sexta-feira, janeiro 26, 2007

Blogue do P. João António Pinheiro Teixeira

O Sr. P. João António, natural de S. João de Fontoura, sacerdote muito conceituado na diocese, ex-director da "Voz de Lamego", reitor do Seminário de Lamego e docente do Instituto Superior de Teologia (Beiras e Douro), partilha connosco, através do blogue THEOSFERA(http://padrejoaoantonio.blogs.sapo.pt), comentários, reflexões e o testemunho do entusiasmo daquilo em que acredita e da sua visão da vida. Tem colaborado também, para agrado dos seus leitores, nos últimos números do Jornal de Resende, esperando-se que o continue a fazer.Num mundo de incertezas, opacidades, ruídos distractivos e néons enganadores, é bem-vinda esta escrita serena, que nos ajuda a reencontrar o caminho no desacerto dos dias e a prosseguir viagem.
Quem quiser aceder ao blogue deste ilustre conterrâneo, orgulhoso das suas origens e amigo de Resende (clicar), poderá fazê-lo através do link aqui ao lado.

terça-feira, janeiro 23, 2007

Solar dos Condes de Resende

Localiza-se em Canelas, no lugar de Negrelos (V. N. de Gaia). A construção primitiva é da época medieval. A arquitectura actual é de estilo barroco regional. Possui um belíssimo jardim, conhecido po jardim das camélias.
O solar, outrora propriedade dos condes de Resende, foi adquirido pela Câmara Municipal de V. N. de Gaia em 1984. Após sofrer adaptações para o efeito, funciona, desde 1987, como Casa Municipal de Cultura. Além de eventos (poesia, colóquios, exposições, concertos...), estão aqui sediados os serviços autárquicos de história, arqueologia, antropologia, património e arquivo municipal. Possui também uma biblioteca.
Por ter casado com D. Emília de Castro Pamplona, filha dos condes de Resende, este solar está também muito ligado a Eça de Queirós.
Como homenagem, os condes de Resende constituem o patrono da Escola Secundária com 3.º Ciclo de Canelas, denominando-se "Escola Secundária com 3.º Ciclo do Ensino Básico Condes de Resende". Como curiosidade, refira-se ainda que existe uma associação "Amigos do Solar Condes de Resende".
Sobretudo para os conterrâneos que vivem e trabalham na região do grande Porto, aqui fica o endereço do Solar/Casa Municipal de Cultura :
Tv. Condes de Resende, 110
Canelas
4405-239 Vila Nova de Gaia
Telef. 227625622/e-mail:solarcondesresende@gaianima.pt
Quem estiver interessado em saber mais sobre este solar clique aqui para aceder a um site da autoria de uma turma da Escola Profissional de Gaia, muito completo, bem elaborado e que honra quem o fez.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

"Referendo sobre o aborto"

Anselmo Borges reflecte no DN (e aqui) de ontem sobre a questão do aborto e o referendo de 11 de Fevereiro.

sábado, janeiro 20, 2007

Cantares dos Reis (2)

Na minha infância, pessoas que sabiam tocar ou cantar iam a casa de amigos por altura de Reis, num são convívio, sendo ocasião para petiscar, beber e contar umas anedotas.
No passado fim de semana, num gesto de amizade, António José A. Fonseca (mais conhecido por Vintém) e um grupo de amigos integrantes do Tom Vintém deslocaram-se a casa da minha irmã, nas Quintãs de Paus, para cantar os Reis. Pude constatar que os mais novos querem manter vivas as tradições desta época.

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Cantares dos Reis (1)

Num esforço para manter costumes e tradições da época pós-natalícia, muito arreigados no nosso concelho, vários grupos e colectividades têm percorrido e animado ruas e aldeias, nos fins de semana de Janeiro, com as músicas e cantares de Reis, aproveitando para juntar o útil ao agradável, ou seja, o convívio e a angariação de fundos. É o que tem feito, por exemplo, o grupo musical Tom Vintém, de S. Martinho de Mouros, cujos donativos revertem para a Irmandade de S. Francisco Xavier.
Clique na foto para ampliar

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Pagadores bons, maus e assim-assim

De acordo com o inquérito de Outono da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas, só 14% dos municípios saldam as suas dívidas relativas a obras públicas dentro de um prazo inferior a 3 meses, enquanto 23% o fazem após os 12 meses. Resende integra um grupo de 31 municípios que saldam dívidas desta natureza entre os 9 e os 12 meses.

terça-feira, janeiro 16, 2007

Água ao domicílio no concelho garantida com construção de barragem

Resende e mais cinco municípios do Douro Sul irão ter o problema do abastecimento de água aos domicílios resolvido com a construção de uma barragem no rio Balsemão, em Pretarouca. Esta obra, uma estação de tratamento, 7 reservatórios e 140 quilómetros de condutas estarão prontos até 2008, permitindo levar água de qualidade a cerca de 91 mil habitantes. Para saber mais carregue aqui e aqui.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Mais uma vitória do G.D. de Resende

O Grupo Desportivo de Resende venceu, neste fim de semana, o V. Madeiros por 3-2, continuando a liderar a 2.ª divisão distrital.
Refira-se, a propósito, que, numa das últimas reuniões de Câmara, foi aprovada, a título de empréstimo ( regime de comodato), a cedência de instalações do piso superior da antiga delegação escolar ao Grupo Desportivo para alojamento da respectiva sede.

domingo, janeiro 14, 2007

Através de Montemuro

Enquanto atravessava o Montemuro há duas horas e meia atrás, tinha por companheiro um sol ténue que se escondia por entre as nuvens. Mais à frente, uma brisa ligeira empurrava o nevoeiro gélido, tornando-o mais cortante. Por isso, em Gosende, estas duas "guardadoras" de gado protegiam-se com as suas tradicionais capuchas.
Foi mais um fim de semana cheio de novidades, encontros, moiras e outros petiscos. A "intendência" espiritual esteve a cargo do P. Anselmo Borges, que celebrou a missa na igreja de Paus, constituindo um espaço privilegiado de reencontro. A propósito, o seu artigo no DN de hoje pode ser lido aqui.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Bandas de música de S. Cipriano-3.ª parte

Perguntas e respostas

Todos os músicos são de S. Cipriano?
Quase todos. Só cerca de 10% são provenientes das freguesias vizinhas. S. Cipriano é, aliás, uma das freguesias com mais crianças e jovens. Alguns músicos trabalham e estudam fora do concelho, mas regressam aos fins de semana para ensaiar e actuar. Refira-se também que nenhuma das bandas sofreu qualquer interrupção no seu historial.

E os maestros?
Até hoje, todos têm sido naturais de S. Cipriano.
O maestro d’ “A Velha”, Jorge Manuel Pinto Cardoso, pertenceu a esta banda até ser chamado para a tropa. Após o cumprimento desta, ingressou na PSP, integrando a respectiva banda. Presentemente, exerce funções na PSP, em Lisboa, deslocando-se todos os fins de semana a S. Cipriano.
O maestro d’ “A Nova”, Paulo Teixeira, professor da escola do 2.º ciclo do ensino básico de Resende, também foi músico anteriormente.

Quem são os responsáveis pelas bandas?
Até há pouco tempo eram os maestros. Tudo girava à sua volta, pois as bandas nem sequer eram enquadradas por associações. Longe vão os tempos em que eram constituídas por cerca de 20/30 elementos, faziam as deslocações a pé e anunciavam a sua aproximação com o rebentamento de foguetes.
Presentemente, os maestros ensaiam as bandas, uma vez ou duas por semana, de Setembro a Maio, preparando o repertório anual, e dirigem as respectivas actuações musicais nas deslocações/saídas para festas. Todas as outras funções e responsabilidades, designadamente as financeiras, cabem aos órgãos das respectivas associações, em particular ao presidente da direcção. A título de curiosidade, refira-se que o d’ “A Velha”, Henrique Francisco, é membro da banda desde há 9 anos, tocando saxofone, tendo a ligação à música nascido de uma declaração proferida perante amigos, feita na festa do 4.º Domingo, em Cárquere, de que já não pôde voltar atrás: “brevemente, estarei aqui a tocar convosco”. O d’ “A Nova”, António José Pereira Cardoso, não é músico, sendo a sua ligação à banda explicada pelo ambiente de rivalidade vivido em casa, tendo a influência da mãe levado a melhor sobre a do pai, um apoiante d’ “A Velha”.
Como são feitas as deslocações?
Antigamente, as deslocações eram feitas a pé, pelos montes e vales da região. Algumas viagens chegaram a ser efectuadas em camionetas destinadas ao transporte de gado e mercadorias. Para as festas do aAlto Douro, os músicos iam a pé até à estação da CP e depois seguiam de comboio. Actualmente, as deslocações são feitas em dois autocarros, propriedade de cada uma das bandas.

