e expectativas. Portanto, a sua leitura nunca pode ser literal, pois implica sempre uma interpretação."

Mais uma vitória

Neste fim de semana, o G.D. de Resende. venceu, em casa, o Maiorense por 6-0.

domingo, dezembro 03, 2006

Domingo chuvoso

A chuva, hoje, não deu tréguas, mesmo na apanha de diospiros e outros mimos.
Era este o caudal do ribeiro, que passa sob a ponte Cavalar, às 15h30 de hoje, em altura de chuva intensa.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Pontos de vista

Somos férteis em "decretar" traumatismos em crianças, disfuncionalidades em famílias e solidão nos mais velhos. Mais patente nestes, quando saiem de casa e se sentam em bancos de jardins. Caso as pessoas (velhas ou não) vão para uma esplanada ou para um café "passar o tempo", torna-se mais difícil a rotulagem de solidão. Preconceitos.
Este senhor da foto não está à espera de autocarro. Abriga-se do vento e do frio, algures no concelho, para melhor ver quem passa e apreciar o panorama. Como numa esplanada ou num café.