Ainda se notam animosidades entre as duas bandas?
Há pessoas que ainda se lembram de “batalhas campais” entre músicos e adeptos das duas bandas, com instrumentos a “voar” de um lado para o outro. Presentemente, os responsáveis por ambas as bandas procuram manter um bom relacionamento, mas é patente a existência de rivalidades entre as duas colectividades, que não deixam ninguém indiferente em S. Cipriano. Se houvesse um referendo para saber qual era a melhor música, a percentagem de abstenções e de votos em branco seria nula.
Quem apoia quem?
Por tradição, "A Velha" tinha o apoio da maioria das famílias e casas abastadas de S. Cipriano. Entretanto, com as profundas alterações ocorridas nas últimas décadas no mundo rural, é difícil, actualmente, estabelecer fronteiras entre as respectivas bases "sociais" de apoio.
O objectivo de ambas as bandas é, presentemente, angariar sócios junto de outros públicos, nomeadamente de naturais de S. Cipriano (a residir e a trabalhar fora do concelho) e de pessoas de outras freguesias.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Bandas de música de S. Cipriano-2.ª parte

Música no feminino
Desde há cerca de 30 anos que “A Velha” integra elementos femininos. Pelo seu pioneirismo na região, chegou a causar algum espanto nas festas e romarias onde actuava. A chegada do género feminino à “Nova” aconteceu uns anos mais tarde. Actualmente, “A Velha” tem dez raparigas e “A Nova” nove. Senhoras casadas não se encontram. Se o namoro leva à desistência de algumas raparigas, o estado de casada parece incompatível com a continuação nas bandas, à excepção de uma senhora que, por enquanto, continua n' "A Velha".

Protocolo para evitar “fugas” entre bandas
Quezílias entre colegas e incompatibilidades com os maestros foram responsáveis, no historial das bandas, por mudanças de “camisola”. Esta questão foi sempre um factor de perturbação no relacionamento entre as duas colectividades. Para tentar ultrapassar este problema, graças aos bons ofícios do Sr. P. Abel Costa, pároco da freguesia, foi assinado, em 2003, um protocolo que dificulta o ingresso numa banda em caso de desistência da oura. Desde aquela data, isto só poderá acontecer quando decorridos dois anos consecutivos após a saída.

Instalações e sede
Após o 25 de Abril de 1974, a comissão administrativa da Casa do Povo, cujas instalações são originárias da Sociedade de Beneficência de S. Cipriano, propôs a ambas as bandas a cedência de um espaço para os ensaios, tendo “A Velha” aceitado. Pelo contrário, “A Nova” apenas lá teria efectuado dois ou três ensaios, vindo a desistir por motivos desconhecidos. De acordo com outra versão, esta banda nem sequer teria sido convidado para o efeito.
“A Velha”, que anteriormente ensaiava num palheiro, está adstrita desde 1977 à Casa do Povo, enquadrada formal e juridicamente pela Associação da Banda de Música da Casa do Povo de S. Cipriano “A VelhA”. Refira-se que o espaço cedido, tal como todo o restante edifício, estão a necessitar de obras de fundo.
“A Nova”, presentemente a ensaiar no pavilhão da antiga tele-escola, aguarda para daqui a um ano a conclusão de um edifício, financiado em 70% pela Administração Central e em 30% pela Câmara Municipal, cujo orçamento ronda os 150 mil euros. É um sonho antigo, cuja concretização deve muito ao empenhamento do actual elenco camarário.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Bandas de música de S. Cipriano-1.ª parte

Reproduz-se, a seguir, um artigo sobre as bandas de música de S. Cipriano de minha autoria, escrito para o Jornal de Resende (edição de Novembro passado), tendo como título: "A Nova" e "A Velha" de S. Cipriano: não morrem de amores, mas não podem viver uma sem a outra.

Na época de Natal, ambas realizam uma festa/convívio para sócios e familiares na Casa do Povo. Embora “A Nova” ultrapasse “A Velha” em número de sócios, conseguindo juntar mais pessoas, ninguém assume qual a que reúne mais adeptos na freguesia. Em S. Cipriano, embora todos sejam “ferrenhos” de uma ou de outra, sobressai o orgulho por ambas.

Pequeno historial
A primitiva banda de S. Cipriano foi criada no longínquo ano de 1840 por iniciativa, ao que tudo indica, do P. António Pinto Monteiro, pároco da freguesia. Reinava então a rainha D. Maria II. Depois de uma época conturbada, vivia-se agora alguma tranquilidade. Seis anos antes, em 1834, tinha sido assinada a Convenção de Évora Monte, que pusera termo às guerras liberais entre os partidários de D. Miguel e D. Pedro IV.
Passados alguns anos, o regente da banda emigrou para o Brasil, tendo-a deixado entregue a um amigo. Quando regressou uns anos mais tarde, quis retomar a regência, mas o amigo não esteve pelos ajustes. Perante a desfeita, resolveu criar uma nova banda, gerando com isso divisões, levando à saída de alguns elementos da banda originária. Decorria então o ano de 1881 (Cf. 1970, Joaquim Costa-Monografia de Resende, CM de Resende).
Ainda hoje, há quem considere que as duas bandas tiveram início nesta última data, visto ambas serem originárias da banda formada em 1840. A maioria assume, contudo, que “A Velha” foi criada em 1840 e “A Nova” em 1881, pois a primitiva banda nunca acabou. As respectivas designações (“A Nova” e “A Velha”) é que tiveram lugar no ano do “cisma”, ou seja, em 1881.

Viagem ao presente
Após a descida do Montemuro, em velocidade moderada, devido ao denso nevoeiro que se colava às ervas e arbustos, cheguei, como combinado, às 21h, à Casa do Povo. Deparei-me com jovens, carregando instrumentos musicais, que se dirigiam com o maestro d’ ”A Velha” para uma sala um tanto austera e desconfortável, onde iria decorrer um ensaio naquela sexta-feira. Pouco depois, chegou o presidente da direcção, Henrique Francisco, que é o coordenador da distribuição postal de Resende. Revelou-se um conversador nato. O diálogo decorreu sobre chuva intensa, numa sala da cave, onde têm lugar os ensaios da escola de música. Estava também presente o Sr. José Pinto, tesoureiro da banda e presidente da direcção da Casa do Povo. Com 78 anos, é a história viva da banda, pois é músico desde os doze anos e pertence aos órgãos directivos há trinta.
No dia seguinte, sábado, às 21h45, ao aproximar-me do pavilhão pré-fabricado, onde funcionou a tele-escola, já eram bem audíveis os sons dos vários instrumentos. Decorria então o ensaio da orquestra d’ “ A Nova”, numa sala sem condições para o efeito. A conversa com o presidente da comissão administrativa, António José Pereira Cardoso, teve lugar no pequeno átrio de entrada, sendo “obrigado” a escrevinhar em cima do assento de uma cadeira. Tinha preparado um pequeno dossiê, que me entregou após nos cumprimentarmos. Construtor civil, está nos antípodas da imagem que habitualmente temos desta classe empresarial. Pareceu-me um homem discreto e muito preocupado quanto à veracidade dos factos e exactidão dos dados e números.

Elementos comuns
Ambas as bandas apostam na formação de crianças e jovens. Mantêm, por isso, escolas de música, sendo ambas subsidiadas pela Câmara Municipal por igual montante mensal (€100,00). O ensino é gratuito, assumindo as bandas todas as despesas com a aquisição de instrumentos e fardas. Como curiosidade, refira-se que os monitores integram as respectivas bandas e frequentam cursos de música em estabelecimentos da especialidade, fora do concelho.
Vocacionadas para determinadas públicos e eventos específicos, autonomizaram orquestras ligeiras, sendo cada uma constituída por cerca de 20/25 elementos.
Muitos dos alunos das escolas de música e todos os componentes das orquestras integram as respectivas bandas, que nos habituámos a apreciar nas festas e romarias das nossas aldeias. O número de executantes anda à volta de cinquenta, variando as idades entre os 9 e os 70 anos. Cerca de metade é constituída por estudantes.
O número de contratos/saídas é equivalente: cerca de 30 por ano. Fazendo-se valer dos seus pergaminhos e qualidade, nenhuma festa é ajustada por menos de €2.000,00. Em Agosto, este valor pode chegar aos €2.500,00 e mesmo aos €3.000,00.
Relativamente às ajudas de custo, pagas aos músicos nestas deslocações, o intervalo dos respectivos montantes é semelhante: varia entre os €15,00 e os €50,00.
Ambas as bandas têm dificuldade em manter as contas equilibradas. Torna-se, por vezes, necessário o recurso a empréstimos de sócios ou gente amiga. As despesas são muitas: aquisição de fardamento, instrumentos musicais e partituras, seguros, subsídios a maestros, transportes, arranjos de material, manutenção das escolas de música, gastos com o autocarro, entre outras. Para lhes fazer face, cada banda só pode contar com as receitas dos contratos/saídas para festas, quotas dos associados e pequenos donativos. À excepção da Câmara Municipal que tem concedido a cada uma um subsídio à volta de €5.500,00/€6.500,00, não tem havido qualquer outra entidade oficial que tenha puxado os cordões à bolsa para este efeito.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Cultura etimológica

A leitura do artigo de Anselmo Borges no DN de ontem, em torno dos sentidos da experiência, é também uma lição de étimos e de semasiologia (link).

domingo, janeiro 07, 2007

E por último, o presépio da igreja de Paus

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Quem diremos nós que viva!

Quem diremos nós que viva,
No grãozinho do arroz?!
Vivam senhor's e senhoras,
Por muitos anos e bôs!

Viva o filhinho mais novo...
Quando põe no seu chapéu,
Põe-no no meio da sala,
Parece um anjo do Céu.

Quem diremos nós que viva,
Na folhinha do codesso?!
Viva a menina mais velha,
Qu'eu por nome não conheço.

(Cantiga de Reis, originária de Fazamões/Paus, "Cancioneiro de Resende")

Nota: Estão de parabéns os/as "obreiros/as" do presépio da minha terra, pois, ao contemplá-lo, conseguiu despertar em mim a mesma magia de antigamente.

sábado, janeiro 06, 2007

Presépio da capela de Sta. Catarina/S. Martinho de Mouros

Adorai o Deus Menino

Adorai o Deus Menino,
Adorai-o com profundo;
Antes que o bídeis pobre,
É Senhor de todo o mundo.

Vamos dar as bôs festas,
A estes nobres senhores,
É nascido o Deus Menino,
Em belém, entre os pastores.

Esta noite é bem feita,
Defronte tem uma guia:
A Virgem Nossa Senhora
Que a traz na companhia.

Noite ditosa,
Cheia de amor,
Já é nascido
O Redentor!

(Canção de Reis originária de Cavalhão/S. Martinho de Mouros, "Cancioneiro de Resende")

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Presépio da igreja de Felgueiras

Ó da Casa Nobre Gente!

Ó da casa, nobre gente,
'Scuitareis e ouvireis:
As portas do Oriente
São chegados os três Reis.

Os três Reis são três c'roados,
Vinde ver quem nos c'roou
E mais quem nos ordenou
No vosso santo caminho.

Mandarem por uma estrela,
Que l'ensinasse o caminho,
A estrela foi pousar
Ao alto duma cabana...

A cabana era pequena,
Não cabiam todos três,
Adoraram o Deus Menino,
Cada um por sua vez.

No incenso, é Deus imenso,
No oiro, é Rei chamado,
Na mirra, se representa
Qu'há-de ser cruceficado.

Já escurecem nos baixos,
Amanhecem nos oiteiros;
Vivam os homens honrados,
Fidalgos e cavalheiros.

(Cantiga de Reis originária de Felgueiras, Cancioneiro de Resende")

Incêndio em casa de S. João de Fontoura

Cerca das 14h30 de ontem, deflagrou um incêndio numa casa antiga de Nadais de Baixo/S. João de Fontoura, deixando desalojados quatro homens de origem romena (link).

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Presépio de S. Martinho de Mouros

É o único presépio do concelho, que se encontra na rua, em espaço aberto ( nas escadas da igreja do Senhor do Calvário). São as nossas tradições e a linguagem original do Natal à vista de todos.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Presépio da igreja de Miomães

Ó Meu Menino Pequeno!
(Cantiga de "engalhar" meninos)

Ó meu menino pequeno!
Todos te chamam pequeno,
Só para mim és tão grande
Pelo amor que te tenho!

O meu menino é d'oiro,
É d'oiro e doiradinho;
Hei-de entregá-lo ao Senhor,
Não quero mais ter menino!

(Canção originária de Miomães, "Cancioneiro de Resende")

terça-feira, janeiro 02, 2007

Troca de pontos de vista entre Anselmo Borges e Joana Amaral Dias

O nosso conterrâneo Anselmo Borges e Joana Amaral Dias trocam, no Diário de Notícias de hoje (não acessível por via electrónica), pontos de vista em torno de diversas questões.

Presépio da igreja de Ovadas


Nana, Nana, Meu Menino
(Cantiga de "ingalhar" as crianças)

Nana, nana, meu menino,
Qu'a mãezinha logo vem,
Foi lavar os teus paninhos
À fontinha de Belém.

Nana, nana, meu menino,
Nana, qu'eu nano também;
Quem seu menino imbela,
Já quer qu'ele druma bem.

(Canção originária de Ovadas de Cima, "Cancioneiro de Resende")

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Presépios da Santa Casa da Misericórdia



Felizmente, ao contrário de outra grande instituição de Resende (os bombeiros em cujas instalações não foi feito nenhum presépio), a Santa Casa da Misericórdia tem vários (capelas, recepção do hospital, corredor do lar de idosos...), embora aqui se apresentem apenas três. São múltiplas facetas e expressões do Natal e do seu imaginário.

domingo, dezembro 31, 2006

Presépios do Seminário de Resende


E porque hoje é domingo, Anselmo Borges escreve no DN sobre o Ano Velho, Ano Novo (link).

sábado, dezembro 30, 2006

Presépio da capela da Granja/Ovadas

Vamos à Santa Missa

Vamos à Santa Missa,
Vamos assestir a ela;
Com sacrefiço d'amor,
Desce Deus do Céu à Terra.

Menistro de Santuairo,
Já lá vem da sancrestia;
Está minh'alma contrebada,
Vinde-le dar alegria.

Sançardote do Denhor,
Já lá vai para o altar;
Sagradas são vossas mãos,
Donde Jesus vai pusar.

Quem me fora pomba branca,
Tivera asas e voara...
Voaram inté à glória,
Que lá no Céu Vos louvara.

(Canção originária de Ovadas de Cima, retirada do "Cancioneiro de Resende)

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Presépio da igreja da Panchorra

Vamos "Vê-la" Barca Nova

Vamos vê-la barca nova,
Que fizeram nos pastores;
Nossa Senhora vai nela,
Os anjos são guiadores.

Nossa Senhora faz meia,
O fio é feito de luz,
O novelo é lua cheia,
As meias são p'ra Jesus.

Vamos dá-la espedida,
Dela dada, vou-m'embora,
Que se 'stá fazendo tarde
Pera quem tão longe mora.

As espedidas seja dada,
Dada seja a espedida;
Estes Reis que nos deram,
No Céu seja agardecida.

(Canção originária da Panchorra, retirada do "Cancioneiro de Resende")

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Presépio de Feirão
















Lá na Noite de Natal...


Lá na noite do Natal,
É uma noite d'alegria;
Caminhava S. José
E mai-la Virgem Maria.

Caminhavam p'ra Belém,
Para lá chegar com dia;
Quando a Belém chegaram,
Já meia-noite seria.

Era tamanha a desgraça,
Que nem um panal havia!
Desceu um anjo do Céu à Terra,
Lindos panais trazia.

Tornou a subir ao Céu,
Cantando a Aleluia,
Lá no Céu le perguntaram
Como ficou lá Maria.

A Maria ficou boa,
Numa sala recolhida,
As paredes eram d'oiro,
As portas de prata fina.

Qual seria o "lavrador"
[Que] tanta prata lavraria?
Foi nosso Redentor,
Filho da Virgem Maria.

Quem diremos nós que viva?
Nós não queremos ficar mal...
Vivam pequenos e grandes,
Vivam todos em geral.

(Canção originária de Feirão, retirada do "Cancioneiro de Resende)

Presépios de igrejas e capelas de Resende

Cada vez mais, o Natal é uma festa secularizada em que os símbolos são o pai natal e a árvore de natal. Por exemplo, só cerca de 14% de franceses acham que esta festa é sobretudo religiosa. Por isso, os presépios são cada vez mais afastados das casas particulares e dos espaços públicos, sendo remetidos para os espaços de culto. Mas é bom que convivam com todos, incluindo não praticantes, agnósticos e ateus, para que o Natal não desemboque numa efeméride totalmente profanizada. Infelizmente, ao percorrer algumas igrejas e capelas do concelho numa visita a presépios, cujas fotos aparecerão a partir de hoje neste blogue, tomei conhecimento que a concepção e arranjo de alguns não envolveram a participação de crianças e jovens da comunidade.
Sobre este percurso, gostaria de acrecentar duas notas: i) as pessoas mostraram-se muito ciosas do seu património, pois, por precaução, acompanharam-me sempre, exceptuando o caso de alheamento de um jovem que se manteve imperturbável ao ver-me abrir a porta da igreja (as chaves encontravam-se na mesma); ii) foi um pretexto, em pleno inverno, para ver casas de colmo, vários canastros, muitas levadas de água pela serra abaixo, alguns pastores e bastante gado e, sobretudo, para revisitar a ponte velha sobre o rio Cabrum (ligando Covelinhas a Ovadas) e a torre da Lagariça, destacadas aqui em fotos. Algo que só um passeio permite.
A partir de hoje, neste blogue, será reproduzida uma foto de vários presépios de igrejas e capelas do concelho, acompanhada de uma cantiga de Reis originária da respectiva localidade e retirada do "Cancioneiro de Resende".

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Outro Natal

Para reviver outras paisagens, cheiros e sabores, estou de regresso de uma viagem relâmpago à nossa terra. Ontem, às 11h, estava a chegar à zona de S. Cristóvão, onde, à volta, ainda havia muito codo e "candeias" de gelo em forma fálica.
Na descida para o vale, pela visibilidade dos fumos a sair da chaminés, não havia dúvidas que as lareiras crepitavam.
À tardinha, o P. Tomás juntou na capela de S. Gonçalo a pequena comunidade das Quintãs, onde, em celebração, todos reviveram o legado essencial daqueles que nos precederam, ficando mais revigorados os elos de amizade e de vizinhança.
À noite, esperavam-me, como aperitivo, umas moiras que valeram bem uma longa viagem, e que as "glândula gustativas" reconheceram como únicas. Todas as outras são moiras abastardadas.
Hoje de manhã, fiz a vontade à minha costela rústica, entregando-me à poda. Depois, foi almoçar, ida ao café e o ritual da despedida, ficando a preocupação pelo estado de saúde da D. Adelaide (ataques permanentes de asma).
E enfim, a viagem de regresso, com passagem no Montemuro, pelas 17h, onde assisti a um deslumbrante pôr de sol de inverno.

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Aventuras em torno do pinheiro de Natal

Cá em casa, os mais novos exigem um pinheiro "descomunal", que chegue pelo menos ao tecto. Este ano, atrasei-me na encomenda. Perante a minha desolação frente a uma espécime de pigmeus, o fornecedor lá me foi dizendo que passasse dali a três dias. "Talvez ainda se arranje qualquer coisa". O que é certo é que, durante toda a semana, não pude por lá passar. Cheguei assim às vésperas de Natal sem o dito pinheiro. Mas ele não podia faltar. Muni-me de um pequeno serrote e pensei: amanhã de manhã, vou à procura do dito. Impus-me duas condições: ser um abate "fitossanitário" e discreto.
Passei junto ao primeiro pinhal, mas fui em frente, devido ao muito movimento de carros. Mais à frente, virei para uma estrada camarária, praticamente deserta, mas desisti, pois vi dois carros estacionados, cujos donos deviam ser caçadores. Deixei a zona, andei cerca de 5Km e encontrei novo pinhal. Virei para um "carreiro asfaltado" e pensei que era o local ideal para cometer o delito. Mas, passados uns 500 m, fui desembocar numa pequena aldeia. Nada feito.
Voltei para outra zona, cheia de pinheiros. E pensei: agora é que vai ser. Enfiei para uma estrada secundária e parei para observar o terreno. Quando já estava escolhido o pinheiro, aproximou-se um senhor de motorizada com cara de poucos amigos. Cheguei a recear o pior. Desisti e meti por outra estrada. Outro azar. Deparei com um grupo de homens a pedalar em passeio matinal. Esperei. Agora, era uma patrulha de escuteiros em manobras. Achei que já era demais e resolvi voltar para casa. Desanimado.
Pelo caminho, pensei: estás a ser um cobardolas. Tinha de aparecer em casa com o pinheiro. Lembrei-me então que tinha passado por um sítio com entulhos, onde estava escrito: "vende-se terreno". E cogitei: é o local ideal. Pus-me a caminho. Chegado ao cenário, paro, saio da estrada, estaciono junto ao entulho e observo à volta. Vejo um carro parado que, perante a minha presença, se pôs em andamento. Hesitei: estará a espiar-me? Mas estava decidido. Fui escolher um pinheiro tosco. Serrei-o, pu-lo na carrinha e liguei a ignição. Contudo, a surpresa final estava para vir. Estaciona um carro ao meu lado e pensei: agora é que estou mesmo f... Abri o vidro e perguntei "o meu amigo precisa de alguma coisa? Ao que ele me responde: "não; estacionei por causa de atender um telefonema".

domingo, dezembro 24, 2006

Porque é Natal

Aqui (link) se deixa o convite para uma visita ao site da diocese de Lamego, ficando, assim, a conhecer a mensagem de D. Jacinto Botelho a propósito desta quadra.
Em registo de reflexão, Anselmo Borges escreve no DN de hoje sobre o Natal de Jesus, Natal do Homem (link).

sábado, dezembro 23, 2006

O imaginário do presépio e das canções de "imbelar"

O presépio, cá em casa, sempre teve um papel importante, havendo a preocupação para que fosse obra de todos, sobretudo dos mais novos. A começar pela apanha do musgo até ao retoque final, mesmo que não resultasse em obra-prima.
O modo como se constrói o imaginário pode influenciar o rumo de uma vida. A luz pode sempre acender-se, indicando caminhos.
O presépio é a representação de uma história fantástica, a realização do maravilhoso na pessoa de um Menino, a tentativa mais conseguida da humanização de Deus, que nos era recontada nas cantigas de imbelar, como esta (a seguir reproduzida), originária de Córdova/Paus, que ainda ecoa no nosso imaginário.
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O Menino vai no berço
.
O menino vai no berço,
Embrulhado no cobertor,
Os anjinhos vão cantando:
Louvado seja o Senhor!
.
Os meninos estão no berço,
Embalando S. José,
Os anjinhos vão cantando:
"Glória Pátria Dominé"!
.
O meu menino Jesus,
Capitão da Santidade,
Divino Embaixador
Da Santíssima Trindade!
.
Ó meu menino Jesus,
Que tendes na mão, que cheira?
A camisa do menino,
Que veio da lavadeira.
.
(Do Cancioneiro de Resende, compilado por Vergílio Pereira, 1957)

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Moleira, Linda Moleira!

Moleira, linda moleira,
Ai! feiticeira, linda felor!
Ai! quem me dera
Pressui-lo seu amor!

Vós chamais-me paneleiro,
Ai, panelas ando vendendo;
Não há vida sem contrato,
É mundo, vamos vivendo...

Se chegar a ter amores,
Ai! há-de ser c'um paneleiro;
Ao sábado, coze a louça
E ao domingo tem dinheiro.

(Canção originária de Fazamões-recolha de Vergílio Pereira, Cancioneiro de Resende)

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Em conversa com "O Diabo", Anselmo Borges põe tudo em pratos limpos

Numa notável entrevista, concedida ao semanário "O Diabo", que a seguir se reproduz, Anselmo Borges pronuncia-se sobre o Natal e alguns temas candentes envolvendo a Igreja e o Mundo.
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O Natal transformou-se numa festa pagã sem qualquer significado religioso?

Não seria tão radical. Ainda há algumas referências de tipo religioso. Julgo que a maioria das pessoas ainda sabe que o Natal está relacionado com o nascimento de Cristo e há mais solidariedade nesta época.

Mas o consumismo desenfreado e a indiferença ética não têm desvirtuado o sentido da celebração do Natal?

Aí é que reside o problema. De facto, há uma concentração quase total nos presentes com espavento e no consumo. Desgraçadamente, não é só no Natal, pois trata-se de uma espécie de estado de espírito: o importante é ter e consumir. As novas “catedrais” são os hipermercados e as “capelas” são as lojas de luxo. Ora, Jesus foi tremendamente exigente em relação à riqueza não solidária: “Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro”.

Então, as pessoas não reflectem sobre o verdadeiro significado desta data...

Pelo menos, reflectem pouco. O Natal diz que Deus se manifestou em corpo e que, portanto, o ser humano deve ser respeitado em corpo. Ora, o corpo continua muito menosprezado: há um culto do corpo que revela algum mal-estar em relação a ele. Depois, o Natal mostra que mais importante do que o ter é o ser. Ora, como já disse, há uma concentração no ter e no consumismo. O Natal significa humildade e discrição – Deus manifestou-se de modo discreto numa manjedoura. Ora, nós hoje vivemos obcecados pelo aparecer e pela competição.

Quais são os seus maiores lamentos e preocupações nesta época?

Não sou muito de lamentações. Não começo, pois, por lamentos, porque, seja como for, quando a gente compara o nosso tempo com aqueles tempos em que se pensa que o cristianismo estava mais presente, temos de constatar que hoje há mais justiça social, já não há escravatura legal, as mulheres vão acedendo à igualdade de direitos.
Mas realmente esta é uma época em que grassa o egoísmo. A mim o que mais me preocupa é a banalidade rasante e a obturação das grandes perguntas pelo Humano e pelo sentido da existência.

O alheamento das pessoas em relação à Igreja acaba por representar um desafio para a instituição?

Devia representar. Mas com esta salvaguarda: o decisivo não é a instituição, mas as pessoas. A Igreja não existe para si, mas para servir os serres humanos. Deus não se revelou para que lhe prestemos culto, mas para que nos amemos e nos interessemos uns pelos outros e nos ajudemos a realizar a humanidade de todos, a começar pelos mais abandonados.

Nesta área, as igrejas e os seus chefes religiosos estão a fazer tudo o que podem para combater esta indiferença? Ou podem reconhecer alguma culpa neste afastamento?

Julgo que podem e devem. Fundamentalmente, porque, em vez de se anunciar o Evangelho, notícia boa e felicitante, prega-se muitas vezes um “Disangelho”, como dizia Nietzsche, isto é, um Deus que é uma má notícia. Há falta de abertura às questões – por exemplo, o preservativo, para evitar um contágio ou uma gravidez não desejada, há muito que não deveria constituir problema.

Quais são os maiores desafios que enfrenta o cristianismo nos dias de hoje para poder alterar os valores próprios desta sociedade consumista?

Os maiores desafios do cristianismo são os desafios lançados à humanidade em geral. Para enfrentá-los, os cristãos precisam, em primeiro lugar, de dar testemunho de uma humanidade boa, justa e feliz. Isto significa que as comunidades cristãs devem assentar em três pilares: fé reflectida, caridade-justiça, celebrações litúrgicas belas e iluminantes.

E a Igreja católica?

Será necessário, contra um centralismo teocrático, abrir-se à participação de todos; face a um clero envelhecido e muitas vezes desiludido, inventar outro tipo de líderes das comunidades; as mulheres devem ocupar o seu lugar em igualdade com os homens. Mas, claro, sem fé esclarecida, sem amor e sem mística, sem experiência do Deus vivo, não há cristianismo.

No seu texto para o Dia da paz, Bento XVI vai alertar para os dramas da Humanidade que ameaçam a paz e que colocam em risco o futuro das novas gerações. Na sua opinião, quais são esses dramas?

A guerra, o terrorismo, a multiplicação de países com armamento nuclear, o não respeito pelos direitos humanos, a incapacidade de diálogo entre culturas e religiões, o capitalismo neoliberal, o comércio de armas, a droga, a prostituição, a poluição, o perigo do mau uso das biotecnologias e da Internet, o fosso crescente entre os muito ricos e os muito pobres.

O que pensa da recomendação da Comissão Nacional de Eleições (CNE) para que “todas s manifestações gráficas e escritas que possam influenciar a forma como se vota”, nomeadamente símbolos religiosos, sejam retirados das assembleias de voto no dia 11 de Fevereiro?

Compreendo e aceito.

A Igreja deve participar activamente na campanha pelo “não” à despenalização do aborto ou deve abster-se?

Se por Igreja entender a chamada Igreja hierárquica, acho que ela deve anunciar claramente a sua doutrina sobre o assunto. Mas não estou a ver os bispos e os padres em manifestações de rua. A Igreja dirige-se fundamentalmente às consciências. Se por Igreja entender os fiéis católicos, digo-lhe: deverão agir de acordo com as suas convicções.

A maioria das mulheres portuguesas pretende votar a favor da despenalização do aborto no referendo de 11 de Fevereiro, de acordo com um estudo realizado pela Associação para o planeamento da Família (APF). Se o sim vencer, acha que vão acabar os abortos clandestinos?

Ninguém sabe se a maioria das mulheres vai votar a favor. Mas, se o sim vencer, não creio que os abortos clandestinos acabem, e as razões são várias: sentimento de culpa, algum estigma social...

Os católicos não serão recriminados se votarem ou se estiverem contra a doutrina da Igreja?

O voto é secreto e é doutrina comum da Igreja que a suprema instância moral é a consciência informada e bem formada.

Um mundo mais justo e uma sociedade sem pobreza e miséria é provavelmente um desejo unânime. Que balanço faz das políticas implementadas por este Governo concretamente ao nível da saúde, da educação, da solidariedade social?

Espero que não espere de mim um Programa de Governo. Eu não tenho a solução para tantos e gigantescos problemas, concretamente no quadro da globalização. Começo por dizer-lhe que julgo que a política é uma actividade nobre e tenho consideração pelos políticos que se dedicam à causa pública e ao bem comum. Como é evidente, não estou, com isto, a canonizar todos os políticos.
Indo à sua pergunta, penso que este Governo tem de modo geral tentado tomar algumas medidas urgentes e necessárias. Mas penso também que algumas poderiam ser mais bem negociadas: refiro-me nomeadamente ao nível da educação, onde é necessário um clima menos tenso.

Acha que este Governo tem contribuído para a justiça social? Tem havido preocupação com os mais desfavorecidos?

Aí é que está a questão. Penso que era Bismarck que dizia que com as Bem-aventuranças do Evangelho não conseguia governar a Prússia. Eu percebo isso, porque a política é a arte do possível. A política tem de harmonizar a eficácia e a justiça, e essa harmonização é muito complexa. Mas é evidente que é no sentido dessa harmonização que é preciso caminhar. As estatísticas dizem que Portugal é o país da União Europeia onde as assimetrias sociais mais se têm acentuado. É uma vergonha para nós todos enquanto cidadãos que haja dois milhões de pobres e duzentas mil pessoas com fome. Embora veja que há algumas pequenas tentativas de preocupação com os mais desfavorecidos, acho que temos de exigir eficácia no plano
económico-financeiro, mas sem abandonar os pobres e os velhos à miséria, concretamente no domínio da saúde e da segurança social.

terça-feira, dezembro 19, 2006

O último a sair que desligue a luz

Na semana passada, fui a algumas escolas do 1.º ciclo, muito próximas de Viseu. Escolas com muitas crianças, felizmente. E com uma característica comum: aumento de alunos com hiperactividade.
In illo tempore, havia três inibidores da hiperactividade: i) o longo percurso a pé de casa à escola, com o consequente desgaste de energias; ii) a autoridade inquestionável dos professores e iii) as refregas nos recreios. Os problemas disciplinares eram inexistentes. As aulas e as aprendizagens eram moduladas pela presença da palmatória.
Tempos passados em escolas já fechadas. Cujas memórias foram vandalizadas (algumas), como a das Lajes, retratada aqui. Espera-se que a documentação das recentemente encerradas, no concelho, seja devidamente tratada e arquivada. E que desliguem a luz, pois , segundo parece, ainda não foram dadas ordens à EDP para o fazer.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

G. D. Resende na frente

No passado fim de semana, o G. D. Resende derrotou o Farminhão por 5-1, continuando a liderar o grupo da 2.ª divisão distrital, com 26 pontos.

domingo, dezembro 17, 2006

"Qual é o Deus do Mediterrâneo?"

No passado dia 1, enquanto Bento XVI voava de Istambul para Roma, depois da sua visita à Turquia, estava a realizar-se, em Santa Maria da Feira, o V Simpósio "Sete Sóis Sete Luas", que teve como tema: "Qual é o Deus do Mediterrâneo?" Foram conferencistas Salman Rushdie, Cláudio Torres e eu próprio.
Anselmo Borges, aqui ao lado de Salman Rushdie ( sobre quem impende uma fatwa lançada pelo ayatollah Kohmeini), inicia assim o artigo no DN deste domingo, desenvolvendo o tema debatido no Simpósio acima referido. Link para a leitura do artigo.

sábado, dezembro 16, 2006

Verrina e troça nas vessadas

O rancho das Lajes
Dança o tiroliro
Traz no cimo do andor
Os c... ões do Palmiro

quinta-feira, dezembro 14, 2006

5.º aniversário do Douro como Património Mundial

Faz hoje 5 anos que a UNESCO declarou a região do Douro vinhateiro como Património Mundial. Foi o reconhecimento da identidade de uma paisagem, cultura e vinho, numa homenagem às sucessivas gerações que erigiram esta região como monumento único.
É obrigação preservarmos esta herança.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Matança do porco

Há dias, fui convidado para as exéquias da matança de dois porcos.Chegado ao local do crime, os bichos já repousavam em paz. Tudo feito segundo os cânones tradicionais, excepto a chamusca, que foi de maçarico.
O almoço foi lauto. Fartíssimo. Confeccionado ao lume, em potes de ferro e, no forno, em caçoilas de barro. Não faltou o imprescindível salpicão do paio.
Os convivas eram 24. Em Moumiz, cultivam-se afincadamente os laços familiares. Uma gratidão especial ao Sr. Aníbal, patriarca da família, e à Sra. Cecília Costa, um hino à simpatia. Meritíssimos donos dos bichos e responsáveis pelo repasto e convívio.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Mais escolarização e aquisição de habilitações para jovens/adultos

Já se encontra constituído, no âmbito dos Cursos EFA-EDUCAÇÃO E FORMAÇÃO DE ADULTOS, o CRVCC (Centro de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências), em funcionamento no Agrupamento Vertical de Escolas de Resende.
Assim, quem tem:
-mais de 18 anos e sabe ler e escrever...
-ao seu ritmo de aprendizagem...
-pode obter as habilitações pretendidas em horário pós-laboral (a combinar)...
- e tirar o 4.º ano (1.º ciclo) ou o 6.º ano (2.º ciclo).
Ninguém pode perder esta oportunidade.
Para mais informações, dirija-se à Sede do Agrupamento ou ligue para: 254 877 783/965 483 107/914 577 381.
Pode ainda falar pessoalmente com o Prof. Rui Rebelo, coordenador destes Cursos. Profissional muito empenhado, está facilmente contactável, pois dá aulas de natação às crianças do 1.º ciclo.
Pede-se a todos os responsáveis locais (dirigentes associativos, presidentes de junta e párocos...) que difundam esta iniciativa.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

G.D. de Resende no comando da 2.ª divisão

Com a vitória por 1-0 em Abraveses, o G.D. de Resende alcandorou-se ao primeiro lugar da 2.º divisão distrital.

domingo, dezembro 10, 2006

Anselmo Borges em Paus e no DN

Anselmo Borges passou este fim de semana em Paus (já cá tinha estado na semana anterior), tendo celebrado a missa do dia 8 na igreja paroquial. Além de desfrutar da amizade da família e dos conterrâneos, teve ainda ocasião de saborear, à lareira, as primícias provenientes da desmancha de um porco "recém-abatido". Por isso, há lugares a que se volta sempre.

1.º nevão na serra de Montemuro

A serra de Montemuro acordou ontem com um manto branco de neve. A estrada Bigorne/S. Cristóvão/Resende chegou a estar encerrada ao trânsito.
Hoje, de acordo com informação prestada às 14h15 pela GNR de Castro Daire e Resende, devido ao sol, que derreteu grande parte da neve, já é possível circular de automóvel.
Como caiu gelo durante a noite, é necessário aumentar a cautela nos sítios não expostos ao sol.

sábado, dezembro 09, 2006

Memórias de chuva e do outono

Vivi os dias de chuva como potenciadores de mais água. De mais vida. Apesar do incómodo, as pessoas viam na chuva a possibilidade de assistir às nascentes das águas e ao aumento dos caudais. Nunca ouvi dizer "já é chuva a mais". Mas antes "vem no tempo dela" ou "a chuva é oiro". Desde que descesse mansinha, era vista como uma benção.
Há dois acontecimentos que marcaram a minha memória dos grandes invernos. O nascimento do rio Celós (acima de Sta. Eulália/S. Martinho de Mouros) e a alegria pelo nascimento da água da Mó.
Como dantes, sinal da fecundidade da terra, estes dois nascimentos já ocorreram este ano.
Os soutos, cobertos de folhas, são uma imagem de marca dos meus outonos.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Novo Bispo de S. Tomé frequentou o Seminário de Resende

D. Manuel António Mendes dos Santos, natural do concelho de Castro Daire e recentemente nomeado Bispo de S. Tomé e Príncipe, frequentou o Seminário de Resende de 1971 a 1976. Já, no Seminário Maior de Lamego, veio a ingressar na Congregação dos Missionários Claretianos (link).

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Exposição de Cerâmica

No Posto de Turismo de Resende, encontra-se patente ao público, até ao próximo dia 23, uma exposição de Lurdes Gomes, designer gráfica e ceramista. Nascida na Penajóia, veio aos 11 anos viver para Barrô, prosseguindo os seus estudos em Resende. Mais tarde, foi estudar para o Porto, onde concluiu o curso de estilismo. Posterirmente, ingressou na Escola Artística de Artes Decorativas Soares dos Reis, onde enriqueceu os seus conhecimentos na área da cerâmica.
Nesta exposição, há oportunidade, entre outros aspectos, de admirar peças em porcelana pintadas à mão, bem como peças em argila (toscas), moldadas através de várias técnicas.

quarta-feira, dezembro 06, 2006

O maior investimento de sempre no concelho

Com um investimento de 45 milhões de euros, terá início ainda este ano a construção do parque eólico, que ficará instalado na zona de Feirão e Panchorra, constituindo o maior investimento de sempre no concelho de Resende (ver mais aqui e aqui).

segunda-feira, dezembro 04, 2006

"Como sabem os crentes que Deus falou?"

Devido ao interesse do tema, reproduz-se, na íntegra, o artigo de Anselmo Borges no DN de ontem, domingo, a que, excepcionalmente, não é possível aceder através da edição digital desse dia:

"É-me por vezes penoso ter de participar em certos debates sobre a fé e a ciência. Porque os cientistas têm frequentemente a ideia de que a fé tem a ver com umas crenças indiscutíveis, porque cegas, em coisas e “verdades” abstrusas, de tal modo que quanto mais abstrusas mais religiosas e a fé seria tanto maior quanto mais cega.
A culpa nem sempre é deles, mas dos crentes que passam essa ideia. Pensa-se, de facto, de modo geral, que as religiões caem do céu, havendo até quem julgue que Deus revelou directamente verdades nas quais é preciso acreditar sem razões.
Ora, não é assim nem pode ser. Tudo o que é autenticamente religioso é resposta humana a questões e perguntas profunda e radicalmente humanas. Resposta verdadeiramente humana. A sua especificidade reside no facto de estar relacionada com Deus. Assim, um texto religioso tem sempre na sua base uma interpretação humana da realidade, da única realidade que há, comum a crentes e a não crentes. O que se passa é que o crente tem a convicção de que a realidade se não esgota na sua imediatidade empírica, e essa convicção não surge porque é crente, mas porque a própria realidade, para a sua compreensão adequada, lhe aparece incluindo uma Presença que não se vê em si mesma, mas implicada no que se vê. Mediante certas características -- a contingência radical, a morte e o protesto contra ela, a exigência de sentido --, a própria realidade se mostra implicando essa Presença divina como seu fundamento e sentido últimos.
Assim, como escreve Andrés Torres Queiruga, na estrutura íntima do processo religioso, “não se interpreta o mundo de uma determinada maneira porque se é crente ou ateu, mas é-se crente ou ateu porque a fé ou a não crença aparecem ao crente e ao ateu, respectivamente, como a melhor maneira de interpretar o mundo comum”.
A fé, no seu nível próprio, tem razões, de tal modo que está sujeita à verificação. Há Teologia, precisamente porque a fé exige o debate público. Aí, o agnóstico dirá que não vê razões para poder decidir-se. O ateu julga que as razões contrárias são mais fortes e, por isso, não crê. Para o crente, a “hipótese religiosa” é a que melhor esclarece as experiências e questões radicais postas pela realidade e pela existência: a contingência, as perguntas últimas pela vida e pela morte, a esperança, a exigência ética, o sentido da História.
A partir de uma experiência religiosa de fundo por parte do profeta ou do fundador religioso, desencadeia-se um processo vivo de aprofundamento, depuração e tentativas de maior compreensão da relação com o Divino, que dá origem a tradições religiosas ou religiões que acabam por sedimentar ou cristalizar em livros sagrados, considerados “revelados”.
Esse carácter “revelado” dos textos aparece de facto mais tarde, quando, mediante a reflexão, as gerações seguintes concluem que afinal aquela descoberta da presença de Deus na realidade foi possível porque o próprio Deus estava desde sempre a manifestar-se nela e a tentar dar-se a conhecer. O profeta ou o fundador descobriram o que Deus quer revelar a todos.
Assim, os novos crentes não aceitam a verdade da fé por via autoritária. Eles próprios a comprovam. Paradoxalmente, é o que acontece no domínio científico: todos tinham visto as maçãs a cair, mas só Newton “caiu na conta” da lei da gravidade; porém, uma vez descoberta, todos a aceitam, não por causa de Newton, mas porque todos podem comprová-la.
Andrés Torres Queiruga, o teólogo que de modo mais penetrante tentou esclarecer esta questão, chamou a esta compreensão “maiêutica histórica”. Sócrates chamou maiêutica ao seu método de descoberta da verdade: como a sua mãe, que era parteira, ajudava a dar à luz os bebés, assim ele ajudava os seres humanos a dar à luz a verdade de que estavam grávidos. Na verdade religiosa, há os profetas e os fundadores das religiões, que foram os primeiros a tomar consciência da verdade. Mas, após essa descoberta, ouvindo-os e acompanhando-os, outros se podem dar conta por si mesmos da mesma verdade.
Portanto, Deus manifesta-se, mas nunca directamente, sempre e só indirectamente. Jamais alguém viu ou falou directamente com Deus. Por isso, os livros sagrados não são um ditado divino – são Palavra de Deus em palavras humanas. Quer os seus autores quer os seus leitores escreveram e lêem com uma pré-compreensão, isto é, no quadro de pressupostos históricos e culturais, interesses e expectativas. Portanto, a sua leitura nunca pode ser literal, pois implica sempre uma interpretação."

Mais uma vitória

Neste fim de semana, o G.D. de Resende. venceu, em casa, o Maiorense por 6-0.

domingo, dezembro 03, 2006

Domingo chuvoso

A chuva, hoje, não deu tréguas, mesmo na apanha de diospiros e outros mimos.
Era este o caudal do ribeiro, que passa sob a ponte Cavalar, às 15h30 de hoje, em altura de chuva intensa.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Pontos de vista

Somos férteis em "decretar" traumatismos em crianças, disfuncionalidades em famílias e solidão nos mais velhos. Mais patente nestes, quando saiem de casa e se sentam em bancos de jardins. Caso as pessoas (velhas ou não) vão para uma esplanada ou para um café "passar o tempo", torna-se mais difícil a rotulagem de solidão. Preconceitos.
Este senhor da foto não está à espera de autocarro. Abriga-se do vento e do frio, algures no concelho, para melhor ver quem passa e apreciar o panorama. Como numa esplanada ou num café.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Anselmo Borges debate com Salmon Rushdie

No âmbito do festival Sete Sóis Sete Luas, irá decorrer, na Biblioteca da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, a partir das 15h de amanhã, dia 1, um debate com Salmon Rushdie, Anselmo Borges e Cláudio Torres sobre o tema "Qual é o Deus do Mediterrâneo?".
Será um dos grandes acontecimentos culturais da semana (aqui e aqui).

terça-feira, novembro 28, 2006

Cemitério de carros em Castro Daire

É da competência das Câmaras Municipais acabar com o triste espectáculo da multiplicação dos cemitérios de carros, obrigando os responsáveis à respectiva remoção.
Esta encosta, pejada de latas no sopé do Montemuro, bem visível da A24, é um atentado à natureza e a todos nós. Dizem que o proprietário desta sucateira tem mau feitio. E depois?

segunda-feira, novembro 27, 2006

G.D.R. na senda das vitórias

O Grupo Desportivo de Resende foi ganhar ao campo de Sant. Besteiros por 1-o.

domingo, novembro 26, 2006

Optimismo e pessimismo

Optimismo e pessimismo: a ambiguidade do mundo (link) é o título do artigo de Anselmo Borges no DN de hoje.

sábado, novembro 25, 2006

Parque fluvial de Porto de Rei submerso pelas águas

O parque fluvial de Porto de Rei (S. João de Fontoura) foi inundado pelas águas, devido às cheias deste fim de semana, que teve também consequências nas Caldas de Aregos.

sexta-feira, novembro 24, 2006

Cantiga recolhida em Ribeirada/S. João de Fontoura

Como, no próximo domingo, há um magusto com animação musical em S. João de Fontoura, reproduz-se abaixo uma canção, originária de Ribeirada, recolhida por Vergílio Pereira e que integra o Cancioneiro de Resende por si compilado (edição da ex- Junta de Província do Douro Litoral, 1957).
Ó laranja, ó laranja
Ó laranja, ó laranja,
Ó laranja, ó limão!
O pai quer, a mãe consente,
A filha não diz que não...
__________________
A filha não diz que não,
A filha só diz que sim;
Vem cá tu, ó rosa branca,
Criada no meu jardim.
__________________
Criada no meu jardim,
Criada no laranjal,
Vem cá tu, ó rosa branca,
Não te quero nenhum mal.
___________________
Criada no laranjal,
Criada na mesma terra,
Vem cá tu, ó rosa branca,
Os soldados, vão p'ra a guerra.
______________________
Os soldados vão p'ra a guerra,
Soldados p'ra a guerra vão;
Vem cá tu, ó rosa branca,
Amor do meu coração.
______________________
Amor do meu coração,
Amor que já cá estivestes,
Se não estivestes mais tempo,
Foi, amor, que não quisestes...
_______________________
Foi, amor, que não quisestes,
Tiveste-la, ocasião...
Agora quer's, eu não quero,
Tenho minha prejunção.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Magusto em S. João de Fontoura no próximo domingo


A Junta de Freguesia de S. João de Fontoura irá realizar, no próximo domingo, a partir das 15h, um magusto, que irá decorrer no salão da Junta, propondo-se ser um convívio para todos os fontourenses, onde não faltará animação musical.

terça-feira, novembro 21, 2006

Sala de Apoio Permanente

Em reunião de Câmara de 17.10.2006, é referida a existência de uma Sala de Apoio Permanente. Sobre este assunto, gostaria de tecer os seguintes comentários:
1. A Sala de Apoio Permanente corresponde a um conceito ultrapassado dos anos 80/90 do século passado, em que a integração era ainda incipiente, sendo os alunos portadores de deficiência colocados numa sala, muitas vezes fora do estabelecimento de ensino, onde desenvolviam actividades específicas, podendo frequentar, de acordo com a natureza e gravidade da deficiência, disciplinas do currículo comum;
2. Actualmente, com o conceito de escola inclusiva, os alunos com necessidades educativas especiais acompanham os seus colegas, estando previstas medidas educativas para que o processo decorra nas melhores condições;
3. Caso a Sala de Apoio Permanente de Resende funcione em espaço fora da escola, a situação é ainda mais estranha, pois vai ao arrepio da legislação e das orientações em curso.

segunda-feira, novembro 20, 2006

7-1

Foi o resultado da vitória do GD Resende frente ao GD Calde.

domingo, novembro 19, 2006

sexta-feira, novembro 17, 2006

Ténis de Mesa em S. Martinho de Mouros

Decorreu, no pavilhão municipal de S. Martinho de Mouros, o torneio de abertura do campeonato distrital de ténis de mesa, cuja associação distrital tem sede nesta vila. Contou com a presença de 70 atletas de 10 clubes, entre os quais o Externato de Resende e os Bombeiros Voluntários de Resende.
A organização deste e de outros eventos reverte sempre positivamente para o concelho, pois abre janelas de oportunidades para o seu desenvolvimento humano e económico.
Para saber mais, clique aqui.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Parque eólico no Montemuro/zona de Feirão

Vai começar em breve a edificação deste parque eólico, em cujo empreendimento/sociedade gestora a Câmara de Resende terá uma participação de 15%. O projecto representa um investimento de 35 milhões de euros, prevendo-se a sua conclusão para 2008.
Umas das contrapartidas com consequências imediatas é a requalificação da estrada Resende/Ponte Cavalar, com ligação à A24, para cujas obras já foi aberto concurso público, prevendo-se também para breve a respectiva adjudicação.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Contrastes na serra de Montemuro

Vindos de S. Cristóvão, à entrada de Feirão, deparamos com este e outros montes de entulho. Logo a seguir, à direita, na encosta, vê-se uma casa acabada de construir e uma outra ainda em fase de construção.
Do acompanhamento e fiscalização de obras deveria fazer parte a prevenção e a verificação do cumprimento das normas ambientais.
Todos (residentes e visitantes) têm direito a desfrutar da natureza, livre de lixos. E os resendenses querem viver numa terra limpa, para assim a legarem aos seus filhos.
Depois de passar Feirão, felizmente, pude apreciar um rebanho a pastar tranquilamente, em simbiose com a serra, tal como vem sendo hábito desde tempos imemoriais.

domingo, novembro 12, 2006

Anselmo Borges

Escreve no DN de hoje sobre Religião e (in)felicidade (link).
Em 17 e 18, será um dos protagonistas num debate sobre a Mentira (link), que terá lugar na Fundação Eng. António de Almeida (Porto).

sábado, novembro 11, 2006

Homenagem póstuma ao último oleiro de Fazamões

O Rotary Club de Resende homenageou, no passado dia 31 de Outubro, o Mestre Joaquim Alvelos, que faleceu com 85 anos, em Dezembro do ano passado (link).
Infelizmente, a arte da olaria, com grande tradição em Fazamões-Paus, extinguiu-se com a morte deste grande artista, que projectou a nossa terra a nível nacional.
Esperamos que esta extinção seja temporária, pois estamos convictos que a actual jovem Junta de Paus e o Rancho (que tem também por missão não deixar morrer as nossas tradições) arranjarão herdeiros para esta arte.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Tempo de magustos

Em família ou em grupos mais alargados, neste fim de semana de S. Martinho, irão decorrer muitos magustos.
Entre outros, registamos:
1. Hoje, às 21h30, haverá um Magusto Solidário, no Celeiro de Aregos, promovido pelo Rotary Club de Resende, com música ao vivo (voz de Ana Maria Pinto), castanhas e bom vinho. A entrada por pessoa será de €5,00, revertendo a favor do Programa de Alfabetização e Cegueira Evitável.
2. Amanhã, dia 11, a Casa de Resende do FCP realiza o tradicional magusto, a partir das 20h00, que incluirá castanhas, vinho, pão e caldo verde, animado com fados.
3. Também amanhã, a Casa do Povo de Resende e a Junta de Freguesia de Resende promoverão um magusto, a partir das 15h00, havendo um concerto com os grupos Tony's Band e Resende em Marcha.
4. Por fim, no Domingo, dia 12, o Rancho de Paus dinamiza uma tarde de convívio, a partir das 14h30, junto da sede do mesmo, com a população local e amigos de outras freguesias. Não irão faltar febras, pão, vinho e as mais saborosas castanhas do concelho.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Comunicação de Vítor Borges sobre "Direitos humanos e a dignidade dos doentes pobres"

No âmbito do VII Encontro Nacional da APARF (Associação Portuguesa Amigos de Raoul Follereau), o Dr. Vítor Borges, nosso conterrâneo e advogado em Lisboa, proferiu, no passado dia 4 de Novembro, em Fátima, uma comunicação sobre o tema tão pertinente, embora fora de moda, dos "Direitos humanos e a dignidade dos doentes pobres". Pelo seu interesse, reproduzem-se alguns excertos.
"(...)
Para os cristãos não existe necessidade de qualquer declaração de direitos humanos, na medida que a dignidade de todos e cada um têm aquele fundamento e justifica-se por si.

A partir do racionalismo e do iluminismo europeu, a moral e a ética deixaram de poder ser fundamentados em convicções religiosas e, por isso, houve necessidade de, por outra via, relevar os direitos das pessoas, os chamados direitos humanos.

Como, desde o século XVIII, a sociedade se organizou com o princípio do império da lei, ou seja, todos são iguais perante a lei e todos devem obedecer às leis, foi necessário introduzir nos sistemas jurídicos ocidentais determinadas declarações de princípios positivos que salvaguardassem os direitos iguais das pessoas perante a lei.

A constituição americana (antes, a Magna Carta já considerava direitos civis iguais) foi a primeira a declarar por escrito a dignidade fundamental de todos os seres humanos perante a lei e perante o Estado.

A revolução francesa (jacobina e laica) veio depois, com as três palavras paradigmáticas – liberdade, igualdade e fraternidade – pretender fundamentar a igualdade de todos os seres humanos em princípios de mera racionalidade que tinham a ver com os chamados filósofos das luzes e que tinham sido desenvolvidos, entre outros, por Emanuel Kant.

Vimos depois, nos séculos XIX e XX, que estas declarações de princípios não tiveram grande sucesso.

Foi necessário chegar ao fim da segunda guerra mundial para que os Estados definissem positivamente quais são os direitos fundamentais de todos os seres humanos com a chamada Declaração Universal dos Direitos Humanos adoptada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 10 de Dezembro de 1948.

A partir daí muitas outras declarações e textos legais têm sido produzidos como o Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, a Declaração e Programa de Acção de Viena, a Declaração do Milénio, o Estatuto do Conselho da Europa, a Convenção para a Protecção dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais também do Conselho da Europa, a Carta Social Europeia, etc, etc.

Toda esta legislação parte de uma convicção profunda que é a de que todos somos seres humanos, de que todos temos necessidades comuns e todos pertencemos ao género humano.

Enfim, todos somos pessoas e como pessoas somos sujeitos autónomos e livres, capazes de direitos e sujeitos de deveres.

A dignidade da pessoa humana constitui assim o núcleo essencial dos direitos fundamentais.

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O seu fundamento já não é nem Deus nem qualquer princípio religioso, mas sim a natureza humana enquanto tal e o chamado direito natural.
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Quanto a direitos parece que não faltam, difícil é concretizá-los.
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Aparentemente, os direitos humanos, os direitos fundamentais da pessoa humana, os direitos de não discriminação, os direitos dos pobres e os direitos dos doentes (ainda por cima pobres) estão assegurados.

Mas não estão.

Nunca como hoje se falou tanto de direitos humanos, de ética e até de responsabilidade social das empresas e das organizações.

Os Estados modernos assentam na ficção de que todos os homens são iguais.

Contudo, têm dificuldade em fundamentar essa igualdade.

Como são estados democráticos, assente no direito de todos poderem participar na vida pública, ou seja, de votar, e todos construídos no princípio do direito ou do império do lei, não encontram razões que possam justificar qualquer desigualdade.

Para segurança dos próprios Estados e dos cidadãos que representam, as situações de desigualdade extrema ou de pobreza extrema podem criar tensões sociais passíveis de gerarem violência.

Quando os Estados falam de pobreza, hão-de reparar que todos falam da chamada inclusão social.

É necessário que todos se sintam incluídos nos objectivos dos Estados, gerando as situações de exclusão aquelas tensões.

No passado dia 23 de Outubro foi apresentado o chamado Plano Nacional de Acção para a Inclusão (PNAI) relativo aos anos 2006/2008.

No Relatório, é apresentada a situação de pobreza em Portugal que necessariamente nos envergonhará.

Em 2004, cerca de 21% da população portuguesa vivia abaixo do chamado limiar de pobreza.

Na Europa dos 25, esta situação era de 16%.

Há diferenças até entre os sexos, sendo que também em 2004, 22% das mulheres estavam em situação de pobreza contra 20% dos homens, sendo as mulheres a apresentar sistematicamente um risco de pobreza mais elevado desde 1995.

O carácter persistente das situações de pobreza também é evidenciado no Relatório que justifica aquele Plano.

Cerca de 15% da população vivia abaixo do limiar de pobreza em 2001 e em, pelo menos, dois anos dos três precedentes.

Esta situação não resulta de condicionalismos conjunturais, mas estruturais, sendo que é acompanhada de cada vez maior desigualdade na distribuição de rendimentos quanto maior é o desenvolvimento económico do país.

O grau de desigualdade na distribuição dos rendimentos em Portugal é o mais elevado da União Europeia.

Em 2004, a proporção do rendimento recebido pelos 20% de maior rendimentos da população era 7,2x superior à recebida pelos 20% de menores rendimentos.

Na União Europeia esta relação é de 4,8.

Uma sociedade não pode continuar com tão elevado grau de desigualdade, pelo que se impõe a inclusão dos que estão numa situação de potencial exclusão como remédio de eventuais surtos de insegurança ou violência.

Os pobres não são defendidos porque a sociedade lhes reconhece direitos ou lhes reconhece a sua dignidade intrínseca, mas porque é necessário incluí-los porque a sua exclusão é potenciadora de problemas.

Quando os países ricos, como os E.U.A. ou a Europa, definem como política apoiar os países pobres, fazem-no pelas mesmas razões.

Existem, no entanto, pessoas, organizações, instituições que apoiam as pessoas, pobres, doentes, deficientes, nos mais diversos países, incluindo os seus, por motivos, não egoístas, porque lhes reconhecem a sua dignidade humana intrínseca porque criados e filhos do mesmo Deus.

Antes de os Estados se preocuparem com a saúde e o bem estar daquelas pessoas, já outras abriam hospitais, fundavam misericórdias, tratavam dos leprosos e de outros doentes segregados pela sociedade, saíam das suas terras e iam para países inóspitos porque consideravam todas as pessoas iguais, com direitos e dignidade iguais.

Alimentar os que têm fome, dar de beber a quem tem sede, vestir os nus, visitar os doentes, era um imperativo categórico não baseado na razão pura ou prática de Kant, não em qualquer Declaração de Direitos, mas no dever moral de assistir aos seus irmãos, porque têm a dignidade de filhos de Deus.

Hoje fala-se muito em direitos esquecendo-se os deveres.

Em muitos casos considera-se que as pessoas têm direitos conferidos pelo Estado, esquecendo-se os deveres que as pessoas e a sociedade têm não só consigo mas também com os outros.
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Embora da lei escrita (nacional, europeia, transnacional, internacional) conste a total proibição de toda a discriminação, nós sabemos que os doentes pobres são duplamente discriminados, não só por estarem doentes mas, sobretudo, por serem pobres.
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segunda-feira, novembro 06, 2006

Prof. António Marques discorda do meu comentário acerca da prestação do Sr. Presidente da Câmara no "Prós e Contras"

Num comentário que teve a amabilidade de me enviar, via e-mail, o Sr. Prof. António Marques refere que o Sr. Presidente da Câmara de Resende não esteve bem no debate em epígrafe, pelos motivos que passo a sintetizar:
i) A proposta de lei das finanças locais, que o Eng. António Borges defende contra 80% de Presidentes de Câmara que têm opinião contrária, penaliza os concelhos pequenos e do interior;
ii) Os "métodos menos ortodoxos" do Dr. Ruas foram desmentidos pelo Presidente socialista, José Apolinário, da Câmara de Faro;
iii) O Sr. Presidente da Câmara de Resende "vestiu a pele" das posições do governo;
iv) Por estas razões, o Sr. Prof. António Marques discorda do comentário que fiz acerca deste assunto.
Nota final: Como resendense, irei aguardar pela aprovação e aplicação da lei para verificar se os concelhos pequenos e do interior (cumpridores) sairão ou não prejudicados, pois o que interessa é o desenvolvimento da nossa terra.

G.D. Resende empata com o G.D.Roriz

No jogo, ontem disputado no Estádio de Fornelos, o G. D. de Resende empatou a 1 bola contra o G. D. de Roriz.
Refira-se que o objectivo do nosso clube concelhio é a passagem à 1.ª divisão distrital.

domingo, novembro 05, 2006

"O enigma do tempo: o instante vivido"

Pensando no instante a viver, espero que o comentário da próxima 2.ª feira, neste blogue, não tenha o título "Ontem não te vi em Paus".

sábado, novembro 04, 2006

Fim da safra das castanhas

Decorre, nos próximos dias, a apanha das últimas castanhas do concelho.
Embora já não tenha o peso de antigamente, em que chegavam a vir muitas pessoas das povoações da serra de Montemuro para este trabalho sazonal (a troco de comida, dormida e uma saca de castanhas), continua a constituir uma ajuda preciosa nas finanças de muitas famílias.
A castanha maior (seleccionada) foi vendida hoje a €0,75 e a restante (misturada) a €0,40.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Cores de Outono em Resende

O Outono tem funcionado para muita gente como uma estação do cair da folha, do início do frio e de alguma melancolia.
Contudo, para quem se dispuser a ver este tempo e estes dias com olhos de ver descobrirá uma verdadeira sinfonia de cores e poderá experienciar um alcance diferente de harmonia. Os vinhedos e as cerejeiras são um autêntico caleidoscópio: o verde, o castanho, o vermelho, o amarelo e o ocre estão lá em diferentes tonalidades.
É um tempo para reconquistar a natureza na diversidade e no silêncio dos dias.

quinta-feira, novembro 02, 2006

A propósito do dia de finados

A minha relação com os mortos foi em criança quase "eu cá tu lá", ou seja, foi algo natural, frequente e familiar. Tudo se conjugava para isso. A mortalidade infantil era muito elevada, havendo muitas famílias com três ou mais "anjinhos". E a esperança de vida para os "sobreviventes" rondava os 60 anos, não sendo a morte "fintada" através de meios técnicos ou científicos ou retardada artificialmente. Quando uma pessoa era atingida por um "malzinho", recebia a extrema-unção, finando-se em paz, passados poucos dias.
Ao passar no meio da aldeia, encontrava frequentemente, sobretudo a partir do cair da folha, o Sr. Zé Maria a "confeccionar" mais um caixão. As urnas, destinadas aos mais endinheirados, eram transportadas de S. Martinho de Mouros, sem segredos, à cabeça de uma mulher.
Como as pessoas, na altura, morriam todas em casa, era obrigação dos vizinhos e amigos ajudarem com a sua presença a ultrapassar o acontecimento doloroso dos familiares dos recém-defuntos. Muitas vezes, eram mais noitadas de convívio, em que corria aguardente em abundância, acompanhada de broa e salpicão, do que ocasiões de luto e de consternação.
Quando morria alguém, a notícia era dada porta à porta. Como os adultos tinham de trabalhar, a tarefa de ir aos funerais era acometida, muitas vezes, às crianças do sexo masculino, a quem era pedido, frequentes vezes, para levar uma opa ou "ir de cruzada". Dos 6 aos 11 anos, acumulei um vasto currículo e experiência de ida a funerais nas freguesias de Paus, S. Martinho de Mouros e S. João de Fontoura. O ritual era sempre o mesmo. Chegado ao destino, estendia a mão a um grupo de homens, alinhados de perfil, que presumia serem familiares do defunto, dizendo em voz firme e bem audível: "Sou filho de Alfredo Borges, que apresenta os seus pêsames". Depois integrava o cortejo no meio dos homens, onde ouvia falar de tudo e até se fechavam negócios.
No dia 1 de Novembro, à tardinha, acompanhava a minha mãe ao cemitério ( na altura um enorme matagal), que cuidadosamente arranjava a campa do meu avô Anselmo, deixando-a coberta de pétalas e com um lampião aceso. No dia seguinte, dia dos fiéis defuntos, terminava um ciclo de relação com a morte e com os mortos.

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É o número de pessoas que foram sepultadas no cemitério de Paus desde 16 de Outubro de 1989.